quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

literatura breve para Passos Coelho



Seis textos breves em tempos de austeridade



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Seduzido pelos apelos do governo, um homem abraçou a austeridade e deu por si de mãos vazias. Não fosse um homem austero e talvez se tivesse rido de si mesmo.
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Era um homem extremamente austero que se ria por tudo e por nada. Rir era para ele o supremo sacrifício.
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Defendia a austeridade mas não era um homem austero, na verdade a austeridade até o fazia rir, desde que não fosse ele a suportá-la.
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Foi um homem austero. Um dos princípios que seguiu sempre rigorosamente foi o de nunca praticar a austeridade.
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Levou sempre a austeridade muito a sério, até que chegou o dia em que finalmente morreu. [E não foi de tanto rir.]

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