terça-feira, 15 de julho de 2014

EU SEI LÁ PORQUÊ!



 Não escrevo para dizer-me,

não tenho nada para dizer

que não possa dizê-lo com ações.

Escrever, para um escritor,

dizia alguém,

é agir,

o que quer que isso signifique.

É um fim, e não um meio, ou talvez

seja o contrário,

não sei.

Percebo o que isto quer dizer,

mas não tento sequer

explicá-lo,

pela simples razão que explicá-lo seria

complicá-lo,

e eu tento sempre ser simples.

Não escrevo para dizer-me,

escrevo,

apenas,

nada mais;

talvez para escutar o que assim digo,

talvez para aceitar o que assim digo,

talvez para tudo interrogar

ou então apenas escutar-me

e afinal dizer-me,

como qualquer leitor.

O que me interessa não está

aquém das palavras,

mas além delas.

Por isso é que leio,

por isso é que escrevo,

por estrita necessidade,

e nada mais .

1 comentário:

  1. A poesia não explica, implica... Assim dizia Sophia, segura da sabedoria para além do significado do nome.

    Lídia

    ResponderEliminar