sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Não me perguntem porquê [4]


[…]



O escritor olhou o negro da capa, atravessado pelo que parecia um ténue mas decidido raio de luz, pegou no livro, virou-o e revirou-o, folheou-o, abriu-o uma e outra vez, sopesou-o, sentiu-lhe a textura, a flexibilidade e depois atirou-o para cima da mesa e ficou a olhá-lo como se olha alguém que ainda queremos, mas já não desejamos.


Não tinha dúvidas sobre o que ia fazer: sabia o que tinha de fazer, ainda que tivesse preferido não ter de o fazer.


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