terça-feira, 30 de junho de 2009

John Cage

INDETERMINACY

visto aqui

[Que vontade me deu de voltar a fazer algo assim!]


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segunda-feira, 29 de junho de 2009

domingo, 28 de junho de 2009

Notas à margem de um ensaio sobre o conto

[A arrumar papéis encontrei estas notas de que já não me lembrava.]



O conto tem por objectivo dizer a verdade, só por isso mente.

Escrevia como se lhe fosse ditado. Não sabia escrever de outra forma.

Nunca contava o mais importante, mas a verdade é que se não fosse muito importante nunca o tentaria contar.

[...]

sábado, 27 de junho de 2009

cargas & descargas

X.



Cansado de se ver ao espelho, X. partiu-o. O espelho devolveu-lhe a sua imagem em cada um dos seus fragmentos.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

a tocar

===>O Maquinista – música, voz e textos de João Branco Kyron
(1) O maquinista 3:09

===> Andreas Vollenweider – Caverna Magica
(1) Caverna Magica 3:53

===>O Maquinista – música, voz e textos de João Branco Kyron
(3) O silêncio é o paraíso 2:44

===> Broadcasting from home – the penguim cafe orchestra
(7) Music by numbers 4:41

===>José Peixoto - O que me diz o espelho de água
O que não se vê

===>O Maquinista – música, voz e textos de João Branco Kyron
(6) Polaroids 2:34

===> Broadcasting from home – the penguim cafe orchestra
(10) Hearth wind 4:12

===>Tarantino Experience – music from and inspired by his films – disco 1
(08) Pipeline – The Surf Coronados 2:12

===>O Maquinista – música, voz e textos de João Branco Kyron
(12) salve os que iluminam 3:36

===>Andreas Vollenweider – Caverna Magica
(6) Belladonna 5:21

===>Tarantino Experience – music from and inspired by his films – disco 1
(1) Bang Bang (My baby shot me down) – Nancy Sinatra 2.41

===>Big Science – Laurie Anderson
(9) It Tango 3:01

!===> Paris, Texas – Original Motion Picture Soundtrack – Music by Ry Cooder
(7) She’s leaving the Bank 5:56
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!===> a tocar
===> já ouvida

sexta 26

Hoje quebra-se o silêncio na Rua do Imaginário [ver barra] com a leitura de textos da segunda parte [Criaturas] de A Prisão do Ético de Paulo Rodrigues Ferreira. A música será tão variada quanto as Criaturas!

quinta-feira, 25 de junho de 2009

F.



F. queria tanto ser feliz que vivia em constante sofrimento. Até que um dia se cansou de sofrer e deixou de procurar felicidade.

M.



M. mandou matar a mulher mas depois arrependeu-se, e matou-a ele mesmo.

L.



L. adorava ler, mas tudo o que lia já tinha sido escrito, e isso aborrecia-o cada vez mais. Nunca deixou de ler, mas um dia começou a escrever.

bis





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quarta-feira, 24 de junho de 2009

E.



Aos 20 anos E. apaixonou-se pela primeira vez, mas não foi correspondido. Depois disso não só se esqueceu dela por completo como nunca mais se interessou por mulher alguma. No entanto, até à sua morte, com 81 anos, nunca deixou de acreditar no amor.

oh pá, vai ao med



Festival Med

terça-feira, 23 de junho de 2009

simples jogos de palavras



Nunca se é completamente feliz
Nem se é completamente infeliz
Há sempre um claro limite
Entre o tudo e o nada
Entre o muito e o pouco
Somos felizes na nossa infelicidade
Somos infelizes na nossa felicidade

Junho de 2009

Por um momento sentiu-se feliz, completamente feliz, e depois disso nunca mais se sentiu completamente infeliz.

Maio de 2006

segunda-feira, 22 de junho de 2009



Para explicar qualquer coisa é preciso, não só acreditar na sua existência, mas também na possibilidade de a explicar.
visto aqui



mais aqui

domingo, 21 de junho de 2009

asas



não há nada mais além
as pessoas são apenas corpos
pensam planeiam apaixonam-se
mentem sangram morrem
e interrogam-se porquê

sexta-feira, 19 de junho de 2009

escrever



Um homem sem coração tentou escrever um romance, a partir de uma história que um homem sem cabeça lhe contara sobre um homem sem pernas e um homem sem braços, mas não conseguiu passar da primeira página. É muito difícil começar a escrever e ir por aí adiante.

rua do imaginário de 19 de Junho de 2009

Na Rua do Imaginário de hoje não estarei à conversa com quer que seja nem lerei quaisquer textos. Com excepção do início e do fim do programa, em que me farei ouvir, estarei em silêncio. Mas como o silêncio é feito de sons e de palavras, o programa será feito de música, privilegiando-se no entanto as palavras, sussurradas, ditas, e até cantadas. A seu tempo assinalarei, de entre a lista abaixo, o que se for ouvindo.

