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segunda-feira, 18 de outubro de 2010

domingo, 17 de outubro de 2010

pingue-pongue literário

Gosto do pingue-pongue a quatro, ainda que não propriamente a pares, que tem acontecido entre blogues:

Dueto entre Luis Ene e Gavine Rubro: o Poema

A construção do poema

A construção do poema – reflexão

O processo

Sobre a poesia escrita a duas mãos

O homem do Fraque dixit


Apeteceu-me, por ora, continuar assim:


Tudo sem assim é


tudo está

aquém e além

das palavras


estou eu

estás tu e

está o mundo


que sem as palavras

não existiria

assim pois


o poema é

ao mesmo tempo

um grito e um eco


[Mais tarde, talvez, acrescentarei algumas palavras sobre o constrangimento ou a restrição como elemento fundamental do processo criativo na escrita]

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

José Amaro Dionísio

O Salvador (o anterior editor da S) diz-me que encontrou "na net referência a um escritor farense que desconhecia, josé amaro dionísio, jornalista de profissão, que publicou «o bardo» na &etc... e mais recentemente de nada vale na averno, nasceu em faro e foi aqui aluno do zeca afonso. esteve 17 anos sem publicar ficção e tem uma entrevista interessante sobre isso. Aparece na Net...".

Pesquiso e pouco mais encontro sobre o autor (nascido em Faro em 1947) para além da referida entrevista e dois poemas. No entanto fico interessado e intrigado.

Quem é que acrescenta mais?

domingo, 19 de setembro de 2010

o estado da investigação

Convém recordar que as perguntas que norteiam a investigação em curso sobre o estado da literatura (em Faro) são as seguintes:

  1. Que escritores residem em Faro?

  2. Que grupos de escritores ou de escrita ou de leitura existem em Faro?

  1. Em que locais em Faro se reúnem os escritores?

  2. Que editores e que edições literárias têm sede em Faro?

  1. Que apoios existem em Faro para a literatura?

  2. Quem divulga/apoia em Faro os escritores que aqui residem?


Neste ponto da investigação as três primeira perguntas já receberam respostas que permitem chegar a algumas conclusões, o que não se passa com as restantes três.


Na verdade, parece que se pode afirmar com alguma segurança que existem em Faro cada vez mais pessoas a escrever mas existem poucas pessoas que se interessam (as pessoas estão desligadas), o que faz com que não exista uma verdadeira cena literária, aparecendo o Draculea Café Bar como o único lugar onde existe um actividade literária continuada (22 edições do Draculea Café Poesia), ainda que temporariamente interrompida.


Sem prejuízo de a investigação continuar a incidir sobre todas as perguntas, irei agora dar mais atenção às três últimas.


Quem quiser pode ainda responder a essas perguntas à laia de questionário (como tem acontecido) e/ou dar sugestões/indicaçõe sobre qualquer um dos pontos.


Além do mais, aguardo o retomar do Draculea Café Poesia numa destas terças, onde conto participar, e vou tentar estar nas primeira Leituras Perniciosas.


sexta-feira, 10 de setembro de 2010

o lambe-cuzismo nacional

Caro Luís,

1- os grandes grupos de escritores/artistas fazem-se (faziam-se) de afinidades que resultavam em grandes amizades. Relembro o ainda vivo exemplo português: Júlio Pomar, Lobo Antunes, Cardoso Pires, Fernando Lopes, entre outros. Será isso possível?

2- Qual o estimulo de um escritor para viver em Faro? O que é que a cidade de Faro tem que seja apelativo? E atenção porque, quanto a mim, Faro tem muito potencial (à semelhança de Guimarães que se transformou numa cidade muito bonita e restaurada).

3- Quanto às editoras, também eu me tenho perguntado sobre isso. E não venham com a conversa dos apoios: dou alguns exemplos, um de respeito, outros mais recentes: Antígona, Ahab, Livros de Areia: editoras de relevo e independentes.

É preciso, sim, proteger as pequenas editoras.

4- o melhor apoio para a literatura é a leitura e divulgação, a prática da tertúlia, a conversa despretensiosa e sem lambe-cuzismos. Coisa que muito se vê por aí, incluindo neste site e em Faro com alguns dos literários que por aí andam.

