terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Renove a sua cultura, Leia Mais Maias



A propósito desta campanha já muito se disse, pelo que me limito a lembrar que levanta questões muito interessantes. Reacções e consequências mereceriam análise cuidada.
Pela minha parte fiquei às voltas com o jogo de palavras implícito e as suas possibilidades publicitárias e culturais, mas não me saiu grande coisa.
Quanto aos Maias pensei em Mais Maias e talvez uma campanha para a Leya, que podia ser Leya Mais Maias. Os termos da campanha ficam em aberto.
Quanto à frase de fundo, A Cultura Renova-se, na lógica do jogo de palavras, mais ou menos trocadilho, julgo que a Renova é que poderia usar essa frase, fazendo imprimir obras literárias nos rolos de papel higiénico. Para além de então fazer completo sentido a frase  A Cultura Renova-se, também poderiam utilizar a frase Renove a sua Cultura.
E já que penso nisso, até podiam unir esforços e lançarem uma campanha comum:
Renove a sua Cultura, Leya Mais Maias.



sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

AINDA OUTRO POEMA



caíste

na direcção

do centro do

mistério



voluntária

involuntária

mente



numa procura

que sempre

procuraste

até ao fim e



afinal

deixa-me

que te diga

sem mais



só isso importa

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Foda-se, foda-se, foda-se!

Foda-se! Também eu também sempre estranhei o Rui.
Foda-se! Como é que lhe era possível ser tão " fodidamente" corajoso?
Foda-se! Como é que lhe era possível ser tão boa pessoa e amar tanto a literatura?

Obrigado, Henrique! Obrigado Rui!

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

MOTO CONTÍNUO



avançando

e recuando

sobre si mesmo



no silêncio

tumultuoso

do ser



o poema

tal como o homem

faz-se a si mesmo



incerta certeza

que se constrói

destruindo-se



quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

ESTE POEMA É PARA TI



 Hoje, ao fim da tarde
ao fim do dia
a  morte sentou-se ao meu lado
[inesperadamente]
 tocou-me de leve a mão direita
com a sua mão esquerda
sorriu-me
sorriu-me
e sorriu-me
e eu quase morri de susto
e eu quase morri de medo
a sua mão era cálida
o seu toque era intenso
o seu sorriso prometia mundos e 
mundos e
por breves instantes  
eu odiei-a 
[intensamente]
tão intensamente
quanto a desejei.

...

PORRA PORRA PORRA


Rui Costa (1972 -2012)



quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

literatura breve para Passos Coelho



Seis textos breves em tempos de austeridade



*
Seduzido pelos apelos do governo, um homem abraçou a austeridade e deu por si de mãos vazias. Não fosse um homem austero e talvez se tivesse rido de si mesmo.
*
Era um homem extremamente austero que se ria por tudo e por nada. Rir era para ele o supremo sacrifício.
*
Defendia a austeridade mas não era um homem austero, na verdade a austeridade até o fazia rir, desde que não fosse ele a suportá-la.
*
Foi um homem austero. Um dos princípios que seguiu sempre rigorosamente foi o de nunca praticar a austeridade.
*
Levou sempre a austeridade muito a sério, até que chegou o dia em que finalmente morreu. [E não foi de tanto rir.]

...

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Dor insuportável

Noite adentro
caminhas sem
cessar

o poema
escrevendo-se
na carne ferida

ferida aberta
ferida intensa

dor insuportável
que a si mesma
se devora

dor insuportável
que te faz mal

dor insuportável
que te faz bem

dor insuportável
que te diz que vais
morrer

dor insuportável
que te diz que estás
vivo

sábado, 7 de janeiro de 2012

poema reconstruído


aqui
onde as palavras
ainda me chegam
sento-me e
escrevo
me

abro-me em poesia
fecho-me em prosa

quase em silêncio escrevo
este poema que apenas diz
o que não consigo
[dizer]

...

DIZER

...
quase em silêncio escrevo
este poema que apenas
diz o que não consigo
...


quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

QUASE FELIZ

...
sento-me e escrevo-me.
abro-me em poesia.
fecho-me em prosa.
...