quarta-feira, 13 de julho de 2016

BATER


Um dia, sem que nada o anunciasse, ele bateu-lhe, um golpe certeiro e singular, e o coração dela quase parou de bater, tal foi o espanto e a desilusão, porque nada a preparara para aquilo. Quis rebater, quis gritar-lhe, quis chamá-lo à razão, mas de repente a verdade acertou-lhe com a mesma força e surpresa do golpe que sofrera. Foram precisos dois para que isto acontecesse, foram precisos dois, não me posso pôr de fora, disse e repetiu a si mesma, ao mesmo tempo que ele se desculpava sem cessar, de lágrimas nos olhos e as mãos fechadas em punhos de raiva e de desespero. Olhou-o em silêncio, o bater descompassado do coração a pulsar-lhe nas têmporas e só então percebeu que há muito o seu coração não batia por ele. Pediu-lhe desculpas, uma e outra vez, de lágrimas nos olhos, as mãos fechadas em punhos de raiva e de desespero.

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