segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Meia de língua

Hoje a primeira! Na RUA, em 102.7 ou on line, de 2.ª a 6.ª todas as as meias de 11, 13 e 16 horas.

Pensamentos

Os seus últimos pensamentos foram para a mulher e para os filhos. Depois disso nunca mais voltou a pensar. Desde então a vida tem-lhe corrido muito melhor.

dia 1 de Fevereiro (actualizado)


Apresentação do mais recente livro de Luís Ene, na próxima terça-feira, dia 1 de Fevereiro, no Draculea Café Bar, a partir das 23 horas.


O Draculea fica ali naquele ponto vermelho!


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A estação dos caminhos-de-ferro


A estação dos caminhos-de-ferro, assim como as saídas de Faro, eram pontos de fuga no desenho emocional da cidade. As saídas de Faro, sobretudo a saída para Lisboa, nunca eram para nós as entradas de Faro. Também à estação se ia para sair de Faro, para fugir de Faro e não mais voltar. A hora marcada no sólido relógio verde da gare era sempre a hora da partida anunciada.

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Para aqueles que não estejam em Faro e queiram ler o livro, basta pedirem-me por e-mail.


sábado, 29 de janeiro de 2011

SAUDADE DE ÁGUA

O ponto preciso


Entre a tasca dos viveiristas e mariscadores e o quartel dos Bombeiros Voluntários, entre a vergonha e a alegria do encontro e da separação, é nesse ponto preciso que estamos e sempre estaremos. Entre o que foi e o que podia ter sido.

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Apareçam no dia 1 no Draculea. [ver duas entradas abaixo]

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

SAUDADE DE ÁGUA

Salvação



Sentado na esplanada, no fim de uma tarde de Verão, aborrecia-me de verde quando avistei, do outro lado da rua, uma pequena árvore. Parecia uma noiva ruborizada, inocente e maliciosa, incapaz de esconder a sua alegria. Quis escrever sobre ela (ou sobre o que senti ao vê-la), mas desisti depois de várias tentativas. Hoje lembrei-me dela, mas logo percebi que continuo a não ser capaz de revelar o seu (meu) mistério. Só não destrui este texto porque me ocorreu, enquanto o escrevia que, na sua impossibilidade, ele diz afinal a razão porque escrevo.

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Apareçam dia 1 de Fevereiro no Draculea [ver entrada anterior].

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

HOJE

A Tertúlia Farense apresenta o mais recente livro de Luís Ene, naquele que é o primeiro encontro de 2011, dia 27 de janeiro.

A sessão é às 21h30, antecedida de jantar, no Restaurante Centenário (Largo do Terreiro do Bispo 4), em Faro.

Em cima da mesa estará a obra "Saudade de Água/Memórias de Faro", de Luís Ene.


daqui

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

do amor

104 [Check list]

- Preparar um jantar frio.
- Abrir um tinto velho.
- Colocar as argolas que ele tanto gosta.
- Dizer-lhe que está tudo acabado.
H.P.Lovecraft


daqui

o homem invisível


daqui

O homem invisível ainda acha possível um dia dar nas vistas.

O homem invisível tem de acreditar que longe da vista possa ser perto do coração.

O homem invisível não tem amigos, nunca aparece nos encontros.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Meia de língua

Meia de Língua começará a ir para o ar no próximo dia 31 na RUA, rádio universitária do Algarve, em 102.7, de segunda a sexta, penso que às meias, ou seja, 11:30 - 12:30 - 16:30.

A ficção no seu mínimo, a ficção no seu máximo.

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Literal
Nada vale a pena, disse o pato, e saiu a voar deixando a raposa sem almoço.

Trocadilho
Quanto mais desceres, disse-lhe o diabo, mais subirás na minha consideração.

O sangue
O sangue escorria, vermelho e insistente. Não aguentava mais. Tomou uma decisão. Nunca mais pediria um bife mal passado.

Simples
É tudo muito simples, disse o mestre, o mais difícil é aceitar que tudo é muito simples.

Perfeitos um para outro
Ele tinha tanto para dar. Ela queria tudo. Eram perfeitos um para o outro.

domingo, 16 de janeiro de 2011

O spam é meu amigo

[Se o spam não continuasse a comentar não voltaria a ler alguns dos meus textos...]

notas de rodapé sobre o como e por que sou escritor
29 08 2006


Derramo palavras na folha branca,
manchas de tinta que falam de mim.

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Escrevo, escrevo, sempre e muito. Só depois é que dou atenção às palavras.

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Crio as personagens e dou-lhes um olhar. Depois deixo que elas falem por si mesmas, e assim se escrevam.