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===>Paris, Texas – original motion Picture soundtrack – music by Ry Cooder-1- Paris, Texas 2:56

===>John Lee Hooker – Anthology 50 Years - CD 1
– 14 – Teachin’ the blues 3:28

===>Assouf – Baly Othmani – Steve Shelan
-1- Eilan Akabar Warigazaz 7:58

===>Tom Waits – Swordfishtrombones
-8- Another Sucker on the vine 1:46
-9- Frank’s wild years 1:53

===>Paris, Texas – original motion Picture soundtrack – music by Ry Cooder
-9– I Knew These People 8:33

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===>Woody Allen – P. Nora & J P Cotrim – Banda Desenhada + 2 CD
-9- I’m Getting Sentimental Over You 3’36

===>Courage with Robert Creeley – The Way Out Is Via The Door
-1- Sincerely Y’alls 8:17

===>Ambiances do Sahara – Desert Blues – Disco 2
Ali Farka Touré – Roucky 8:14

===>DJango Reinhardt - Guitar Swing
-12- Nuages 3:17

===>Laurie Anderson - Big Science
-5-Born, never asked 4:56

===>Chet Baker Sings
-12- The thrill is gone 2:50

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a tocar !===>
já ouvida ===>

quinta-feira, 18 de junho de 2009

confesso!



Não tenho muito boa opinião sobre as mulheres, confesso! Mas, verdade seja dita, também não tenho melhor opinião sobre os homens.

tás a ver?



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quarta-feira, 17 de junho de 2009

dúvida




Os corpos dos amantes procuram em vão. Nunca, por mais que tentem, serão como o rio e as suas margens. Estamos sós, tão sós, e o amor é sempre um regresso ao ponto de partida. Só podemos encontrar o que já existe há muito dentro de nós.

terça-feira, 16 de junho de 2009

estacionário

MINGUANTE


imagem daqui

OPRAH'S BOOK CLUB



Já conhecia o clube, mas fiquei admirado com a importância que lhe foi dada por uma conferencista que o referiu como garante de sucesso literário (pelo menos nos EUA): aparecer no clube fará com que seja lido nos próximos vinte anos.

E tem um guia de leitura para cada livro. Espreitei por ora o de A Estrada e gostei.

domingo, 14 de junho de 2009

verdade



Não foi a primeira vez que me confrontei com duas traduções, em língua portuguesa, da mesma obra, e julguei estar perante dois livros diferentes. Até o título é diferente! E quando espreitei o original (ou neste caso uma versão inglesa do original) então as diferenças ainda mais se acentuaram.

Mais uma vez senti o desejo de ler um autor apenas na sua língua de origem, mas sei que a preguiça, como sempre tem acontecido, me vai vencer, ainda que consiga ler sofrivelmente em três línguas, além da portuguesa. E acresce que em regra se encontram livros mais baratos em edições perfeitamente aceitáveis, sobretudo dos clássicos. No entanto, prefiro ler em português, é verdade (talvez porque é em português que escrevo), mas vou tentar de novo ler alguns livros que tenho por aqui na sua língua original. Farei mais uma tentativa. Está prometido!

Mas deixem-me dizer que o que mais uma vez me surpreendeu nem foi tanto as várias formas que um livro pode tomar quando traduzido (o que só por si me surpreende bastante), mas sobretudo como um livro consegue sobreviver a esses atropelos sem perder o seu fôlego e a sua verdade.

Tolstoi disse uma vez que a única coisa necessária, na vida e na arte, é dizer a verdade, e talvez seja essa verdade que se mantém sempre intocável, a mesma verdade que as palavras não impedem de ser dita, ainda que umas vezes digamos mais do que queremos e outras vezes digamos menos, muito menos; mas com sorte, mesmo quando dizemos menos, ainda assim diremos mais. Disse ainda Tolstoi (e parece-me que vem a propósito referi-lo) que sempre se controlou quando começou a escrever com a cabeça, e tentou sempre escrever apenas com o coração.

E fugindo ainda mais ao tema que no início parecia ser o deste pequeno apontamento, recordo-me de um jovem autor na apresentação do seu livro, há poucos dias, falando da sua arte, e como o que ele disse me pareceu verdade, mas também lugar-comum, pelo menos para aqueles que escrevem (e deixem-me assim fechar este apontamento indo afinal direito ao tema inicial, o que só agora percebi que podia fazer), repito, para aqueles que escrevem com verdade.



imagem daqui


Levar-te à boca,
beber a água
mais funda do teu ser -

se a luz é tanta,
como se pode morrer?

