sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

O fácil e o difícil, a boa e a má literatura e o que mais se verá

[puxei da caixa de comentários uma troca de ideias com a Sara Monteiro que me parece vir a propósito]


Eu tenho uma opinião diferente, por acaso. Toda a gente parece achar o miniconto difícil, mas eu não acho. Não escrevi muitos, gosto bastante de alguns, em relação aos quais diria que me saí mais do que apenas bem.:)
Não é nada o meu género o miniconto, naturalmente não o escreveria, escrevi os primeiros como brincadeira e depois para a Minguante, porque me serviam como exercício lúdico. O miniconto que me sai bem é como um flash, um acontecimento condensado em breves imagens, um minifilme que vejo passar na parede. Ele "mexe". Os minicontos que mais gostei de escrever são de um género que "mexe". Quanto aos outros são apenas razoáveis. Vê-se muito bem a diferença entre, por exemplo, um miniconto como "O Paninho Bordado" ou "O Lenço Preto", para citar apenas dois, e os outros. E esses foram ainda mais fáceis de escrever que os outros. Nunca mais escrevi minicontos desde que a Minguante acabou. Porquê? Acho que é porque não é o meu género, mas não sei porquê, se é assim tão fácil.Deve ser apenas porque o que eu quero dizer não cabe nesse formato.
Sara

luís ene disse...

Sara,
eu penso que é mais fácil escrever uma microficção e também acho que é mais difícil.
O Rui Zink diz isto bem quando afirma que "Fazer um texto muito bom em forma breve é mais difícil do que um romance. Mas fazer um micro “apenas bom” é mais fácil."
Quanto a esse mexer, concordo em absoluto.
Tenho também uma teoria algo estranha que é que em bons ROMANCES encontram-se verdadeiras microficções que poderiam ser retiradas e que são com ogãos vitais do romance.
:)

Anónimo disse...

Os microcontos são como a poesia. Tudo o que é depurado tem de ser mais pensado. Ou "acontece" e aí é uma revelação.
Eu li o que o Rui Zink escreveu. Mas o que ele diz sobre o microconto pode ser aplicado a todos os géneros, não é exclusivo da micronarrativa.
Quanto a microcontos que podem ser retirados de um romance: talvez. Mas um microconto vale por si.
Sara

Anónimo disse...

Imagina que eu escrevia: "Fazer um texto muito muito bom em forma longa é mais difícil do que escrever uma micronarrativa." Não é verdade?
Sara

Anónimo disse...

Tudo o que é muito bom é logo mais raro. E é mais comum fazer coisas medianas em todos os géneros e me todas as artes e não extarordinárias. Não é uma questão de facilidade ou dificuldade.E não é uma questão de género.Nem por um momento acredito nisso.
Sara

luís ene disse...

Sara, sim dúvida, as microficções são literatura e aplicam-se as regras gerais :)

Anónimo disse...

Pois, penso que o debate não passa por géneros (irrelevante!) mas pela discussão entre boa e má literatura. Porque para debater géneros bastardos e subvalorizados, podemos falar com muito mais propriedade sobre literatura infantil. Para dar um exemplo que conheço bem.
Sara


[Sara, discuta-se então a literatura, de vários pontos de vista, como temos vindo a fazer. :)]

11 comentários:

  1. Luís, não é pela extensão que se pode falar da qualidade ou não de um texto e não é por essa razão (pela brevidade por exemplo) que ele é desvalorizado. Vê os haikus, não há nada tão breve e tão respeitado. E tão imitado.
    Ou um conto (que não seja micro)em relação ao romance. Há contos fulgurantes e romances entediantes. Os poemas curtos não são menos tidos em consideração que os longos, a poesia não vem ao metro. Fácil, difícil? Eu nunca conseguiria escrever um policial, por exemplo. É difícil para mim, se não completamente impossível. Cada pessoa vai encontrando a sua forma, a forma que mais se lhe adequa consoante a sua maneira de pensar, sentir, ver o mundo.
    Sara

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  2. Não sei quem dizia que a escrita é uma arte muito convencional (se alguém se lembrar que me ajude) e claro o pensamento na escrita aparece espartilhado dentro dessa convenção. Inventemos é mais géneros, não nos podemos ficar por estes. Às vezes penso em escrever um texto que seja algo mais do que um texto. Fazer os tais contos que mexem, ou textos vivos com braços e pernas de tal modo que nos esqueçamos que é feito de palavras. Só que não sei como. Boa literatura é também sair fora das convenções dos géneros. E de estilos.
    Sara

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  3. Já estou a divagar. Mas ninguém me responde. Voltando atrás: a poesia é anterior à literatura e não se confina a ela. Portanto, a poesia na escrita é apenas uma forma de libertar essa poesia maior que existe fora dela. Apenas uma tentativa. E há muitas formas de tentar: em 3 linhas ou num livro inteiro.
    Sara

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  4. não posso definir poesia. é o qùê? O mistério? Uma tentativa de desvendar o mistério das coisas, a beleza do mundo? um lamento sobre o mundo e a precariedade da condição humana? Está presente em todo o lado? Em qualquer arte? Na vida quotidiana?
    Digam: o que é a poesia? Gostava de saber.
    Sara

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  5. Bom, não digo mais nada por agora
    Sara

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  6. Porque isto deve ser um diálogo e não um monólogo
    Sara

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  7. :) é o estado em que está a literatura :)
    Era um escritor que acredita que a literatura é monolugar, escrevia sempre apenas para si.
    :D
    obrigado Sara. Eu estava a ouvir-te e a falar contigo.
    beijos

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  8. Dando um salto, porque eu não estou para ir por partes umas a seguir às outras, é cansativo e não faz o meu género:) (nunca escreveria um ensaio). Conheces algum rótulo mais mal visto que o da literatura infantil? Eu não conheço. Se alguém conhecer que diga.
    Sara

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  9. Sinceramente, pensava que não e até achava que os escritores ditos infanto-juvenis eram dos poucos que conseguiam viver do seu trabalho em Portugal.

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  10. É um género "à parte". Um escritor de literatura infanto-juvenil (se é só a isso que se dedica não convive à mesma mesma mesa que os outros). Os poetas, os escritores de romances, longos ou curtos, de contos, macro ou mini, juntam-se entre si, mas os infanto-juvenis encontram-se em encontros próprios e têm prémios próprios. A literatura infanto-juvenil não se mistura com a outra, mais séria. Alguns escritores vivem disso? Que é que isso importa? Não é desse assunto que estamos a falar...
    Sara
    Sara

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  11. Além disso, não há cão nem gato que não pense que pode escrever (e publicar!) um livro para crianças. E escreve! E publica! E vende! Para as crianças qualquer coisa parece servir. E pior: elas não se podem defender como os adultos do lixo
    Sara

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