terça-feira, 31 de agosto de 2010

Toda a Verdade

A última história a ser contada é sempre verdadeira, mas nunca é a última.

o estado da literatura

O estado da literatura será sempre o de crise.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

é já dia 4, em Silves

Falo de um homem que possuía livros de poemas.

Falo de um homem que possuía livros de poemas. Foi talvez o único real leitor. Ele abria os livros, um livro. Escolhia um poema. Era um ritual misterioso. Porque ele raspava as letras da página, cuidadosamente, como para conservar a integridade do papel. Raspava e reunia os pedaços negros. Aquecia então água com o vagar próprio da vertigem. Uma estranha ciência de vapores.

A infusão sucedia: a escura substância do poema misturava-se mais e mais com o fervor da água, até ao ponto em que tudo aquilo era vivo. O homem bebia então o poema e o poema flutuava no sangue, atingindo todos os lugares do corpo, reclamando todos os lugares do corpo. Não era previsível o efeito do poema. Cada poema dissolvido, sorvido, feito homem, trazia consigo uma possibilidade própria. O homem crescia com o poema, crescia mais para si, mais para o poema.

o homem que possuía livros de poemas, possuía uma biblioteca em branco. Páginas e páginas de poemas arrancados sem vestígios, um crime perfeito. Era uma biblioteca poética. Uma biblioteca que podia arder.


de Omertà, Vasco Gato, Quasi Edições, 2007

Agradecimentos

[o estado da literatura]


Além do mais que disseram,
o Tiago disse que as pessoas estão desligadas,
a Vânia sugeriu que o Ministério da Cultura, a biblioteca e a Universidade do Algarve fossem "investigados",
o Pedro afirmou que não há uma cena artística em Faro, e
o Valter referiu que só faltava uma coisa a esta discussão: pessoas...

Por tudo isto, lembrei-me de colocar o "questionário" que aqui surgiu na caixa de comentários dos blogs daqui - ali à direita ------------------>
e ficar à espera de respostas. Estou então à espera.

Agradecimentos aos referidos no início e aos donos dos blogs que "apanharam" com o questionário, que continua aberto a todos que quiserem respondê-lo.

Que escritores residem em Faro?
Que grupos de escritores ou de escrita ou de leitura existem em Faro?
Em que locais em Faro se reúnem os escritores?
Que editores e que edições literárias têm sede em Faro?
Que apoios existem em Faro para a literatura?
Quem divulga/apoia em Faro os escritores que aqui residem?

só falta uma coisa: pessoas...

O Valter diz:

"Poder-se-á dizer que haverá escritores em Faro que estão desempregados, talvez, mas neste momento não creio que os haja também", diz o Pedro Afonso. Eu acrescentaria uma acha mais à fogueira: em Faro existem certamente muitos escritores desempregados à busca do primeiro emprego!

Isto leva-me a tecer a seguinte consideração acerca do "ser-se ou não escritor, eis a questão": o importante, no fundo, é escrever (e ler antes de escrever e escrever depois de ler...); aliás, escrevermo-nos continuamente, para irmos descobrindo a nossa voz, a nossa identidade - que porventura será o feito mais difícil de conseguir nesta coisa da escrita... o ser-se publicado ou não... bem, cada vez é mais fácil ser-se publicado, basta pagar - há umas quantas editoras "especializadas" neste tipo de edição... mas terá uma edição um efeito de, digamos, upgrade qualitativo na obra de um escritor? Creio que não. Aliás, o conceito de qualidade varia de pessoa para pessoa e de época para época... Aliás, na primeira aula de "Estudos literários", o prof. Paulo Pereira fez uma pergunta a que não sei responder nem ninguém ma respondeu durante toda a frequência do curso: "o que é isso da literatura?"...

Quando leio o Pedro a dizer que em Faro não há uma vivência artística por não haver sequer uma cena artística, lembro-me de uma coisa que costumo dizer: "as cidades são as pessoas", o que vai dar mais ou menos à mesma coisa se disser que "as cenas são as pessoas (que as fazem)". Não tenho dúvidas que em Faro (e arredores - sendo que os arredores de Faro têm necessariamente de ser todo o Algarve, não fosse esta a sua capital...) existe muita qualidade, não só ao nível da escrita, como da música, das artes plásticas, das artes performativas etc. E as pessoas existem, estão aí, e se estão as pessoas estão também as obras - feitas ou por fazer... Acima de tudo, o que noto é que há uma grande falta de vontade (por vergonha? por pessimismo? por falta de auto-estima?) em reunir essas pessoas... a malta prefere os copos à arte, esquecendo-se de que a combinação da arte com a boémia pode dar coisas muito bonitas... Foi o esse o motivo principal da abertura de um sítio como o DRACULEA, mas... "as cidades são as pessoas" e as pessoas em Faro não querem nada mais para além do que é fácil e do que já está implementado. É fácil ouvir e criticar; o complicado (mas que é "d'homem"...) é falar e ter estofo para ser-se criticado...