Se quiseres ser escritor, disse-lhe eu, escreve, escreve, escreve; e já ele me ia perguntar pela vida, quando eu concluí, e vive, vive, vive.

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E quando a morte chegar, possa eu afinal dizer, com orgulho, O que eu não vivi, senhora minha, eu li.

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Lê como quem escreve e escreve como quem lê, disse-me ele em mais um conselho de mestre para aprendiz, mas eu respondi-lhe de pronto, Mas isso não estraga a leitura e a escrita? Então ele riu à gargalhada e acho que foi esse o último conselho que me deu.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

COMER ANIMAIS

Meia de língua

Tudo se está a preparar para que muito em breve a Rádio Rua apresente uma rubrica diária em que lerei histórias da minha autoria (uma por dia, de uma linha ou duas). Por agora procedi a uma rigorosa selecção, escolhendo entre as mais pequenas as de maior qualidade e representatividade de processos. Ficam aqui cinco, que foi em grupos de cinco que as escolhi (de segunda a sexta).

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A verdade da mentira

Olha-me nos olhos e diz-me a verdade, disse ele, e ela olhou-o nos olhos, bem no fundo dos olhos e mentiu-lhe. No fundo, no fundo, era isso que ele queria, e ela bem o sabia.


O perfeccionista

Matou-se lentamente, muito lentamente, por isso, quando estava quase a chegar ao fim, teve que voltar ao início e matar-se de novo. Era um perfeccionista.


É o fim

É o fim, disse ele, e tudo voltou ao princípio. Mas era apenas o princípio do fim.


Compreender

Era um artista enorme, extraordinário, mas era um homem pequeno, mesquinho, execrável. As pessoas admiravam-se. As pessoas não compreendiam. As pessoas têm esta incompreensível crença que lhes diz que é preciso compreender.

Esquecer

Um homem esforçou-se muito por esquecer a mulher que o abandonara e foi bem conseguido. Quando ela voltou não a reconheceu e apaixonou-se outra vez.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

As virtudes do spam

[Não fosse o aviso de um novo comentário e esquecer-me-ia deste texto em tempos publicado.]


diálogos esquecidos
29 08 2006



Esqueci-me, disseste, e eu perguntei, O quê? Mas tu repetiste, Esqueci-me, e eu não insisti. Há coisas que é melhor esquecer.

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Esqueci-me de quem sou, disseste-me com surpresa, e eu respondi, Queres que eu te diga quem és? E fiquei à espera que dissesses alguma coisa, mas logo percebi que já tinhas esquecido a minha pergunta.



Esqueci-me das chaves do carro, disseste, sou mesmo esquecida, e eu lembrei-te que não tinhas carro. Sou mesmo esquecida, insististe, entre o surpreso e o convicto, esqueci-me de comprar carro.

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Tinha uma coisa para te dizer mas não me consigo lembrar o que é, afirmaste com ênfase, e eu respondi-te com displicência, Esquece, mas tu ficaste ainda mais séria e garantiste-me que te custava muito esquecer.

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[Esqueci-me de algo que não escrevi e, ao tentar recordá-lo, escrevi estes textos que de outra forma não me lembraria.]

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Leila Guerriero

Para ler

Tenho estado em silêncio mas há coisas novas para ler neste blog.

Inclui páginas autónomas com algum material que no todo ou em parte aqui tinha publicado ao longo do ano e que dá conta do meu labor literário recente. Material nalguns casos ainda a precisar de alguma edição, mas que quis deixar aqui, em jeito de balanço.

Assim, na barra da esquerda, em cima, onde diz "mapa do blog", podem encontrar um ensaio, um romance em fragmentos, contos, poemas e outros textos breves.

Um bom ano de 2011.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Os suicidas do fim do mundo (actualizada)

Encontrei este livro (numa livraria local) arrumado na ficção portuguesa! Tinha ficado com vontade de o ler depois de ter lido uma pequena nota no Público...



Se alguém quiser ler que diga. Se alguém tiver algo parecido que diga.

páginas

Inclui duas novas páginas neste blog. Pode acedê-las no início da barra da direita. O quase ensaio sobre microficção em Portugal, aqui publicado em 2010, e o romance Não me perguntem porquê, aqui antes parcialmente publicado também em 2010, e agora em versão integral.
Um bom 2011.

sábado, 1 de janeiro de 2011

narrar: a busca de um sentido

"Diariamente, somos postos diante da sensação de que nada faz sentido. Aí entra o narrar. Narrar é isto: a busca de um sentido."

Sergio Vilas Boas