quinta-feira, 18 de julho de 2013

Poemas Avulso

escreve
os teus poemas
na água

para os ler
será preciso
ter sede


Poema em construção

Entre o céu e a terra
escreve o teu poema
linha que se estende
perante o teu espanto
revelando ao teu olhar
a ordem e a desordem
do mundo pressentido
uma e outra vez
no mais íntimo de ti


Arqueiro zen

Nas tuas mãos
abertas
as pedras em brasa
queimam-te

e tu não sabes
se deves fechá-las
nos teus punhos
ou devolvê-las
a quem te as deu

pouca diferença
faz estares zangado
contigo ou
com os outros
se tu és sempre
o alvo.


Poema único

Queria estar só. Meteu-se ao caminho, solitário, e, quando confirmou que ninguém o seguia, mandou embora a sua sombra. Depois continuou, ainda mais só, à procura de si próprio.



Ainda que me fosse
possível
(e a minha mão direita
corresse livre pela folha)
eu nunca escreveria
tudo o que tenho
para dizer.
O poema não é
árvore nem fruto,
o poema é sempre
semente
(e no interstício
branco sobre branco
as suas raízes
estendem-se
ávidas).

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