quinta-feira, 3 de setembro de 2009

6. Pescador



Sentia-me, é o que agora vejo, como um daqueles pescadores que surpreendia muitas vezes no paredão e que me pareciam ter como único objectivo estar apenas ali, apesar de tudo neles evidenciar que estavam ali a fazer alguma coisa. Mas estavam apenas ali, à espera, e estou convencido de que tanto lhes fazia que acontecesse alguma coisa ou não. Os seus gestos eram exactos, estavam atentos, mas aquela era certamente a sua forma de estarem fora do mundo. Era assim que eu me sentia, à espera, atento, mas à espera de coisa nenhuma, aberto a tudo o que pudesse acontecer mas despreocupado, desinteressado. Sentia-me um centro, mas apenas mais um centro, e não atribuía a mim mesmo qualquer importância.

[continua...]

Sem comentários:

Enviar um comentário