Aníbal Teixeira

[publicado em aqui, num dos blogs onde eu tinha deixado um inquérito]

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Vão-se queixando que eu já fui!

A discussão sobre o estado da literatura entrou em marcha lenta (ainda que a investigação continue) e penso que é de dizer-se neste momento que em Faro há e tem havido nos últimos anos pessoas e grupos de pessoas que têm tentado fazer e tem efectivamente feito alguma coisa. Os apoios e os resultados é outra história mas não invalida a primeira. Que aqui fique dito. E que se continua a fazer.
Isto vem a propósito do que já aqui se publicou e comentou, e em especial de um último comentário em entrada de já há alguns dias e que a seguir destaco. Obrigado a todos. Obrigado Rubi.

Diz o Rubi:

Enfim. Li. Liguei-me. Sou pessoa. Queremos quantidade para sentir forte a nossa vontade. Já nem sei o que vale a pena ser dito. Sei que é preciso comer, beber, vestir, ter computador com net, tecto e cama. Sei que é preciso ir para a rua. Sei também que só fabricando um mosteiro aberto à educação, à recriação e à investigação sob o lema de pobreza, caridade e alegria se conseguirá porventura fazer algo consistente em Faro. A cena artística existe nesta cidade e vê-se nas gerações mais velhas o quão desprezada é, formando corpos transeuntes ou corpos abutrivos. Esta cidade é um poço de ecos a tentarem escapar da espiral de vento enrolado. Impregnados por uma viscosa densa. Sufocados de tanta incompetência labiríntica sem rosto, sem sensibilidade, sem visão de um povo. Tacanho modo de vida. Escrevam carros e praias sujas na moda de salpicos presunçosos sem lonjura de pensamento.
Quem, do que tem sido sempre feito em faro, sabe dar seguimento físico? Aqui só se fala... não se apoia! Não se abre a porta e arrisca! Não se partilha do que é "seu" pois não se sabe ter maior ceu! Aqui tem-se medo que um comerciante tenha um sucesso maior do que o seu! Quando o sucesso de um ser maior é alimento para muitos seres maiores! Continuamos a reunirnos sim... mas longe daqui! e a nossa obra não precisa de ser esquecida pois a nossa obra já não existe! E o que ficar escrito será sempre pouco para dizer o que esta cidade foi. Não sei muito. Não tenho medo de fazer. Mas quem quer que eu faça? Todos querem. E o que como eu? Como como comia antes de saber como comer - não comendo! Morro então mais sossegado. Afinal não estava desligado como pessoa, apenas não existia comida em Faro! É fácil dizer que as pessoas estão desligadas quando não se assume a responsabilidade de nos alimentarmos uns aos outros! Vão-se queixando que eu já fui! Abraços e Boas investigações. Estou na brasileira a falar com o Fernando Pessoa! (Não levem a mal porque existo e estou errado)

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

detesto escrever... notas biográficas



Luís Nogueira, que assina o que escreve como Luís Ene, tinha 16 anos em 25 de Abril de 1974 e reside actualmente em Faro, onde passou grande parte da sua infância e a adolescência. Em 2002, foi vencedor da 1ª edição do concurso Novos Talentos com o romance A Justa Medida, publicado pela Porto Editora. No mesmo ano criou o blog Mil e Uma Pequenas Histórias, fazendo em simultâneo a sua entrada no mundo dos blogs e na arte da micro-narrativa. Desde então manteve vários blogs e publicou três livros: Blogs (em colaboração com Paulo Querido), Mil e uma pequenas histórias (Leiturascomnet, 2005) e Muchas vezes me sucede olvidar quien soy ( colecção Palavra Ibérica, 2006). Está representado na Antologia de Poesia Portuguesa Actual - Poema Poema (Aullido. Huelva, 2006), na antologia Contos de Algibeira (Porto Alegre, Casa Verde, 2007) e na Primeira Antologia de Micro-Ficção Portuguesa (Lisboa, êxodus, 2008). Foi fundador e co-editor da Minguante, revista de micro-narrativas on line. Manteve durante dois anos um programa semanal dedicado à literatura na Rádio Universitária do Algarve. Faz parte do projecto musical SomComTom.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

lit.algarve

A investigação sobre o estado da literatura toma um novo caminho com o conhecimento da próxima realização do primeiro Festival Internacional de Literatura do Algarve, o lit.algarve 2010, que decorrera entre 16 e 19 deste mês em diversos locais do Algarve, e que é dinamizado pela ALFA, Associação da Literatura e do Filme do Algarve.

