sábado, 31 de dezembro de 2011

[...]

aqui
onde as palavras
ainda chegam
sento-me e
escrevo
me

[quase em silêncio]

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

DIZ-ME

Diz-me

diz-me
o que é o amor

os teus lábios
pesados nos
meus

Diz-me

diz-me
o que é o amor

carícia a carícia
os nossos corpos
lendo-se devagar

Diz-me

diz-me
o que é o amor

diz-me mais uma vez
que estou quase
a esquecer-me

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

POEMA EM BRANCO




Abro mais um
livro de poesia e
leio poema atrás

de poema com
redobrado
espanto.

Os poemas não são
apenas as palavras
em que se escrevem.

O branco da folha
também faz parte
do poema.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Festas Felizes


Fez das tripas coração e enfiou o barrete mais uma vez. Cada vez lhe custava mais fazer de Pai Natal.

foto daqui

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Salva-vidas





Dentro e fora de mim
a vida convida à vida
a vida que me é devida
a vida ávida de vida
a vida mais que indevida
que mato uma e outra vez
quanto mais tento salvá-la
dentro e fora de mim.

2por2

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Hoje de manhã


Hoje de manhã
no café
ao olhar umas velhas
fotografias

tive um claro
relance do mercado
tal qual era
para mim
antes de se ter tornado
um monstro.

A banca de peixe
do senhor Joaquim
onde a minha mãe
comprava chaputa
para filetes.

A banca de flores da tia
da minha irmã
clara e vidente
tal e qual a
avó.

E eu
entre lá e cá
entre cá e lá.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

PEQUENO CONTO DE NATAL

Quando o Pai Natal o abordou no Centro Comercial com palavras amáveis de consumo fácil, não aguentou mais e agrediu-o violentamente com o saco das prendas.
É verdade que não gostava muito do Natal, mas detestava acima de tudo as pessoas que se esforçam por parecer quem não são.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

[quem quiser que dê um titulo a este poema]



Talvez o arqueiro
não queira acertar
no centro do alvo

e sim no centro de
si mesmo, mas isso
pouco me importa.


Todas as acções
têm um fim, dentro
e fora de nós.

Por isso agarra-te bem
ao como e para quê
de cada acção

e depois
desprende-te
e deixa-te ir.  

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Exercícios de Estilo




Metáforas à parte, disse o canibal, comia-te toda.


Ai querido!
Ai querido!
Ai querido!
Gosto tanto quando me fazes
repetitiva!


- Ana, estás quieta ou não?
- Ana, estás a ouvir-me?
- Ana, estás aqui estás na rua!
- Ana, fora!


Nunca começava coisa alguma. Dizia que era uma questão de princípio.


Estava tão cansado de ser pisado que um dia tirou-se debaixo dos pés do seu proprietário, fazendo-o cair aparatosamente. Escusado será dizer que o homem ficou muito magoado.


Era um homem bom na sua maldade e mau na sua bondade, ou seja, era bom a ser mau e mau a ser bom.