sábado, 18 de setembro de 2010

ser publicado

Um amigo meu escreveu um livro, o seu primeiro livro. Antes tinha escrito apenas pequenos textos, alguns deles publicados numa revista. Se recordo correctamente, sempre gostou de escrever, mas nunca sonhou ser escritor. Mesmo agora, com um livro escrito, diz-se apenas uma pessoa que escreveu um livro. Diga-se de passagem que o seu coração pertence a outra arte e que é por isso que ele não se diz um escritor. É só por isso e não por o seu livro não se encontrar (ainda) publicado. Mostrou-o a duas ou três pessoas e diz ter vontade de o partilhar com outros, mas não se quer aborrecer (envolver) muito. Como é uma pessoa metódica pesquisou o mercado editorial e pensa enviar o livro a uma editora (a ver o que dá). Sou uma das pessoas que leu o livro e, na minha opinião, o livro tem qualidade e poderá ter leitores. Encontramo-nos ontem e (eu já disse que ele era uma pessoa metódica) colocou-me, sobre o assunto da publicação do livro, duas perguntas.

Não me recordo com exactidão da primeira pergunta, mas recordo-me mesmo assim do que lhe disse. Falei-lhe da minha experiência como autor publicado, como blogger, como aprendiz de editor e de promotor da escrita e da leitura; disse-lhe que a maior parte das editoras não aposta verdadeiramente nos seus autores nem nos seus produtos, ainda que haja algumas, poucas, que o fazem; falei-lhe do custo de edição e do pouco que sei do negócio dos livros. Perguntei-lhe da sua necessidade de publicar; falei-lhe de como existiam neste momento em Faro vários autores – ele incluído – que podiam (deveriam) aqui ser editados, o que pouco custaria aos que por estas bandas tem a obrigação de apoiar a cultura. E mais. E mais. E mais.

E então ele fez-me a segunda pergunta.

  • E ganha-se dinheiro?

Esta pergunta era muito mais fácil de responder e até lhe podia ter dito apenas que não, que nem por isso, mas expliquei-lhe o quanto normalmente um autor ganha, o que em muitos casos é zero, nicles, népia. Ou isso ou ganha-se uma enorme dor de cabeça e uma enorme aversão ao “sistema”.

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