sábado, 4 de julho de 2009

Tarde de leite e rosas, ouvindo a floresta

Tarde de leite e rosas. Cada aresta
Tinha um rubi tremente:
Fomos ouvir o canto da floresta,
O seu canto de amor, ao sol poente.

Tu querias sorver os poderosos
Lamentos de saudade e comoção
Que,as raízes, dos fundos tenebrosos,
Mandavam, pelo ramo, pra o clarão.

Opalescera já, o ar. O vento,
Correndo atrás da sombra, murmurou...
Sentiu-se um fechar de asas. Num momento,
a floresta cantou.

Em cada ramo um violino havia:
Cada folha vibrava, ágil, sonora,
par'cendo que escondia uma harmonia,
nas sombras das ramagens, a Aurora.

Como a floresta, meu amor, eu tento
Atirar o meu canto pra a altura:
Para a fazer cantar, toca-lhe o vento,
Para me fazer cantar, no pensamento
passa o sopro da tua formosura.

João Lúcio

[a tentar fixar, com dificuldade, ainda trocando aqui e ali, como, por exemplo, perto do almoço: Tarte de leite e nozes]

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