quinta-feira, 29 de setembro de 2016

CAFÉ ALIANÇA

[crónica publicada hoje no jornal Barlavento]




O ALIANÇA ESTÁ MORTO! LONGA VIDA AO ALIANÇA!

Estou no Aliança e a porta giratória está a funcionar, o que nunca acontecia no Verão, se a memória não me falha. O salão continua espaçoso, os painéis de madeira continuam a ostentar fotografias de um Algarve a preto e branco, os tectos continuam altos e com estuques perfeitos e eu continuo a sentir-me bem aqui.
Claro que há diferenças, mas elas não me interessam agora. Estou no Aliança, repito, são 14:45 de um Domingo de Verão e tenho o Aliança quase só para mim. Escrevo à mão um rascunho desta crónica, sobre o tampo de mármore da minha memória e sinto-me bem neste café que, não sendo o mesmo que foi, é um café (ainda que insistam em chamar-lhe cervejaria) como já quase não existe, como dizemos às vezes dos homens e das mulheres a que reconhecemos valor (e às vezes exactamente o contrário). Já não existem homens como tu, dizem-me às vezes, e eu fico a pensar se é um elogio ou exactamente o contrário. No entanto, mudam-se os tempos e com os tempos mudam-se (ou morrem) as tradições e os lugares. Sempre foi assim e sempre assim será. Não tenho nada contra, no geral, e muito menos no caso do Aliança.
O Aliança que eu conheci está morto, já não existe, a não ser na minha memória. Levanto-me e vou à casa de banho, que já não é onde era, e sinto a falta do corredor à esquerda que já não existe e levava ao quiosque, ao corredor onde se jogava xadrez e, recordo-me ainda, à sala dos bilhares. E, no entanto, o Aliança está vivo, está mudado mas está vivo, se para melhor ou pior, sinceramente não sei, acho que depende do ponto de vista e acho que erra quem tomar partido, assim, sem mais nem menos, preto no branco. Confesso que se fosse a minha primeira vez no Aliança, este local me agradaria sem sombra de dúvida, mas tenho memórias do Aliança e tinha (e tenho) expectativas sobre este local e elas influenciam necessariamente a minha opinião.
Logo à partida, pela carga histórica que o café carrega, gostava de ver de alguma forma acentuada essa característica com, por exemplo, um folheto que descrevesse o passado do local ou um conjunto de livros e outros materiais disponíveis que o documentassem (podiam passar no ecrã existente utilizado para televisão) preservando/documentando esse mesmo passado. Dada a carga cultural do mesmo também me pareceria bem a existência no lugar de lançamentos de livros, recitais, espectáculos, mas este é apenas um ponto de vista, o meu ponto de vista, fruto do meu passado, do meu relacionamento com o lugar e da minha visão de um futuro presente.
Numa entrevista publicada antes da reabertura do Aliança o responsável por este espaço, Mário Nogueira, afirmava, parecendo concordar comigo que, entre outras coisas, “Queremos que volte a ser um espaço popular com um bom peso na área da divulgação da poesia, música, jazz, música popular, (no próximo ano quero charolas no Aliança). Como dizemos no slogan,  que já começámos a divulgar, queremos que seja o Coração de Faro.”
Nestas crónicas pretendo apenas levantar questões, expor mais dúvidas do que certezas. Não pretendo ter razão, disso estou certo, pelo menos aquela razão que exclui todas as outras razões.
O Aliança está morto! Longa vida ao Aliança!


Ah, já me esquecia, a cerveja é boa e pode pedir-se um traçado de cerveja branca e preta.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

A SUL


AQUI ESTOU EU (A SUL) A COMER PEIXE GRELHADO

 


Procuro a rude serenidade que me permita viver o tumulto do ser. Procuro as raízes ensombradas que perseguem sem descanso o negrume da luz. Procuro um centro a partir do qual possa desenhar um círculo mais que perfeito. Procuro o silêncio necessário para despertar as palavras que dormem no branco da folha. Procuro a distância necessária  para me aproximar de mim próprio e do mundo.

Tavira, 28 de Junho de 2016

 

 

Aqui estou eu (a sul) a comer peixe grelhado, dizia a legenda, e a fotografia mostrava um homem de meia idade (com mais de sessenta anos), magro e com fartas barbas grisalhas, de óculos escuros, tronco nu, calções e chinelas. Seria um poeta? Um filósofo?

