domingo, 14 de junho de 2009

verdade



Não foi a primeira vez que me confrontei com duas traduções, em língua portuguesa, da mesma obra, e julguei estar perante dois livros diferentes. Até o título é diferente! E quando espreitei o original (ou neste caso uma versão inglesa do original) então as diferenças ainda mais se acentuaram.

Mais uma vez senti o desejo de ler um autor apenas na sua língua de origem, mas sei que a preguiça, como sempre tem acontecido, me vai vencer, ainda que consiga ler sofrivelmente em três línguas, além da portuguesa. E acresce que em regra se encontram livros mais baratos em edições perfeitamente aceitáveis, sobretudo dos clássicos. No entanto, prefiro ler em português, é verdade (talvez porque é em português que escrevo), mas vou tentar de novo ler alguns livros que tenho por aqui na sua língua original. Farei mais uma tentativa. Está prometido!

Mas deixem-me dizer que o que mais uma vez me surpreendeu nem foi tanto as várias formas que um livro pode tomar quando traduzido (o que só por si me surpreende bastante), mas sobretudo como um livro consegue sobreviver a esses atropelos sem perder o seu fôlego e a sua verdade.

Tolstoi disse uma vez que a única coisa necessária, na vida e na arte, é dizer a verdade, e talvez seja essa verdade que se mantém sempre intocável, a mesma verdade que as palavras não impedem de ser dita, ainda que umas vezes digamos mais do que queremos e outras vezes digamos menos, muito menos; mas com sorte, mesmo quando dizemos menos, ainda assim diremos mais. Disse ainda Tolstoi (e parece-me que vem a propósito referi-lo) que sempre se controlou quando começou a escrever com a cabeça, e tentou sempre escrever apenas com o coração.

E fugindo ainda mais ao tema que no início parecia ser o deste pequeno apontamento, recordo-me de um jovem autor na apresentação do seu livro, há poucos dias, falando da sua arte, e como o que ele disse me pareceu verdade, mas também lugar-comum, pelo menos para aqueles que escrevem (e deixem-me assim fechar este apontamento indo afinal direito ao tema inicial, o que só agora percebi que podia fazer), repito, para aqueles que escrevem com verdade.



imagem daqui

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