Oscilo entre a satisfação (pela realização do Festival) e o espanto (ligeiro) de ser realizado por estrangeiros residentes em Portugal. Na verdade conheço no Algarve outras situações ligadas às artes plásticas.

Português que sou, apetece-me lamentar-me e intrigar, o que sem dúvida suscitaria que mais pessoas participassem nesta discussão, sobretudo se eu jogasse umas achas na fogueira, dizendo que, perante isto, quero é ser estrangeiro, ou que os portugueses gostam é de falar mal e fazer pouco, o que se estende sem dúvida ao meio literário.

Mas não vou fazer nada disso. Vou é congratular-me com o o Festival, participar e continuar a investigação. E viva a literatura.

Programa completo.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Agradecimentos

[o estado da literatura]


Além do mais que disseram,
o Tiago disse que as pessoas estão desligadas,
a Vânia sugeriu que o Ministério da Cultura, a biblioteca e a Universidade do Algarve fossem "investigados",
o Pedro afirmou que não há uma cena artística em Faro, e
o Valter referiu que só faltava uma coisa a esta discussão: pessoas...

Por tudo isto, lembrei-me de colocar o "questionário" que aqui surgiu na caixa de comentários dos blogs daqui - ali à direita ------------------>
e ficar à espera de respostas. Estou então à espera.

Agradecimentos aos referidos no início e aos donos dos blogs que "apanharam" com o questionário, que continua aberto a todos que quiserem respondê-lo.

Que escritores residem em Faro?
Que grupos de escritores ou de escrita ou de leitura existem em Faro?
Em que locais em Faro se reúnem os escritores?
Que editores e que edições literárias têm sede em Faro?
Que apoios existem em Faro para a literatura?
Quem divulga/apoia em Faro os escritores que aqui residem?

domingo, 29 de agosto de 2010

Achas que és escritor?

[lê o estado da literatura - responde ao questionário.]


Interessam-me mais as perguntas do que as respostas e evito respostas definitivas. É claro que às vezes é conveniente saber do que estamos a falar e criar, para esse efeito, alguns consensos.

Há alguns anos atrás, quando eu tinha mais dúvidas do que agora sobre esse assunto, um amigo interrogava-me constantemente sobre o que é ser escritor e quando eu avançava com algumas respostas (provisórias) ele abanava-as uma a uma, para meu desespero.

Ser escritor é um estado, uma maneira de ser, e não uma profissão (embora existam escritores que fazem da escrita profissão). Assim, não me parece que para se ser escritor se tenha de viver da escrita, ou sequer ganhar com a escrita. Da mesma forma, para se ser escritor não se tem de estar publicado, em livro ou revista.

Uma questão que me parece interessante – talvez das únicas - é a de saber se a publicação em blog de originais deve ou não ser considerada publicação para se dizer que um determinado escritor é ou não um escritor publicado. Não vejo muitos escritores que publicam em blogues fazerem essa referência no seu curriculum.

Escritor é aquele que se diz escritor e/ou é reconhecido como tal. Esclareça-se que os escritores (quase todos) ganham pouco dinheiro com as suas publicações, a grande maioria muito pouco ou nada e alguns até pagam para ser publicados.

Por isto (nesta investigação) falo apenas em escritores e nem os distingo, como poderia fazer (poetas, contistas, romancistas...). Prefiro deixar os termos abertos a fechá-los. Prefiro que os investigados avancem com as suas próprias definições.

--->

Escritor ô)
s. m.
1.Autor de obras literárias ou científicas (com relação ao estilo, à forma que emprega).
escritor público: literato de profissão.

--->

Curiosamente, não encontrei no Citador qualquer citação ou pensamento com o tema escritor, mas recomendo os pensamentos com o tema escrita.