Estava num pátio e à sua direita, atrás dele, avistava-se um grelhador. Não me lembro de muito mais, a frase intrigou-me mais do que a fotografia, se assim o posso dizer, nem sei bem porquê.

Aqui estou eu a comer peixe grelhado, uma frase banal, mas a que a menção “a sul”, entre parênteses, me pareceu conferir-lhe um indefinível mistério. Depois, claro, há a fotografia, que reflete e/ou aumenta o mistério. O homem, vou chamá-lo Virgílio (não me perguntem porquê), não está a comer peixe grelhado nem se vê qualquer peixe à vista. Vê-se o grelhador, é verdade, mas até parece apagado. E Virgílio está só. Aqui estou eu, diz ele, como se estivesse admirado de estar ali (a sul). Estará reformado e procurou o sul, ou estará apenas de férias? E onde será aqui? Talvez o melhor seja perguntar-lhe.

“Virgílio, onde é aqui?”, pergunto, e Virgílio olha-me em silêncio, como a avaliar se vale a pena responder-me. Insisto. “Virgílio, onde é aqui?”, mas ele parece desinteressado e volta-se para o grelhador atrás dele.

Aqui é sempre onde um homem está, ouço, mas sou eu que o penso, e não Virgílio, ainda que acredite que ele o poderia dizer, ou até escrevê-lo.

Aqui é sempre

onde se está,

aqui e agora,

diz Virgílio, enquanto observa o grelhador. Diz e repete, que não lhe apetece agora sair de onde está, e não tem consigo nada com que escreva, que papel até arranjava, bastava procurar na carteira que está no bolso esquerdo das calças, o da frente, claro. Talvez seja o princípio de um poema ou, quem sabe, de uma pequena história. Aqui é sempre onde se está, repete, aqui e agora, e acrescenta, mas ele não estava ali e muito menos agora. Volta a olhar para o grelhador. Está quase, diz e repete, está quase.

Ele está ali e vejo-o cada vez melhor. Mas onde é o ali que Virgílio chama aqui? A sul, afirmava ele, e eu digo-o no Algarve, não sei bem onde, talvez em Tavira, nem sei bem porquê. Olho-o  mais vez, olhos nos olhos, tentando lembrar-me do que nele me intrigou.

“Estás a enganar-te”, ouço. É Virgílio que fala comigo.

“Conheces a pessoa da fotografia e estás a introduzir em mim, que sou uma personagem de ficção, alguns traços e circunstâncias dessa pessoa real.”

Hesito em responder, mas ele continua a olhar-me à espera de uma resposta, digo-lhe que a ficção é mesmo assim, mistura-se realidade e imaginação, para dar força à mentira, para dar força à verdade; é assim mesmo que se faz. Ele parece ir responder, mas volta-me as costas e vai ver o lume. Está quase diz, está quase, e volta a olhar-me, para minha surpresa.

“Mas eu não sou essa pessoa que tu conheces, disso tenho a certeza e, embora nada saiba dele, sei de mim, e muito do que avançaste não sou eu nem são as minhas circunstâncias.”

Espero que continue, mas ele cala-se, e só passado algum tempo acrescenta, com um tom entre o pedido e a ordem, “O que quiseres saber, pergunta-me”.

“Já te tinha perguntado. Não me respondeste.”

“Queres saber onde é aqui? Era essa a tua pergunta?”

Assenti com um breve aceno de cabeça e esperei em vão por uma resposta que tardou a chegar.

“Não te vou dizer onde é aqui, isso é pouco importante e tu sabes que é no Algarve. Deixo à tua escolha o lugar exato, assim como outras considerações que só a ti competem, mas deixa-me que te diga que não sou escritor como tu, e atribuíres-me a criação de textos que são teus parece-me incorreto.

“Virgílio, é esse o teu nome, não é? Ou será que me enganei?”, perguntei-lhe com arrogância.

“É sim. Esse é o meu nome”, respondeu com alguma rispidez.

“Se não te importas vou retomar a minha narrativa. Sei muito bem que terás sempre a última palavra, mas cada coisa a seu tempo, se não te importas”

 

*

 

A fotografia é só um ponto de partida. E talvez mais do que a fotografia, a legenda seja ela mesma um  ponto de partida e um trampolim. Decido retomar a frase inicial e com ela dar inicio a um novo parágrafo e também um novo rumo a esta narrativa.

