quarta-feira, 16 de julho de 2014

RELEITURA(S)


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Muitas vezes acontecia-lhe esquecer-se de quem era, sem qualquer aviso prévio ou razão aparente. Não era uma sensação completamente desagradável, mas podia ser bastante aborrecido, tendo em conta as consequências óbvias. Decidiu então escrever o mais importante de si mesmo, aquilo que o tornava diferente e singular (não deviam ser precisas muitas palavras) e trazê-lo consigo, talvez um pequeno papel colado na carteira, talvez uma pequena inscrição numa pulseira, qualquer coisa que o fizesse regressar a si. O seu nome não era importante, na verdade pouco dizia de si, a sua idade, sexo e coisas que tais, estavam à vista, e quanto às suas características morais, elas reflectir-se-iam necessariamente nos seus actos. Acabou por fazer uma pequena tatuagem nas costas da mão direita, junto ao polegar, onde se podia ler a palavra SOU, não se fosse esquecer de ser, que isso sim, é que seria completamente desagradável e bastante aborrecido.

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