domingo, 12 de dezembro de 2010

Destaque

5 comentários:

Carlos Tijolo disse...

Li este ensaio com interesse, mas pareceu-me que ele poderia beneficiar com uma justificação clara e um aprofundamento da perspectiva que é afinal o ponto de apoio do próprio texto, ou seja: a ideia de que uma aparente não-assunção selectiva da microficção como género em Portugal é má “para a microficção e para a literatura em geral”. Preto no branco, porquê? Ou amarelo no vermelho com bolinhas azuis, se for preciso... :)

luís ene disse...

Carlos, obrigado.
Acho que tal é mau para a microficção e para a literatura em geral. Talvez só não o tenho dito preto no branco porque gostaria de deixar a quem lê essa conclusão. Este ensaio foi uma aproximação, queria-se um ponto de partida mais do que um ponto de chegada.Estava a tentar ainda delimitar o problema, aprofundar poderia ser um segundo ponto. Mais uma vez obrigado.

Carlos Tijolo disse...

Obrigado pela resposta. E, já que sugeri o tal aprofundamento, é justo que também explique o que penso. O teu ensaio testa a hipótese de que existe uma relutância selectiva em assumir a microficção como género, analisando o que alguns autores publicados dizem em entrevistas. Não prova a hipótese, mas mostra que faz sentido formulá-la e pensá-la. A existir essa tal relutância, parece-me natural admitir que ela, pelo menos, não ajuda a que a designação “microficção” se generalize e entre no ouvido das pessoas. Claro, de uma forma ou de outra, o género acabará sempre por se ir estabelecendo, pela acção de editoras pequenas que o assumem e promovem; mas talvez mais lentamente do que seria possível. Isto é mau? Não sei, por isso formulo outra pergunta: se a dada altura se começasse a falar imenso de microficção, se começassem a aparecer artigos nos suplementos de fim-de-semana sobre “o novo género emergente”, se grandes editoras começassem a dedicar-lhe colecções e a querer autores, a tal relutância persistiria? Quero dizer, não acho que a questão se centre tanto no perigo de tertúlias herméticas ou de autores com aspas (para isso, já existem muitos géneros à escolha). O que me parece importante considerar é que os géneros - as tais temíveis etiquetas ou prateleiras - são importantes para o trabalho das editoras e, por sua vez, as editoras são necessárias a quem queira publicar. Por isso, talvez o estabelecimento de géneros não seja assim tão inimigo da criação literária. Até ver, ambos têm coexistido de uma forma mais ou menos pacífica.

Carlos Tijolo disse...

Já agora, digo que o ensaio não prova a hipótese simplesmente porque acho que, para isso, seria necessário analisar a posição de mais autores publicados. Sobretudo para determinar se a tal relutância é mesmo selectiva, o que, para mim, não ficou inteiramente claro.

luís ene disse...

Carlos, tens razão no que dizes quanto a apenas ter focado autores e apenas alguns deles.
Mas eu quis apenas focar os autores, alguns autores, que eu conheço e aprecio e dos quais tinha material para analisar. Para abranger mais autores teria de entrevistá-los, o que cheguei a pensar fazer. E posso ainda fazê-lo.
Editores, críticos, leitores é importante analisá-los. O enfoque na existência de apenas uma antologia de microficção foi intencional e falava por si.
O ser "mau" passava pela ideia, se já é um "género" marginal, o que tem as suas consequências, como será se os próprios autores o negarem...
Mas era um ponto de partida que permitiu entre outras coisas esta troca de ideias.

«A micro-narrativa é um género curto, que apresenta um desafio de escrita e criatividade, é também um género híbrido, que não é fácil de encaixar em nenhuma tradição literária», explicou José Mário Silva, autor de «Efeito Borboleta» e «Luz Indecisa».

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