quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Não me perguntem porquê [3]

[…]

Há muitos anos que deixei de escrever, há quase tantos anos quantos se passaram desde a última vez que publiquei, mas agora estou decidido e irei até ao fim. Talvez esta não tenha sido a melhor forma de começar, mas não pretendo perder tempo a reflectir, quero apenas escrever e ir por aí adiante.

Quero falar do meu amigo porque quero que ele viva nestas páginas, e digo isto porque é assim mesmo que o sinto e não porque procure qualquer razão para o fazer: escrevo por necessidade; escrevo porque não posso deixar de fazê-lo, e só isso me importa.

Contarei esta história como a sinto, e à medida que se me for revelando, sem hesitações, mas também sem certezas, a não ser a de que contarei esta história o melhor que me for possível e a de que a contarei com verdade, a verdade tal qual a concebo.

O que comecei a contar aconteceu há pouco mais de um ano e, ainda que eu já conhecesse o Ângelo Durão antes disso, penso que esta é sem dúvida uma boa forma, ainda que não a melhor, de começar a contar a história que tenho para contar, pois ainda que tudo tenha começado antes, foi também nesse momento que tudo começou verdadeiramente.

Vou continuar a contar esta história até ao fim, devo-o a ele e devo-o a mim, é tudo o que tenho de saber.

Só preciso continuar a escrever, só preciso continuar a contar, na esperança de que se alguém vier a ler esta história possa, afinal, sentir tudo o que só escrevendo esta história conseguirei transmitir.

Ainda que não consiga dizer o mais importante, sei que se o escrever como o sinto, outros o poderão sentir também, e encontrar a verdade das mentiras com que conto esta história.

Estarei sempre presente no que escrevo, mesmo quando pareça estar ausente, e direi sempre a verdade, mesmo quando tiver de a imaginar, o que acontecerá muitas vezes: sei que só assim conseguirei contar esta história.

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