P.S.: discussão boa esta que se gerou aqui no blog do Luís... só falta uma coisa: pessoas... entendem-me?

Efeitos secundários

Podemos viajar para todo o lado
em negócios ou por prazer
sem destino
sem mapas
sem leituras prévias
sem conhecer a língua
assim como
podemos escrever
um poema
sem nunca ter lido
poesia mas
existe sempre o perigo
real e eminente
de nunca sairmos
de nós próprios
de nos perdermos
de nós mesmos

domingo, 29 de agosto de 2010

Achas que és escritor?

[lê o estado da literatura - responde ao questionário.]


Interessam-me mais as perguntas do que as respostas e evito respostas definitivas. É claro que às vezes é conveniente saber do que estamos a falar e criar, para esse efeito, alguns consensos.

Há alguns anos atrás, quando eu tinha mais dúvidas do que agora sobre esse assunto, um amigo interrogava-me constantemente sobre o que é ser escritor e quando eu avançava com algumas respostas (provisórias) ele abanava-as uma a uma, para meu desespero.

Ser escritor é um estado, uma maneira de ser, e não uma profissão (embora existam escritores que fazem da escrita profissão). Assim, não me parece que para se ser escritor se tenha de viver da escrita, ou sequer ganhar com a escrita. Da mesma forma, para se ser escritor não se tem de estar publicado, em livro ou revista.

Uma questão que me parece interessante – talvez das únicas - é a de saber se a publicação em blog de originais deve ou não ser considerada publicação para se dizer que um determinado escritor é ou não um escritor publicado. Não vejo muitos escritores que publicam em blogues fazerem essa referência no seu curriculum.

Escritor é aquele que se diz escritor e/ou é reconhecido como tal. Esclareça-se que os escritores (quase todos) ganham pouco dinheiro com as suas publicações, a grande maioria muito pouco ou nada e alguns até pagam para ser publicados.

Por isto (nesta investigação) falo apenas em escritores e nem os distingo, como poderia fazer (poetas, contistas, romancistas...). Prefiro deixar os termos abertos a fechá-los. Prefiro que os investigados avancem com as suas próprias definições.

--->

Escritor ô)
s. m.
1.Autor de obras literárias ou científicas (com relação ao estilo, à forma que emprega).
escritor público: literato de profissão.

--->

Curiosamente, não encontrei no Citador qualquer citação ou pensamento com o tema escritor, mas recomendo os pensamentos com o tema escrita.

Deixo aqui um:

Senta-te diante da folha de papel e escreve. Escrever o quê? Não perguntes. Os crentes têm as suas horas de orar, mesmo não estando inclinados para isso. Concentram-se, fazem um esforço de contensão beata e lá conseguem. Esperam a graça e às vezes ela vem. Escrever é orar sem um deus para a oração. Porque o poder da divindade não passa apenas pela crença e é aí apenas uma modalidade de a fazer existir. Ela existe para os que não crêem, como expressão do sagrado sem divindade que a preencha. Como é que outros escrevem em agnosticismo da sensibilidade? Decerto eles o fazem sendo crentes como os crentes pelo acto extremo de o manifestarem. Eles captarão assim o poder da transfiguração e do incognoscível na execução fria do acto em que isso deveria ser. Escreve e não perguntes. Escreve para te doeres disso, de não saberes. E já houve resposta bastante.

Vergílio Ferreira, in "Pensar"

em Faro não há "cena artística"

[o estado da literatura]

Pedro Afonso responde:

Não me é fácil responder a estas perguntas, pois aquilo com que se prendem são assuntos não estanques e que se ramificam e vêm enraizados para e de muitos sítios. Aliás, não sei se a literatura tem um "estado", acho que ela até se livra disso, felizmente. Mas vou tentar.

Que escritores residem em Faro?

- o que é um escritor? Para mim "escritor" é uma profissão, sendo um "escritor" alguém que vive da escrita. Estando nós aqui a falar de literatura estaríamos a falar de pessoas que vivem da escrita de literatura. Assim sendo, de que eu tenha conhecimento, não há nenhum escritor em Faro. Poder-se-á dizer que haverá escritores em Faro que estão desempregados, talvez, mas neste momento não creio que os haja também, não tenho conhecimento de ninguém em Faro que tenha vivido da escrita e que agora já não o consiga fazer. Há alguns de Faro que são escritores, mas para isso tiveram que ir embora de cá.

