terça-feira, 26 de outubro de 2010

poemas instantâneos (5)

Todo o poema é o resultado de uma construção que se oferece ao leitor para que o reconstrua.

Já o processo de construção do poema, e há sempre um processo, consciente ou inconsciente, é outra coisa, e pode ou não ser visível e evidente.

Leia-se o que foi escrito a propósito do poema construido a duas mãos entre mim e o Gavine Rubro.


Os designados poemas instantâneos que tenho aqui publicado são produtos finais, mais ou menos conseguidos, mas são também resultado de um processo simples que pode ser reproduzido.

Deixo aqui o processo, para que o experimentem, se quiserem (podem enviar-me os resultados), e para que se interroguem por momentos se a poesia não será (também) jogo e divertimento.

Começou quando me interroguei sobre a diferença entre belo e bonito e, como muitas vezes faço, fui procurar o seu significado num dicionário on line. Foi então que olhei para o resultado como material poético e resolvi construir com ele um poema, interferindo o menos possível com o material e a ordem em que se apresentava.

Exemplifico com o primeiro dos poemas, mas podia ser qualquer um dos outros.

bonito

adj.

adj.

1. Agradável à vista ou ao ouvido.

2. Digno de menção.

3. Irón. Em bons lençóis, bem-arranjado.

s. m.

4. Brinquedo, boneco.

5. Espécie de atum.

fazê-la bonita: fazer um disparate.


Fazê-la bonita


Nem tudo o que é agradável

à vista ou ao ouvido

é digno de menção.

Quando em bons lençóis

até um atum parece

um brinquedo.



------------------------------------>Experimentem.


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