quarta-feira, 10 de agosto de 2016

9 ANOS DEPOIS

É bem verdade que escrever é reescrever, assim como é bem verdade que há um momento em que se tem de considerar a obra (por ora) terminada.
Retomo um livro já com alguns anos, que considerava terminado e, por imperativos de leitura em voz alta, troco-lhe as voltas e reordeno profundamente os textos.

Deixo-vos aqui uma meia dúzia, ainda sujeita a reordenação.



NOVE ANOS DEPOIS


Só nove anos depois de terem casado é que percebeu que o marido estava morto. Ainda viveram juntos mais dois anos.


Primeiro casou por amor e um ano depois já estava divorciado. Depois casou por dinheiro e nove anos depois ainda estava rico.


 Para lhe provar o seu amor, arrancou o coração do peito e entregou-lho. Só o recuperou nove anos depois.


Roubou-lhe o coração e nunca mais o devolveu. Nove anos depois ele cansou-se de esperar e fez um transplante.
           

Divorciaram-se e mudaram ambos de sexo. Nove anos depois encontraram-se e voltaram a casar. Há coisas que nunca mudam.



Desistiu de cortejá-la nove anos depois de ter começado, já ela estava casada pela segunda vez.


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