Deixo aqui um:

Senta-te diante da folha de papel e escreve. Escrever o quê? Não perguntes. Os crentes têm as suas horas de orar, mesmo não estando inclinados para isso. Concentram-se, fazem um esforço de contensão beata e lá conseguem. Esperam a graça e às vezes ela vem. Escrever é orar sem um deus para a oração. Porque o poder da divindade não passa apenas pela crença e é aí apenas uma modalidade de a fazer existir. Ela existe para os que não crêem, como expressão do sagrado sem divindade que a preencha. Como é que outros escrevem em agnosticismo da sensibilidade? Decerto eles o fazem sendo crentes como os crentes pelo acto extremo de o manifestarem. Eles captarão assim o poder da transfiguração e do incognoscível na execução fria do acto em que isso deveria ser. Escreve e não perguntes. Escreve para te doeres disso, de não saberes. E já houve resposta bastante.

Vergílio Ferreira, in "Pensar"

sábado, 28 de agosto de 2010

As pessoas estão desligadas

[o estado da literatura]

Ao fim da tarde telefonei ao TN e perguntei-lhe se ainda tinha um livro para mim. Respondeu-me que sim e mostrou vontade em se encontrar comigo, de imediato, para meu espanto, e combinámos encontro daí a dez minutos, na esplanada do Maktostas, no largo de S: Pedro.

Cheguei primeiro, mas ele chegou pouco depois. Achei-o envelhecido, se tal é possível em alguém com vinte e oito anos de idade que não via apenas há alguns meses, no entanto ele próprio confirmou essa mesma impressão um pouco mais tarde, ao referir-se a um outro poeta, de 23 anos de idade, como um poeta ainda muito jovem.

Trocámos algumas banalidades, entregou-me o livro, trocámos mais algumas banalidades, mas como queria levar a minha investigação adiante, a certa altura atalhei caminho, coloquei o gravador em cima da mesa e perguntei-lhe se não se importava que lhe colocasse algumas questões. Pareceu-me desiludido e disse qualquer coisa como “eu sabia que tinhas algum interesse oculto”, o que inexplicavelmente me entristeceu e me fez hesitar. Mas liguei o gravador.

O tom da conversa mudou de imediato e passamos a ser entrevistador e entrevistado, o que se me tornou incómodo e me levou a desligar o gravador passados meia dúzia de minutos, quando a conversa resvalou. Mais à frente liguei-o de novo, mas com o mesmo resultado.

Do pouco que ficou gravado muito pouco se aproveita, como facilmente depreendi em audições posteriores, mas o pouco pode sempre ser muito e apontar caminhos, o que me parece o caso. E depois há o que não ficou gravado e que também vou aqui chamar. Seja como for, a investigação está em curso.

Um facto já meu conhecido mas que veio à conversa por causa do último livro de TN é que uma pequena localidade como Punta Umbria tem uma colecção de poesia já com treze livros e em que estão representados dois poetas residentes em Faro. De acrescentar O TN tinha ali estado poucos dias antes a participar num clube de leitura e estava bastante satisfeito com o resultado. Compare-se com Faro, em que nada acontece e em que esses dois poetas são ignorados por quem podia ( e devia?) publicá-los e promovê-los.

Em Faro, disse TN, as pessoas estão desligadas da literatura, não se interessam, e esta é sem dúvida uma ideia de força a desenvolver nas próximas entrevistas e contactos. Por outro lado, disse ainda, que há muito mais gente a escrever em Faro: “É muito engraçado. Havia um tempo, e não foi há muito tempo, em que eu conhecia toda a gente que escrevia em Faro, e agora há muitas pessoas em Faro que escrevem e que eu não conheço.”

Continuámos a conversar, disto e daquilo, e a entrevista pouco a pouco passou para segundo plano. TN falou de si e eu falei de mim, quando a minha intenção era ouvi-lo, mas foi isso que me apeteceu fazer.

“Aquilo que eu gosto mais na escrita”, disse TN, “é escrever”, e eu concordo com ele. “Por mim”, continuou, “não fazia apresentações, não aparecia, não dizia nada, só que as coisas são assim.”, e eu volto a concordar e a conversa flui, sem propósito. Quando lhe pergunto qual o lugar que a tradução ocupa actualmente na sua actividade literária, TN responde-me com uma frase lapidar e divertida que não acaba com a conversa mas quase acaba com a entrevista: “Cada vez mais traduzo menos.”

Rimos muito e esquecemos por instantes o estado (deplorável) da literatura em Faro.

Cruzeiro Seixas

 Ouvir.