domingo, 28 de agosto de 2016

NOVE ANOS DEPOIS


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Nove anos depois encontraram-no em sua casa, sentado no sofá. Estava morto e bem morto. Ficaram todos muito surpreendidos, menos ele, que ficou muito aliviado.

 

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Nove anos depois de ter morrido escreveu o seu primeiro romance. Foi um enorme sucesso. A partir daí nunca mais escreveu.

 

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Nove anos depois encontraram-se por acaso e quase não se conheceram. Ele parecia ter envelhecido quinze anos, ela parecia ter rejuvenescido dez.

 

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Nove anos depois tinha mudado tanto que já não sabia quem era. Foi então que decidiu ser ele mesmo.

 

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Nove anos depois a rua ainda falava da sua morte. As manchas de sangue na calçada continuavam insistentemente vivas.

 

 

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Nove anos depois voltou a analisar o que acontecera e mais uma vez se admirou. O tempo criava sempre novos ângulos de abordagem.

 

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Nove anos depois deixou de ter noção do tempo. Ou teria sido nove anos antes?

 

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Nove anos depois de ter feito sessenta anos, festejou o seu sexagésimo aniversário. Há nove anos que assim acontecia.

 

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Nove anos depois recomeçou. Sempre assim tinha sido, sempre assim seria.

 
...

 

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