É claro que há em Faro quem escreva. Há autores ou criadores em Faro. Conheço algumas pessoas que escrevem e que têm trabalhos de qualidade, um ou outro de muita qualidade, e muitos outros que escrevem coisas banais e sem grande interesse. Haverá muitos também que eu não conheço, até porque não sigo os blogs desde há uns tempos e estes são, sem dúvida, uma plataforma importante para quem escreve e mostra o que escreve. Mas há quem escreva e quando isso é um prazer e uma busca é sempre importante, para o próprio.

Que grupos de escritores ou de escrita ou de leitura existem em Faro?

De escrita e de leitura de momento, não sei bem. Creio que o texto-al se mantém, não sei se só na net ou se também "fisicamente".
Há o Sulscrito, o qual durante muito tempo teve vários projectos, e que é agora uma "entidade" que se transformou na base de vários projectos coordenados pelo Fernando Esteves Pinto, como a participação portuguesa nos projectos de Punta Umbria (colecção, prémio e encontro Palavra Ibérica), a Editora 4águas, a Editora PopSul. Mas nenhum destes projectos tem já base em Faro, pois nenhum deles teve nunca apoio das entidades locais. Mas são dos projectos mais importantes na área da literatura do Algarve.

Há, creio, alguns grupos de leitura, privados, fechados, grupos de amigos que se reunem para falar do que lêem, para mostrar o que escrevem. Estes há-os e haverá sempre, independentemente daquilo que sai para a rua.

Há também a iniciativa do Draculea, às 3ªs feiras, que à semelhança do LerAlto (espaço de leitura que existiu 2 anos nos Artistas), reune vários dos autores que andam por Faro. Infelizmente, apenas pude ir a essas 3ªs feiras um par de vezes, mas foi bom e tentarei lá voltar, vale a pena, copos e literatura sempre me fizeram muito bem.

Em que locais em Faro se reúnem os escritores?

Partindo do princípio que não há escritores... De qualquer forma, creio que os autores reúnem-se com os seus amigos e não uns com os outros. Acho que em Faro não há um sítio em que se reúnam autores e artístas, ou pelo menos não o há naquela perspectiva de uma tertúlia, de um GRUPO identificável de artistas. Aliás, em Faro não há "cena artística", por isso também não há "vivência" artística. Muito teria que mudar para se chegar até esse nível, novamente (porque já houve).

Que editores e que edições literárias têm sede em Faro?

Que eu saiba há o J. Carrapato e as Suas Ed. Sotavento, algumas coisitas publicadas pela Câmara e coisas dispersas. Já não há revistas literárias sediadas em Faro e os projectos editoriais mais interessantes do Algarve têm sede em Olhão e Tavira.
A revista Sulscrito, que continua, já não está em Faro, mas o mais recente nº (junho de 2010) saiu com o apoio de um comerciante da baixa de Faro. Tem vários autores de Faro e do Algarve, mas também de todo o resto de país. Não tenho conhecimento de mais nenhuma revista literária de momento.
Haverá, com certeza, coisas na net que têm origem por cá, mas, de momento, não sigo muito esse fenómeno.

Que apoios existem em Faro para a literatura?

Nenhuns, nunca houve e nem tão cedo há-de haver. Há a compra de exemplares de livros de autores locais por parte da Câmara, apoios pontuais a projectos ou edições, mas apoios há literatura não há nem nunca houve. Apoiar um projecto ligado à literatura implica continuidade, formação de públicos, fomento de condições para a criação, divulgação dos projectos e dos criadores locais. Isto nunca aconteceu e não há mostras de vontade para que aconteça.

Quem divulga/apoia em Faro os escritores que aqui residem?

Ninguém.

Fim.

Espero que o meu contibuto possa ser útil á tua investigação.

[Obrigado Pedro, e já agora deixa-me que te responda que a literatura tem um estado, é pena é que pareça ser mais um estado de sítio do que um estado interessante.]

sábado, 28 de agosto de 2010

As pessoas estão desligadas

[o estado da literatura]

Ao fim da tarde telefonei ao TN e perguntei-lhe se ainda tinha um livro para mim. Respondeu-me que sim e mostrou vontade em se encontrar comigo, de imediato, para meu espanto, e combinámos encontro daí a dez minutos, na esplanada do Maktostas, no largo de S: Pedro.

Cheguei primeiro, mas ele chegou pouco depois. Achei-o envelhecido, se tal é possível em alguém com vinte e oito anos de idade que não via apenas há alguns meses, no entanto ele próprio confirmou essa mesma impressão um pouco mais tarde, ao referir-se a um outro poeta, de 23 anos de idade, como um poeta ainda muito jovem.

Trocámos algumas banalidades, entregou-me o livro, trocámos mais algumas banalidades, mas como queria levar a minha investigação adiante, a certa altura atalhei caminho, coloquei o gravador em cima da mesa e perguntei-lhe se não se importava que lhe colocasse algumas questões. Pareceu-me desiludido e disse qualquer coisa como “eu sabia que tinhas algum interesse oculto”, o que inexplicavelmente me entristeceu e me fez hesitar. Mas liguei o gravador.

