sábado, 11 de dezembro de 2010

Novo exercício inconsequente (actualização)

Escrever a partir de uma fotografia. A própria fotografia como narrativa breve. O Homem do Fraque, de quem é esta fotografia, tem vindo a mostrar alguns desses exemplos. Utilizando a sua fotografia, convido/desafio à escrita de um texto breve que parta dessa fotografia. Como é costume, serei o primeiro a responder. Para dar o exemplo.
Deixem-me os textos na caixa de comentário ou enviem por correio electrónico.





Florival Diógenes


A janela do seu quarto estava sempre aberta, a qualquer hora do dia, de Verão ou de Inverno, vivesse ele onde vivesse. A mãe nunca percebeu porquê, a sua mulher também não, e o mesmo se pode dizer dos seus amigos e de todas as pessoas que alguma vez se aperceberam desse facto insólito. Um dia, atirou-se da janela do seu quarto e estatelou-se desamparado no chão. Ninguém percebeu porquê.

*

Asdrubal Pimenta


Encostou o carro ao gradeamento, puxou o travão de mão e desligou o motor numa rotina inconsciente enquanto o olhar percorria com atenção profissional a fachada algo decrépita, porra, se calhar também eu me amandava da janela fora, o prédio parece estar abandonado, tem um ar meio tétrico com aquele descascado em forma de cruz mesmo por baixo da janela e à noite faço ideia, com a merda de iluminação que há por aqui, isto deve parecer Elm street num dia de nevoeiro,vamos lá despachar isto, deve ser uma simples formalidade, pra mais com o emprego que o gajo tinha era depressão pela certa, despacho isto num instante, ainda tenho tempo de passar no shopping a ver se me arranjam a merda da bateria para o telemóvel senão tou lixado,não me calhava nada, será que ainda mora aqui alguém, empurrou a porta que rangeu renitente, empurrou com mais força abrindo apenas o suficiente para lhe permitir entrar, espreitando com dificuldade a penumbra do hall de entrada, foda-se que merda é esta, as paredes esburacadas pareciam gritar por socorro, o chão juncado de entulho, a escadaria ameaçando ruir, isto não está certo, no relatório não tinha nada que indicasse isto,aqui há marosca porra!, querem ver que o gajo não se suicidou...


Luis Nunes Alberto

4 comentários:

  1. (Adorei este pequeno desafio! Há pedaços de escrita em todas as coisas. Dá vontade de aceitar. (: )

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  2. Asdrubal Pimenta encostou o carro ao gradeamento, puxou o travão de mão e desligou o motor numa rotina inconsciente enquanto o olhar percorria com atenção professional a fachada algo decrépita, porra, se calhar também eu me amandava da janela fora, o predio parece estar abandonado, tem um ar meio tétrico com aquele descascado em forma de cruz mesmo por baixo da janela e à noite faço ideia com a merda de iluminação que há por aqui isto deve parecer Elm street num dia de nevoeiro,vamos lá despachar isto, deve ser uma simples formalidade, pra mais com o emprego que o gajo tinha era depressão pela certa, despacho isto num instante, ainda tenho tempo de passar no shopping ver se me arranjam a merda da bateria para o telemovel senão tou lixado,não me calhava nada, será que ainda mora aqui alguem, empurrou a porta que rangeu renitente, empurrou com mais força abrindo apenas o suficiente para lhe permitir entrar, espreitando com dificuldade a penumbra do hall de entrada, foda-se que merda é esta, as paredes esburacadas pareciam gritar por socorro, o chão juncado de entulho, a escadaria ameaçando ruir, isto não está certo, no relatório não tinha nada que indicasse isto,aqui há marosca porra!, querem ver que o gajo não se suicidou...

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  3. Uma fotografia tirada num telemóvel afinal serve para alguma coisa ;)

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