Aqui estou eu (a sul) a comer peixe grelhado, isto pensou Virgílio, ou talvez o tenha mesmo  dito em voz alta. O que quereria ele dizer? Que estar a sul é comer peixe grelhado? Peixe fresco, peixe que ele próprio pescou? Estar a  sul é ser livre, por oposição a uma outra vida. Será isso? Estou a sul e como peixe grelhado, que  é assim o mesmo que dizer estou no sul e sou livre, olhem para mim a experimentar a liberdade.

No dia anterior foi com um amigo de longa data à pesca, à noite, e divertiu-se bastante, tanto mais que foi ele que apanhou o peixe maior, o mesmo que vai agora comer com o amigo, este que lhe está agora a tirar-lhe a fotografia, um ar sério, o olhar em frente, as brasas a esperarem o ponto certo no grelhador. Queria tirar uma fotografia com o peixe mas o amigo recusou-se, a rir, chamou-lhe arrogante, convencido e lisboeta.

“Já escalei o peixe, agora é que a fotografia está fora de questão. Isso de tirar fotos com o peixe que se apanhou é coisa de americanos e de rabetas.”

Estão a beber cerveja e já lhes perderam a conta, mas o amigo teve o cuidado de esconder as garrafas para que não aparecessem na fotografia.

“É preciso manter uma imagem, isto de ser livre tem as suas responsabilidades”

O amigo não nasceu a sul, mas o seu pai e o seu avô sim, e pertence a uma longa e corajosa linhagem de pescadores e de bêbados. O Algarve não é só mar, mas quando Virgílio pensa em sul, pensa no mar, pensa no azul banhado de luz.

“Estar a sul não é comer peixe grelhado, mas comer peixe grelhado que nós mesmos pescámos. Assim é que é devia ser.”

“Tens razão, Virgílio, meu grande cabrão, mas quem é livre não precisa de se afirmar livre e muito menos precisa de tirar e mostrar nas redes sociais a sua liberdade.”

“Já que sou cabrão, ao menos que seja grande.”

Virgílio ri, está feliz, está no sul e sente-se livre. Apanhou o seu próprio peixe, tem o amigo de longa data consigo. Vão grelhar o peixe, comer e beber até fartar.

 

*

 

“Aqui estou eu (a sul) a comer peixe grelhado. E o importante é estar a sul, o sul como espaço de liberdade, o sul como estado de felicidade bruta, felicidade que não só inclui a melancolia mas até a suporta. Por isso escrevi sul entre parênteses, se é que me faço entender.”

Virgílio olha para mim com um sorriso aberto, uma cerveja em cada mão. Estende-me uma e eu aceito. Bebo pela garrafa uma longo gole gelado.

“Já acabaste de escrever?”

“Nunca se acaba de escrever, tu sabes que é assim. Só se acaba de escrever quando se morre. Ou será o contrário?”

Batem as garrafas uma na outra e bebem as cervejas até ao fundo.

Está quase, está quase.

 

sábado, 24 de setembro de 2016

GURU DE ALGIBEIRA


VII

 

Não te distraias, nunca te distraias, a vida pede constante atenção, a vida exige plena concentração. Nunca te esqueças que, aconteça o que acontecer, só tu podes dar sentido à vida.

 

VIII

 

Ri de ti próprio. Ri sempre de ti próprio. Ri de ti próprio mesmo quando te ris dos outros. Se tudo te corre mal, é porque ainda estás vivo. Aproveita e vive o melhor que podes. Viver o melhor que podes é levar a vida a sério. Rir de nós próprios é sempre levarmo-nos muito a sério.

 

IX

 

É tão fácil compreender quanto é difícil compreender. Não percebes porquê? Talvez porque não seja do domínio da compreensão, mas do domínio da fé. E a verdade é que tu preferes duvidar a acreditar, ainda que, em ti, tal não seja mais do que acreditar na ilimitada superioridade da dúvida.

Pois eu duvido, sobretudo, da própria capacidade de duvidar, e essa é talvez a minha maior certeza. Duvido muito, é verdade, mas acredito ainda mais, muito, muito mais.

 

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

terça-feira, 20 de setembro de 2016

9 ANOS DEPOIS

 
a
 
 
Nove anos depois, já esquecera há muito a mulher que em tempos amara, mas ainda sonhava todos os dias com o homem que fugira com ela.
 
a
 
Nove anos depois, ainda se lembrava dela como se a tivesse visto no dia anterior. Fazia nove anos que a matara.
 
a
 
            Nove anos depois ainda a visitava todos os dias no cemitério. Chegava e murmurava: ainda não me arrependi de ter morto. Depois ia-se embora.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

O GURU DE ALGIBEIRA

IV

Pratica com tenacidade a indiferença, procura sempre manter-te indiferente, ainda que assim não te sintas. Edifica a indiferença como quem escreve um poema, como quem ergue um muro, com muito cuidado, com redobrado cuidado. Muro que te protege, muro que guardará em ti, intacta, toda a tua paixão.