Eugénio Andrade

sábado, 13 de junho de 2009

sonata a kreutzer



According to Tolstoy's wife Sonia, the idea for The Kreutzer Sonata (1890) was given to Tolstoy by the actor V.N. Andreev-Burlak during his visit at Yasnaya Polyana in June 1887. In the spring of 1888 an amateur performance of Beethoven's Kreutzer Sonata took place in Tolstoy's home and it made the author return to an idea he had had in the 1860s. The Kreutzer Sonata is written in the form of a frame-story and set on a train. The conversations among the passengers develop into a discussion of the institution of marriage. Pozdnyshev, the chief character, tells of his youth and his first visits to brothels, and his subsequent remorse and self-disgust. He decides to get married and after a brief engagement, he and his wife spend a disastrous honeymoon in Paris. Back at Russia the marriage develops into mutual hatred. Pozdnyshev believes that his wife is having an affair with a musician and he tries to strangle her, and then stabs her to death with a dagger. He accuses society and women who inflame, with the aid of dressmakers and cosmeticians, men's animal instincts. - After writing the novel Tolstoy was accused of preaching immorality. The Chief Procurator of the Holy Synod wrote to the tsar, and this marked the beginning of the process that led ultimately to Tolstoy's excommunication. Tolstoy was forced to write in 1890 a postscript in which he attempted to explain his unorthodox views.

em inglês --->

terceira pessoa



estou ao teu lado
estás ao meu lado
estamos lado a lado
eu, eu, sempre eu
e só quando digo

estão lado a lado

me afasto de mim
um pouco, muito pouco
e me aproximo
um pouco, muito pouco
do todo que somos

quinta-feira, 11 de junho de 2009

[dia 12 de Junho - Rua do Imaginário]



Sandro William Junqueira

Nasce em 1974 em Umtali na Rodésia. Em 1976 volta para Portugal. Em 1986 foi viver para Portimão. Em 1998 começa a trabalhar como designer. Em 1999, juntamente com Paulo Quaresma, funda o grupo de teatro A GAVETA. Desde aí, trabalha como responsável artístico, encenador e actor. A partir de 2002, publica com regularidade poesia e contos em revistas e fanzines. É regularmente convidado para dizer poesia em recitais. Em 2007 inicia um trabalho regular em escolas e bibliotecas com a criação e interpretação de diversos ateliers e espectáculos vocacionados para a promoção do livro e da leitura. Em 2009 publica o seu primeiro romance, O Caderno do Algoz.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

perdidos e achados



Pergunto-me mais uma vez por que escrevo, e mais uma vez respondo da mesma forma: Mas o que é que isso interessa? Escrever é resposta mais do que suficiente. No entanto, a razão porque escrevo não deve ser muito diferente da razão porque leio: para viver mais. E o que escrevo e o que leio aproximam-se cada vez mais, pelo menos se tiver em consideração o que gosto de ler e de escrever, o que procuro ler e escrever - como se ler e escrever fossem para mim cada vez mais o mesmo território em que me movo. Sinto que não me estou a explicar bem, mas talvez possa dizer que o que escrevo (ou procuro escrever) determina cada vez mais o que leio (ou procuro ler) e o contrário será igualmente verdadeiro. Neste contexto gostaria de falar do que tenho lido, mais do que tenho escrito, de uma forma que me cativa cada vez mais, misturando e confundindo sujeito e objecto, realidade e ficção.

Acontece-me muitas vezes procurar um livro e encontrar outro, o que também me acontece quando escrevo, ainda que por razões diferentes, porque o livro que escrevo nunca é aquele que queria escrever. E se não escrevemos os livros que queremos, mas os livros que somos capazes de escrever,como dizia Borges, já quanto aos livros que lemos, a dificuldade é muitas vezes não só encontrá-los, mas encontrá-los no momento certo, no momento em que estamos mais preparados para os ler; se ler é lermo-nos, escrever é também escrevermo-nos, e para ambas as acções existe sem dúvida o momento certo, o momento em que o texto e o seu leitor/escritor se encontram mais próximos. Mas sinto que estou novamente a ser pouco claro, o que sempre me acontece quando escrevo, ainda que escreva (ou tente escrever) com o propósito oposto.

