sexta-feira, 29 de julho de 2016

Eu, a literatura, os leitores, o mercado editorial e os blogues


Poderia dizer-se que desisti praticamente de publicar após a edição do meu primeiro romance A Justa Medida, publicado pela Porto Editora em 2003. Este desistir teve muito de desencanto no panorama editorial português. Mas a verdade é que não desisti de um todo, antes resisti, apenas deixando progressivamente de contactar as editoras para que me publicassem.

Na base desta atitude estava a ideia de que ainda que me editassem me editariam mal, se é que alguma vez conseguiria ultrapassar os portões das editoras. Assim, resolvi ir por outros caminhos, passando por edições independentes e edição de autor.

Coloquei-me assim à margem do mercado editorial, não sem aqui e ali, confirmar a apatia e o ensimesmamento desse mesmo mercado. É preciso notar que o facto de ter um primeiro romance publicado não me serviu de nada.

Talvez não tenha feito o suficiente, mas sou escritor e não agente literário. Mesmo mais tarde, reconhecido como representante da Microficção que se fazia em Portugal, sempre que abordei o mercado editorial tradicional só obtive indiferença e recusas. Mas o que eu queria dizer é que posso ter desistido do mercado editorial mas nunca desisti de partilhar o que escrevo e apanhei para o efeito a boleia da internets e dos blogues.

“Um dos meus objetivos”, escrevi em 2011, “ao criar/manter blogs - aquele que identifico como principal – sempre foi partilhar o que escrevo. O que sentia - e ainda sinto - é que desta forma aquilo que assim publico sempre pode - potencialmente - chegar a alguém. Neste aspeto o blogue parece-me um livro aberto, ainda mais aberto que qualquer livro, pois sempre aberto ao leitor e à leitura.”

Deste sentir nasceu um blog que seria o primeiro e o mais conseguido dos meus projetos literários digitais e que se repercutiu em papel, o blog Mil e Uma Pequenas Histórias. Outros se seguiram, mais ou menos conseguidos, mais ou menos falhados, como Na  Estrada de Damasco e Infinitésimo. Refiro também o meu mais recente projeto/experiência, o blog Diário Mais Que Improvável. E claro, existe ainda este blog que reflete o mesmo desejo.

Por tudo isto, e mais haveria para dizer, posso afirmar que nunca desisti de fazer chegar o leitor aquilo que escrevo, apenas me desiludi com o mercado editorial.

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