O tom da conversa mudou de imediato e passamos a ser entrevistador e entrevistado, o que se me tornou incómodo e me levou a desligar o gravador passados meia dúzia de minutos, quando a conversa resvalou. Mais à frente liguei-o de novo, mas com o mesmo resultado.

Do pouco que ficou gravado muito pouco se aproveita, como facilmente depreendi em audições posteriores, mas o pouco pode sempre ser muito e apontar caminhos, o que me parece o caso. E depois há o que não ficou gravado e que também vou aqui chamar. Seja como for, a investigação está em curso.

Um facto já meu conhecido mas que veio à conversa por causa do último livro de TN é que uma pequena localidade como Punta Umbria tem uma colecção de poesia já com treze livros e em que estão representados dois poetas residentes em Faro. De acrescentar O TN tinha ali estado poucos dias antes a participar num clube de leitura e estava bastante satisfeito com o resultado. Compare-se com Faro, em que nada acontece e em que esses dois poetas são ignorados por quem podia ( e devia?) publicá-los e promovê-los.

Em Faro, disse TN, as pessoas estão desligadas da literatura, não se interessam, e esta é sem dúvida uma ideia de força a desenvolver nas próximas entrevistas e contactos. Por outro lado, disse ainda, que há muito mais gente a escrever em Faro: “É muito engraçado. Havia um tempo, e não foi há muito tempo, em que eu conhecia toda a gente que escrevia em Faro, e agora há muitas pessoas em Faro que escrevem e que eu não conheço.”

Continuámos a conversar, disto e daquilo, e a entrevista pouco a pouco passou para segundo plano. TN falou de si e eu falei de mim, quando a minha intenção era ouvi-lo, mas foi isso que me apeteceu fazer.

“Aquilo que eu gosto mais na escrita”, disse TN, “é escrever”, e eu concordo com ele. “Por mim”, continuou, “não fazia apresentações, não aparecia, não dizia nada, só que as coisas são assim.”, e eu volto a concordar e a conversa flui, sem propósito. Quando lhe pergunto qual o lugar que a tradução ocupa actualmente na sua actividade literária, TN responde-me com uma frase lapidar e divertida que não acaba com a conversa mas quase acaba com a entrevista: “Cada vez mais traduzo menos.”

Rimos muito e esquecemos por instantes o estado (deplorável) da literatura em Faro.

dossiês

gostei muito deste dossiê.

todos os poemas

todos os poemas têm uma porta das traseiras
por onde sempre nos escapamos

todos os poemas têm um lado de fora
tão branco como o branco da folha

todos os poemas são amblíopes
que nos conduzem pela mão

todos os poemas são um só poema
que continuamente se dilata

todos os poemas são repetição e instinto
cada vez mais eu escrevo menos

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Vache au nez subtil - Jean Dubuffet

A escrita

algumas vezes é a única
coisa
entre ti e a
impossibilidade.
nem a bebida,
nem o amor de uma mulher,
nem a saúde
se
comparam a ela.
nada te pode
salvar
excepto
a escrita.
impede as paredes
de
ruir.
a canalha de
se aproximar.
expulsa a
escuridão.
a escrita é o
derradeiro
psiquiatra,
o mais gentil
deus de todos os
deuses.
a escrita afasta
a morte.
nunca te
abandona.
e a escrita
ri-se
dela própria,
da dor.
é a última
esperança,
e a última
explicação.
é isso
que
é.

Charles Bukowski
versão de manuel a. domingos

onde se reúnem os escritores em Faro?

Valter Ego responde:

todas as terças-feiras acontece um encontro de artistas (no sentido não-pindérico da palavra... se é que há um!), entre escritores, músicos, artistas plásticos etc., no DRACULEA Café Bar, sob o nome de DRACULEA Café Poesia; o DRACULEA Café Poesia encontra-se de momento de férias, regressando em Setembro quando se iniciarem as aulas da universidade; para quem tenha dúvidas acerca do "Poder" da Arte, posso dizer que o próximo DRACULEA Café Poesia será a 23ª edição... mais posso informar que, semanalmente, oferecemos um livro ao melhor cliente da noite, contando para isso (para já) com o apoio da Temas Originais Editora que contribui com um título por mês... para além do DRACULEA Café Poesia, estes artistas reúnem-se com regularidade no DRACULEA Café Bar, acontecendo amiudemente encontros e sessões de poesia e de discussão espontâneos... nomes como Ursula Mestre, Mara Barth, Vânia Martins (artistas plásticas), Fernando Pessanha, João Cuña, João Ventura (músicos), Rui Cabrita (actor), Tiago Marques (músico e escritor), Filipe Santos (apresentador do programa País Relativo na RUA FM), Nuno Fernandes (realizador da curta-metragem "Mar d'Outubro"), Rogério Cão (poeta) podem ser facilmente encontrados por estas bandas... mais do que o já (d)escrito... só posso mesmo fazer o convite a que apareçam para conhecerem o DRACULEA Café Bar e o seu ambiente...

