segunda-feira, 30 de junho de 2014

Paulo Serra

Poderia escrever alguma coisa sobre o Paulo Serra e a sua arte, mas não o vou fazer, vou apenas deixar aqui a indicação do local onde podem espreitar a sua arte.
Contactem-no, visitem-no, olhem a sua arte e ouçam-no falar dela. Tal como eu fiz e disso dei eco num conjunto de poemas de que deixo aqui um apontamento.



POÉTICA

1.

Gere o teu silêncio

com parcimónia

Faz frente ao som

da tua inquietude

Diz-te no intervalo

do teu ser profundo

Muito antes das palavras

já o universo

se contradizia

2.

Vai além das aparências

Há sempre luz e sombra

É tão fácil ver quanto

é cegar

Vai além de ti próprio

O caminho só aparece

se escolheres não saber

aonde vais

Em frente ao medo

enfrenta o medo

O poema é sempre

uma clara evidência.

3.

Tem cuidado com as

palavras

As palavras são sempre

frágeis

As palavras são sempre

perigosas

O poema é sempre um

campo minado
 
 
COINCIDÊNCIAS
O pintor e o poeta escrevem e pintam da mesma forma os mesmos conteúdos
eles olham e olham e olham e focam e desfocam vezes sem conta a mesma
realidade
até que por detrás do presente o passado se esconde por completo sem ser
visto
é apenas intuído numa perfeita coincidência de acasos
a que muitos chamam mundo interior
latente pulsante
onde todos os excessos rebentam em serenos fogos de artifício
 
e os objectos nada mais são do que pura cor e as palavras nada mais são do que fátuos e luminosos pensamentos


A MÃO QUE TUDO VÊ


O olhar leva as mãos

 à cabeça

num claro gesto

de impotência

A mão que escreve

a mão que pinta

é a mesma mão negra

que desafia

a cegueira da folha

em branco

O que a mão não vê

 os olhos não sentem

As mãos fazem sempre a

multiplicação
 
do pensamento

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