V

Quer tudo queira da vida, quer nada queira da vida, só há uma coisa que verdadeiramente preciso. Ia escrever “paixão”, ainda escrevi “paixão”; mas o que eu sinto, o que eu quero mesmo dizer, é que tudo o que eu preciso é estar vivo.

VI

Inspiras e expiras, tomas e devolves, é isso que fazes: respiras. Tomas e devolves à vida; tomas, transformas e devolves à vida. E nesse processo transformas-te também; inspiras-te e expiras-te: respiras. É assim a tua vida, é assim que tu és.


sexta-feira, 16 de setembro de 2016

O GURU DE ALGIBEIRA

I

Não há princípio nem há fim, existem só princípios e fins. Cada princípio anuncia um fim, cada fim revela um princípio. Na vida, como na escrita, é sempre tão difícil terminar quanto é fácil continuar, porque todos sabemos, mesmo quando de todo o ignoramos, que não há princípio nem há fim.

II

Muito do que te acontece pode parecer-te imprevisto, mero resultado do destino ou do acaso, mas a verdade é que tu estás a caminho. Podes até não ter escolhido o caminho, mas escolheste caminhar. Podes até não saber aonde esta atitude te levará, mas sabes que, chegues onde chegares, será sempre a ti que chegarás.

III

A vida é sempre um puro processo de teimosia, de rigor, de autoconsciência, quer seja escrever um poema quer seja limpar o chão da cozinha. Processo lento mesmo quando avança rápido, processo feito de pequenos gestos mecânicos que a si mesmos não se corrigem, processo maior em que te envolves cada vez mais até seres tu o processo.


FNAC DE FARO


ALTERNATIVAS

Comunidades auto-suficientes: é possível viver de outra forma

Em “Que Estranha Forma de Vida”, Pedro Serra viaja por três comunidades, em Portugal e Espanha, que criaram alternativas à sociedade actual. Depois de exibições em festivais nacionais e internacionais, o documentário vai estar online ainda em Janeiro
Texto de Ana Maria Henriques • 08/01/2016 - 19:19
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Nos primeiros cinco minutos de documentário, chegamos a Cabrum: árvores e vegetação rasteira, construções antigas em pedra, muita água. Um espanta-espíritos, um gato e alguns brinquedos perdidos na berma de um caminho mostram-nos que, no meio da natureza, vivem adultos e crianças, que se passeiam sem roupa num dia de Verão. É assim o início de “Que Estranha Forma de Vida”, documentário de Pedro Serra e Laura Pazo que acompanha a vida em três comunidades sustentáveis e auto-suficientes da Península Ibérica: Cabrum e Tamera, em Portugal, e a Cooperativa Integral Catalana em Barcelona, Espanha. Depois de ter sido exibido em festivais nacionais e internacionais, vai estar disponível online ainda durante o mês de Janeiro.

Em 2014, o realizador e a produtora passaram cerca de uma semana em cada um dos grupos. Decidiram reduzir a equipa de filmagens ao mínimo indispensável para proporcionar “uma maior aproximação das pessoas”, algo que não seria possível com “uma equipa dita ‘normal’ para uma longa-metragem”, explica Pedro ao P3. Fizeram questão de experimentar, de facto, a vida em comunidade; nem sempre filmavam, aproveitavam para passar tempo com os habitantes. É por essa razão que, em “Que Estranha Forma de Vida”, espreitamos as refeições — com produtos biológicos —, ouvimos as músicas e as conversas e vemos as actividades destas “formas de vida paralelas à sociedade tal como a conhecemos”.

“Quando se vive num espaço assim, é bastante intenso”, descreve o jovem realizador de 24 anos, para quem tudo foi novidade. “Quem vive numa cidade não tem que falar com as pessoas com quem se cruza na rua. Ali estás sempre a lidar com egos e o tempo ganha outro sentido.” A produção do documentário foi totalmente independente e a exibição em festivais nos Estados Unidos, no Brasil, em Inglaterra, na Croácia, na Estónia e na Roménia mostrou o interesse do público no tema. No Cinantrop — Festival Internacional de Cinema Etnográfico de Leiria-Lisboa, venceu o prémio revelação.