P.S.: não somos um bar gótico... DRACULEA é um acrónimo que significa Domus Regia Artis CULtus Et Amicorum, ou seja, Casa Real da Arte, da Cultura e dos Amigos...

FICA O CONVITE
[Obrigado Valter, de caminho até respondeste a mais do à pergunta que apontas. Aparecerei então aí numa dessas terças, se não for noutra altura, o que aliás já aconteceu.]

ainda bukowski



quero viver na China onde um pintor é um poeta

Why do you paint?
For exactly the same reason I breathe
That's not an answer
There isn't any answer
How long hasn't there been any answer?
As long as I can remember
And how long have you written?
As long as I can remember
I mean poetry
So do I
Tell me, doesn't your paintings interfere with your
writing?
Quite the contrary: they love each other dearly
They're very different
Very: one is painting and one is writing
But your poems are rather hard to understand,
whereas your paintings are so easy
Easy?
Of course - you paint flowers and girls and
sunsets; things that everybody understands
I never met him
Who?
Everybody
Did you ever hear of nonrepresentational painting?
I am
Pardon me?
I am a painter and painting is nonrepresentational
Not all paintings
No: housepainting is representational
And what does a housepainter represents?
Ten dollars an hour
In other words, you don't want to be serious
It takes two to be serious
Well, let's see... oh yes, one more question: where
will you live after this war is over?
In China, as usual
China?
Of course
Whereabouts in China?
Where a painter is a poet

e.e. cummings - 1945



Por que você pinta?
Pela mesma razão que eu respiro
Isto não é uma resposta
Não há nenhuma resposta
Há quanto tempo não há nenhuma resposta?
Tanto tempo quanto posso lembrar
E há quanto tempo você escreve?
Tanto tempo quanto posso lembrar
Quero dizer poesia
Eu também
Diga-me, suas pinturas não interferem com suas poesias?
Pelo contrário, elas se amam
Elas são muito diferentes
Muito: uma é poesia e outra é pintura
Mas seus poemas são difíceis de entender,
E suas pinturas são fáceis.
Fácil?
Claro - você pinta flores e mulheres e o pôr do sol, coisas que todo mundo entende
Eu não conheço
Quem?
Todomundo
Você já ouviu falar de pintura não representativa ?
Eu sou
Desculpe?
Eu sou um pintor e pintura não é representativa
Nem todas as pinturas
Não: a pintura de casas é representativa
E o que representa um pintor de casas?
Dez dólares por hora
Em outras palavras, você não quer ser sério
Pra ser sério, são dois
Bem, deixe ver... oh sim, mais uma pergunta: onde
você pretende viver quando acabar a guerra?
Na China
China?
Claro
Por que na China?
Onde um pintor é um poeta

Tradução de amir brito

daqui

Blogues em Faro

Diz o Tiago Nené em comentário a esta entrada que "o texto-al sou eu, a isa mestre, o adriano narciso, a joaninha, o gavine rubro, o pedro rodrigues e... convidados."
O texto-al (ou texto}al), para além do que mais seja, é um blog. De acordo com o Blogger são membros desta equipa a Ju, o Tiago Nené, o Gavine Rubro, a Ana Coreto, a Isa Mestre, o Adriano Narciso, o Pedro Rodrigues e o Duarte Temtem.

Que o texto}al é um blog literário, um blog de escritores (ou de pessoas que escrevem) não parece haver qualquer dúvida. Se tem "existência" em Faro é outra questão, mas se aceitarmos que o Tiago Nené (o seu grande impulsionador) reside em Faro (ainda que nas Gambelas :) penso que se pode dizer que o blogue tem uma ligação forte a Faro. Por esse motivo o inclui na lista de blogues daqui, ali à direita.

Esta investigação pretende ser rigorosa mas não ortodoxa, e o blog Texto}al interessa-me, assim como os seus membros. De todos só conheço o Tiago e sei que a Isa Mestre e o Gavino Rubro (pelo menos) também residem em Faro.

Não é aqui a altura para lembrar a importância dos blogues na literatura, mas fica a nota.

O Hábito

Em criança sonhava ser enforcado, enfrentar perigos, mas depois levou sempre uma vida pacata, sem sobressaltos, chá para quatro. Um dia leu num papel asfixiado num beco que era preciso vencer a Natércia, mas era demasiado tarde para ele, há muito que estava habitado e já nada o surpreendia. E tu, leitor?