A dificuldade em encontrar um livro para ler, excluída aquela que consiste em saber que esse livro existe (situação que poderá até levar a querer escrever um livro que já foi escrito), é para mim a de esse livro se encontrar ou não na biblioteca local, ou de estar disponível ou não nas livrarias que frequento (raramente encomendo pela Internet) e, o que não é menos importante, apresentar-se a um preço acessível. O preço acessível é importante e tem feito a diferença, e neste aspecto é preciso dizer que os livros em Portugal são habitualmente demasiado caros, não existindo normalmente opções para o mesmo livro entre uma edição de luxo e outra mais barata. Da mesma forma os ditos clássicos raramente se oferecem em versões económicas. Como exemplo, encontrei no outro dia um livro de um jovem jornalista e escritor italiano contemporâneo, na sua língua de origem, por menos de metade do preço da edição portuguesa. Como preferia ler em português não comprei. Por outro lado, tive bastante dificuldade em encontrar (sem recorrer a encomendar o livro) o Moby Dick, de Herman Mellville, e comprei-o muito mais caro do que gostaria. Teria muito mais para dizer, mas só quero sublinhar a ideia de que raramente encontro os livros que procuro e que normalmente os encontro quando não os procuro, e é fácil de perceber que a segunda situação me agrada mais do que a primeira.

Desta vez aconteceu-me não tanto com um livro mas com um autor: Hunter S. Thompson. Procurava livros de Leo Tolstoi a um preço económico, para um clube de leitura a dois, mas não encontrei nem um e, ao procurar na letra T dei de caras com um livro de Hunter S. Thompson, autor que não sabia publicado em português e que queria ler. Na verdade, existem dois livros publicados em português, mas na livraria em que procurei só tinham um, e como o preço me pareceu bastante acessível, ainda mais se consideramos a relação preço qualidade (quanto ao livro objecto), comprei-o sem hesitações, porque há muito que me interesso pelo que é habitualmente designado por jornalismo literário ou literatura de não ficção, sem dúvida porque a relação entre quem escreve e o que escreve e entre a realidade e a ficção me parece das mais fecundas e das mais misteriosas. Tenho quase a certeza que sou o que escrevo e escrevo o que sou, e isto quer eu escreva ficção ou quer eu escreva não ficção, como neste texto que aqui acaba (ou que aqui começa).

PS. Tentem fazer uma busca na Internet a procurar livros deste autor editados em Portugal e verão a dificuldade em encontrá-los, mesmo no site da editora que os publicou.



site dos hell's angels

pps. o livro custou-me 7.50 Euros

sábado, 6 de junho de 2009



Então, eu não sabia o nome das árvores mas, então como agora, a cidade enchia-se de lilás. Curiosamente, as árvores de hoje parecem-me mais e mais intensas as suas flores. No entanto, são as mesmas de então, tal como a mesma é a cor das suas flores.


daqui




- Old man, how is it that you hear these things?
- Young man, how is it that you do not?"

congelamento literário

das razões


sexta-feira, 5 de junho de 2009

por um abstencionismo criativo



colagem

[daqui]



podemos resistir e podemos viver sem esperança:
continuaremos sempre vivendo até que a morte nos una:
há coisas que só nos dão prazer porque estamos a morrer!

quinta-feira, 4 de junho de 2009

a ler...



... com bastante interesse.

uma apreciação aqui

quarta-feira, 3 de junho de 2009

próxima sexta-feira, dia 5 de Junho, na Rua do Imaginário



Vera Gonçalves

Nasce em Lisboa, em 1955. Filha de mãe pintora e pai arquitecto cresce num ambiente artístico. Após a frequência da ESBAL e do Arco, vai trabalhar para lagos, sob orientação do escultor João Cutileiro. Em 1979 fixa-se definitivamente no concelho de Lagos, onde ainda hoje vive. Em 1994 abre a loja/galeria Terra à vista, na Marina de Lagos. É sua a obra conhecida em Lagos pela “escultura das cadeiras”, monumento celebrativo da revolução de Abril.

[dia 12 de Junho]

Sandro William Junqueira

Nasce em 1974 em Umtali na Rodésia. Em 1976 volta para Portugal. Em 1986 foi viver para Portimão. Em 1998 começa a trabalhar como designer. Em 1999, juntamente com Paulo Quaresma, funda o grupo de teatro A GAVETA. Desde aí, trabalha como responsável artístico, encenador e actor. A partir de 2002, publica com regularidade poesia e contos em revistas e fanzines. É regularmente convidado para dizer poesia em recitais. Em 2007 inicia um trabalho regular em escolas e bibliotecas com a criação e interpretação de diversos ateliers e espectáculos vocacionados para a promoção do livro e da leitura. Em 2009 publica o seu primeiro romance, O Caderno do Algoz.


mais aqui

terça-feira, 2 de junho de 2009

princípios



O princípio é onde começo e onde acabo é o fim.

O meio? Pois é, quase me esquecia do meio.

Em princípio, o meio justifica o fim!