Pedro, “vegan há três anos e meio”, já tinha presente os ideias destas comunidades (auto-sustentabilidade, paz, auto-suficiência, harmonia e cooperação entre ser humano, animal e natureza). A pesquisa sobre o tema fê-lo perceber que é “realmente possível criar alternativas positivas” e ver a aplicação prática dos ideais entusiasmou-o.

Se em Cabrum — uma aldeia portuguesa abandonada e recentemente habitada por um grupo de pessoas com vontade de criar um projecto sustentável — as filmagens foram complicadas, em Tamera entrevistou vários habitantes (sobretudo alemães). A eco-aldeia de Cabrum é “bastante fechada”, revela, por uma questão de preservação da privacidade e da autonomia da mesma, mas o trabalho que fizeram “é impressionante”. Quatro anos depois, Cabrum viu nascer quatro crianças. Já Tamera, no Alentejo, vê-se como um “biótipo para a cura global de consciência” e é a mais antiga aldeia do género na Europa, pois já perfaz 20 anos.

De Portugal para Espanha, Pedro e Laura viajaram até Barcelona, onde, bem perto da Sagrada Família, uma cooperativa ocupou um prédio no qual promovem várias actividades. O objectivo da Cooperativa Integral Catalana é provar que esta filosofia de vida sobrevive ao (e no) meio urbano. Praticam uma “auto-gestão com moeda própria”, o Eco, e procuram usar o Euro apenas em situações indispensáveis. Aconselhamento por advogados, aulas de informática e de permacultura são apenas alguns dos serviços que oferecem ou trocam.

O jovem natural de Proença-a-Nova e formado em realização pela ETIC falou, ainda, com Rui Vasques, que criou um modelo de vila ecológica e sustentável aplicável em qualquer parte do mundo, a “Eco-Village Community”. “Um dia gostava de viver desta maneira, numa comunidade, de acordo com os meus ideais, onde pudesse produzir o meu próprio alimento”, confessa Pedro. Enquanto esse momento não chega, está já a pensar em dois temas que gostava de abordar: o “freeganismo” e o movimento Okupa.
http://p3.publico.pt/cultura/filmes/19350/comunidades-auto-suficientes-e-possivel-viver-de-outra-forma
https://vimeo.com/122685684

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

...

Procuro um centro
um destino
um alívio
Deixo que as palavras
surjam e se escoem
tingindo de silêncio
a angústia dos dias
Regresso
renovado
ao ponto de partida

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

POEMA DE AMOR



 E quando terminaram?

Em Agosto!

De que ano?

De que ano? Não sei!

Apenas sei que era Agosto

estava calor

demasiado calor

e eu não aguentava

mais.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Aforismo

Aforismo: livro de mil páginas.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

MARIM REVISITADO


Vem daí, vem comigo

escreverei com todos os sentidos

de fora para dentro, de dentro para fora

para que me possas seguir com facilidade

 

Na linha do horizonte à minha frente

mar e céu fundem-se e confundem-se em azul

 

Abro muito os olhos e vejo aves que nadam no mar

e peixes que voam pelos céus
 

Atravesso a linha do comboio

como quem atravessa uma fronteira

é final de Agosto, está calor

mas sopra uma brisa refrescante

o azul chama-me, insistente
 

Caminho para ele estrada abaixo

atraído, consumido por ele

Um barco em terra

Um pomar de sequeiro

A estrada ladeada de jovens árvores vindas de longe

Avanço a custo

muros vedações edifícios

levantam-se em puro caos

e o único caminho

que me poderia levar mais perto

do azul intenso em que me quero

perder dissolver desaparecer

está guardado por um cão feroz

que me ladra ameaçador

 

Aceito a realidade

volto para trás

sobre os meus passos

atravesso de novo a linha do comboio

e sigo agora entre vedações

por um caminho de terra à sombra

de pinheiros mansos mas altivos

até à casa poema sonhada e realizada

por um fantasma


Estou só mas não sozinho

ouço o zumbir das cigarras

o ruído surdo de um carro

que avança sobre cascalho

sinto cheiros antigos

 
Encho-me de memórias

o vento acaricia-me a pele

despenteia-me o cabelo

subo de novo à varanda da casa poema

sentado à sua frente

de costas para ela

os olhos abertos no caderno em que escrevo

e encho-me finalmente de azul

o azul do céu o azul do mar

o azul da tinta com que escrevo este poema

 

Adeus!