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

é um livro


questionário

Não pensei nas perguntas que enunciei duas entradas antes como um questionário, mas a Vânia não perdeu tempo. Obrigado Vânia. Leiam as respostas dela e enviem-me as vossas.

Questionário

Que escritores residem em Faro?

Luís Ene. O poeta algarvio vive nas Gambelas, certo? ;)

Que grupos de escritores ou de escrita ou de leitura existem em Faro?

Actualmente? Na sê. Antes havia o Texto-Al (que agora é um grupo de 1 pessoa) e o Sulscrito que se dissolveu (em álcool, penso eu!).

Em que locais em Faro se reúnem os escritores?

Talvez: n'Os Artistas, no Páteo, no café do teatro, no Maktostas...

Que editores e que edições literárias têm sede em Faro?

?

Que apoios existem em Faro para a literatura?

Isso talvez se possa saber no Ministério da Cultura, na biblioteca e na UAlg.

Quem divulga/apoia em Faro os escritores que aqui residem?

Idem. Mais os blogs.


obrigado Paula


uma investigação

Aconteceu-me, por estes dias, fazer parte de uma comissão para a preparação e publicação de uma Antologia com o título A Arte de Varrer o Pátio e ficar surpreendido com o número e a qualidade dos escritores residentes em Faro, muitos dos quais não conhecia. Aconteceu-me também, no mesmo período, ter deparado na Internet com alguns relatórios sobre o estado da literatura em diversos países.


Este conjunto de circunstâncias despertou em mim o desejo de iniciar uma investigação sobre o estado da literatura. Como sou modesto e resido em Faro (não necessariamente por esta ordem), decidi circunscrever essa investigação (já iniciada) a Faro e dela ir dando notícia neste blog.


As perguntas que de momento norteiam a investigação são as seguintes:

Que escritores residem em Faro?

Que grupos de escritores ou de escrita ou de leitura existem em Faro?

Em que locais em Faro se reúnem os escritores?

Que editores e que edições literárias têm sede em Faro?

Que apoios existem em Faro para a literatura?

Quem divulga/apoia em Faro os escritores que aqui residem?


Quem quiser de alguma forma ajudar a responder a estas perguntas pode contactar-me pelo e-mail ali em cima à direita.

obra completa

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

escrita criativa

se ensinasse escrita criativa, perguntou-me, o que lhes diria?

diria para terem um desgosto amoroso,
hemorróidas, dentes podres
beberem vinho barato,
evitar a ópera e o golfe e o xadrez,
mudarem a cabeça da cama
de parede para parede
e depois diria para terem
outro desgosto amoroso
e para nunca usarem computador
portátil,
evitarem almoços em família
ou serem fotografados num jardim
com flores;
para lerem Hemingway só uma vez,
passarem por Faulkner
ignorarem Gogol
verem fotografias da Getrude Stein
e lerem Sherwood Anderson na cama
enquanto comem bolachas de água e sal,
perceberem que as pessoas que falam de
liberdade sexual tem mais medo do que vocês.
para ouvirem E. Power Biggs a tocar
órgão na rádio enquanto enrolam
um Bull Durham às escuras
numa cidade desconhecida
com um dia para pagar a renda
depois de abandonar
amigos, família e trabalho.
para nunca se considerarem superiores e/
ou justos
e nunca tentar ser.
para terem outro desgosto amoroso.
observarem uma mosca no verão.
nunca tentar ter sucesso.
nunca jogar bilhar.
para se mostrarem verdadeiramente furiosos
quando descobrirem que têm um pneu furado.
tomarem vitaminas mas nunca fazer exercício físico.

depois disto tudo
inverter o processo.
ter um bom caso amoroso.
e aprender
que não há nada nem ninguém a saber tudo –
nem o Estado, nem os ratos
nem a mangueira do jardim nem a Estrela Polar.
e se algum dia me apanharem
a dar uma aula de escrita criativa
e lerem isto
eu dou-vos um 20
pelo cu
acima.

versão de manuel a. domingos

Surpreendido


Chegou-me (finalmente) às mãos, pelas mãos do próprio autor, o último (e segundo) livro de poesia de Tiago Nené, Polishop, em edição bilingue, integrando a colecção Palabra Ibérica (que inclui também um livro meu), editada pelo Ayuntamento de Punta Umbria.
Como me dizia um amigo um dia destes, também eu faço parte do grupo daqueles que gostam mais de ler do que falar/discutir o que lêem. Fique pois claro que não existe qualquer intenção crítica nas palavras que se seguem: elas surgem apenas da necessidade que sinto de dizer que este livro me surpreendeu (de forma positiva) e dar conta (de forma breve) dessa surpresa.
Conheço o Tiago Nené já há alguns anos e tenho seguido o que tem vindo a escrever e, mesmo assim, ou talvez por causa disso, este livro surpreendeu-me.
Surpreendeu-me pela diversidade - o que não quer dizer falta de coerência - do material poético que contém - o Tiago (e cito de cor) dizia que são experiências e não poemas (e rimos os dois).
Surpreendeu-me pelo risco (pela coragem) que espreita a cada poema, por um certo encantamento desencantado (ou desencantamento encantado) em relação à poesia e à própria arte poética.
Surpreendeu-me ainda por me encontrar neste livro (que é todo do Tiago - risos), no título de um poema, no corpo de outro e numa citação que abre ainda outro.
Por último, já quase me esquecia, uma nota sobre o titulo do livro (Polishop) que tanto diz sobre si mesmo, como bem salienta José Carlos Barros no prefácio.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

