quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Esfinge




Não sei a sua idade, mas é evidente que já não é uma criança e,
quando atravesso a praça, quase perco o fôlego na surpresa
das vertiginosas meias-luas que insiste em traçar sem descanso,
voando alto no baloiço esquecido do parque infantil, ao mesmo
tempo que, o telemóvel na mão direita, o equilíbrio ameaçado,
escreve sem parar mensagens que chegam talvez mais rápidas
ao seu destino, e interrogo-me qual será o seu mistério, mas,
à cautela, evito aproximar-me, evito até que me veja, não se vire
para mim de repente e me diga, numa voz cava de enigma antigo:

“Decifra-me ou devoro-te.”

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