...

Não me canso de ouvir Lhasa de Sela

2 poetas em Faro

Ainda há pouco, no Largo de S. Pedro, dois "poetas" à conversa: eu e o Tiago. As aspas expressam uma semelhança: quer eu quer ele não nos consideramos poetas, mas sim pessoas que escrevem poemas.
Ecos dessa conversa surgirão por aqui.


segunda-feira, 23 de agosto de 2010

(...)

uma ideia

Tudo ou nada (ou Ter e Ser)



Tinha tudo menos paz de espírito. Antes nada tivesse.

domingo, 22 de agosto de 2010

Sabedoria

Pouco ou nada sabia, mas tinha uns vislumbres, intensos e profundos, que lhe davam a certeza de que pouco ou nada sabia.

ainda o traste ou a ausência de (con)traste

I

(Ela) Apaixonou-se por ele porque (ele) era um traste; separou-se dele porque (ele) era um traste.

II

(Ele) Apaixonou-se por ela porque (ele) era um traste; (ele) separou-se dela porque (ele) era um traste.



Moral da história: Ele é (sempre) um traste.

sábado, 21 de agosto de 2010

qualidade de vida










O TRASTE

I

Apaixonou-se por ele porque era um traste; separou-se dele porque era um traste.

II

Apaixonou-se por ela porque era um traste; separou-se dela porque era um traste.


Uma excelente ideia

literary mob

dog



Opá, tens de ser dog, tasaver?
Dog?
Sim, dog!
O que queres dizer com isso?
Tens de ir, lutar, marcar posição.
(...)
Tens de ser dog!


sexta-feira, 20 de agosto de 2010

[...]




Gente séria

Gente séria acredita
Tudo tem uma solução
Tudo pode ser compreendido
Tudo pode ser explicado
Gente séria acredita
Não há nada que não possa ser dito
Gente séria não escreve poemas

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

disse-se

O Paulo da Ponte disse:

Felizmente sou cego, o que dá mais sentido à palavra (ouvida)

O Henrique disse:

Gente séria não escreve poemas.


# 3




O que existe e o que não existe. Locais de encontro, manifestações, colectivos. O Ler Alto terminou em 2006.

# 2

blogues:
Draculea Café
(...)

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

# 1


Interessa-te a literatura?

O quê?

Se te interessa a literatura.

Queres mesmo que te responda?

Claro!

Interessa-me a literatura, mas não de forma crítica.

O que queres dizer com isso?

Gosto de ler, mas não gosto de discutir o que leio. Com ninguém.

Mas gostas de ler?

Sim, gosto muito.

E escreves.

Sim, mas não mostro a ninguém.

Mas continuas a escrever.

Sim, escrevo já há bastante tempo.

(...)

Mas nunca mostrei o que escrevo a quem quer que fosse.


cores

poetas e escritores

poets and writers
gostaria de ler um relatório sobre o Portugal literário.

domingo, 15 de agosto de 2010

[...]

O Suicida

Sentiu-se tão vivo, tão extraordinariamente desperto, que quase desistiu.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

sugestão

A sugestão foi do Vasco. Dei uma vista de olhos e dou-lhe razão. Avassalador.

Verdade Avassaladora

O sexo está sobrevalorizado, disse ela, e nesse momento teve um orgasmo avassalador.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

cada vez gosto mais do Grupo Novo Rock...

1. Para que não pensem que me vou lamentar, quero dizer logo à partida que vinha a 75 em local em que a velocidade máxima é 50 - admito - e que o dinheiro que paguei me fazia muita , muita falta (aliás ia por ali para poupá-lo).

2. Não tenham agora dúvidas que protesto, apenas, pelo facilitismo de estarem sempre ( e apenas) em locais em que se fica sempre a pensar por que que raio está ali um sinal a limitar a velocidade.

3. É como pescar com dinamite.

4. E não digo mais. Por enquanto. Talvez inclua isto num conto!

experimente

se hoje estiver tanto calor como ontem (ufa), talvez isto ajude.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

vou ali e já volto

Faz-me dançar até ao fim do amor



"Dance Me To The End Of Love"

Dance me to your beauty with a burning violin
Dance me through the panic 'til I'm gathered safely in
Lift me like an olive branch and be my homeward dove
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love

Oh let me see your beauty when the witnesses are gone
Let me feel you moving like they do in Babylon
Show me slowly what I only know the limits of
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love

Dance me to the wedding now, dance me on and on
Dance me very tenderly and dance me very long
We're both of us beneath our love, we're both of us above
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love

Dance me to the children who are asking to be born
Dance me through the curtains that our kisses have outworn
Raise a tent of shelter now, though every thread is torn
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love

Dance me to your beauty with a burning violin
Dance me through the panic till I'm gathered safely in
Touch me with your naked hand or touch me with your glove
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love

O Homem Ridículo



Como os homens são ridículos, disse o Homem Ridículo, e riu, riu muito.

Acham que ele sabia?

terça-feira, 10 de agosto de 2010

ai quem me dera



escrever assim!

amor à alentejana

Minha querida:

um pouco de sal
alguns dentes de alho
um molho de coentros
(ou de poejos)
água a ferver
azeite q.b.

Gestos precisos e determinados.
Equilíbrio numa fatia de pão.
Será que há ovos? Tanto faz!

O amor pode ser difícil
mas nunca é complicado.

escrever (técnica)

A precisão não deve ser alcançada pelo pormenor da narração, mas sim, na imaginação do leitor, por duas ou três pinceladas, no ponto exacto.


André Gide - Os Moedeiros Falsos

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

[...]





A capela dos ossos

A primeira vez que estive na Capela dos Ossos, numa visita de estudo, alguém explicou como aquela capela era superior à de Évora, com o mesmo nome, porque na capela de Faro os ossos se encontravam amalgamados nas próprias paredes enquanto na outra tinham sido apenas colados. Lembro-me muito bem de ter pensado que raio de importância teria isso, mas anos mais tarde, na Capela dos Ossos em Évora, surpreendi todos os presentes, afirmando em voz alta a superioridade da Capela dos Ossos de Faro.

querido diário


escrever (porquê)

Não sei ao certo porque estou a escrever-te agora. Para ser franca, poucas vezes pensei em ti desde que aqui cheguei. Mas, de repente, depois de todo este tempo, sinto que há qualquer coisa para dizer e, se não o escrevo rapidamente, a minha cabeça rebenta. Não importa se o vais ler. Nem sequer importa se eu o vou mandar - partindo do princípio de que isso era possível. Talvez se resuma a isto. Estou a escrever-te porque tu não sabes nada. Porque estás longe de mim e não sabes nada.


No País das Últimas Coisas, Paul Auster

domingo, 8 de agosto de 2010

sonho...


saber mais aqui e aqui.
[Aureliano, um abraço]


He venido al desierto pa' reirme de tu amor
Que el desierto es más tierno y la espina besa mejor

He venido a este centro de la nada pa' gritar
Que tú nunca mereciste lo que tanto quise dar

He venido yo corriendo, olvidándome de ti
Dame un beso pajarillo, no te asustes colibrí

He venido encendida al desierto pa' quemar
Porque el alma prende fuego cuando deja de amar

(tradução livre)

Vim ao deserto para rir do teu amor
Que o deserto é mais terno e o espinho beija melhor


Vim ao centro do nada apenas para gritar
Que tu nunca mereceste o que tanto te quis dar


Vim eu a correr, esquecida de ti, meu amor
Dá-me um beijo passarinho, não te assustes beija-flor


Vim em chamas ao deserto apenas para queimar
Porque a alma se incendia quando deixa de amar

uma ideia...


.... absolutamente refrescante.

sábado, 7 de agosto de 2010

Gralha

Na entrada anterior escrevi Zaratruta quando devia ter escrito Zaratustra, não por desconhecimento, mas por descuido. Na verdade costumo trocar Zaratrusta por Zaratustra, e a gralha, tal como surge, revela esse erro.
Há palavras que parecem fugir a ser ditas e, nalguns casos, essa dificuldade, por engano ou por erro, dá resultados engraçados, mesmo poéticos.
Muitas vezes penso que a escrita vive sobretudo dessa dificuldade de dizer com as palavras que temos.
Mas dando um exemplo feliz, um dias destes, a minha filha Laura referiu-se a um papel "asfixiado" e pareceu-me muito melhor (mais expressivo, mais poético) do que o que ela queria dizer (afixado).

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

escrever (como)


De tudo o que se escreve, apenas amo o que se escreve com o próprio sangue.



[a ler de novo Assim Falava Zaratrutra*, de Friedich Nietzsche.]

* Assim Falava Zaratustra

Simplicidade

Ser simples é muito, muito complicado;
ser complicado é muito, muito mais simples.