quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

POEMA EM BRANCO




Abro mais um
livro de poesia e
leio poema atrás

de poema com
redobrado
espanto.

Os poemas não são
apenas as palavras
em que se escrevem.

O branco da folha
também faz parte
do poema.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Festas Felizes


Fez das tripas coração e enfiou o barrete mais uma vez. Cada vez lhe custava mais fazer de Pai Natal.

foto daqui

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Salva-vidas





Dentro e fora de mim
a vida convida à vida
a vida que me é devida
a vida ávida de vida
a vida mais que indevida
que mato uma e outra vez
quanto mais tento salvá-la
dentro e fora de mim.

2por2

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Hoje de manhã


Hoje de manhã
no café
ao olhar umas velhas
fotografias

tive um claro
relance do mercado
tal qual era
para mim
antes de se ter tornado
um monstro.

A banca de peixe
do senhor Joaquim
onde a minha mãe
comprava chaputa
para filetes.

A banca de flores da tia
da minha irmã
clara e vidente
tal e qual a
avó.

E eu
entre lá e cá
entre cá e lá.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

PEQUENO CONTO DE NATAL

Quando o Pai Natal o abordou no Centro Comercial com palavras amáveis de consumo fácil, não aguentou mais e agrediu-o violentamente com o saco das prendas.
É verdade que não gostava muito do Natal, mas detestava acima de tudo as pessoas que se esforçam por parecer quem não são.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

[quem quiser que dê um titulo a este poema]



Talvez o arqueiro
não queira acertar
no centro do alvo

e sim no centro de
si mesmo, mas isso
pouco me importa.


Todas as acções
têm um fim, dentro
e fora de nós.

Por isso agarra-te bem
ao como e para quê
de cada acção

e depois
desprende-te
e deixa-te ir.  

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Exercícios de Estilo




Metáforas à parte, disse o canibal, comia-te toda.


Ai querido!
Ai querido!
Ai querido!
Gosto tanto quando me fazes
repetitiva!


- Ana, estás quieta ou não?
- Ana, estás a ouvir-me?
- Ana, estás aqui estás na rua!
- Ana, fora!


Nunca começava coisa alguma. Dizia que era uma questão de princípio.


Estava tão cansado de ser pisado que um dia tirou-se debaixo dos pés do seu proprietário, fazendo-o cair aparatosamente. Escusado será dizer que o homem ficou muito magoado.


Era um homem bom na sua maldade e mau na sua bondade, ou seja, era bom a ser mau e mau a ser bom.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

EXERCÍCIOS DE ESTILO - Parábola

Digam-me se preferem a primeira ou a segunda.

...

Matou o marido e cozinhou-o. Sabia mal. Confirmou desta forma que ele era tão mau quanto parecia.

...


Matou o marido e cozinhou-o. Sabia bem. Confirmou desta forma que ele não era tão mau quanto parecia ser.

...

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

3 x poema

1.

Escreveu um poema e fez dele a sua casa. O poema era pequeno e não tinha água canalizada, mas podia levá-lo para todo o lado e tinha uma extraordinária vista sobre o ser.

2.

Escreveu um poema e viu-se nele. Escreveu outro poema e sentou-se nele.
Disseram-lhe que devia escrever mais.
Respondeu sem hesitar que só escrevia poemas quando precisava muito.

3.

Escreveu o melhor de todos os seus extraordinários poemas e decidiu nunca mais escrever.
Estava demasiado agradecido às palavras parar continuar a torturá-las.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

RETRATO


Luís, não queres actualizar o meu retrato? :)

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

MÁxima

Não dês demasiada importância ao sexo; o sexo é demasiado importante para isso.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

NO CENTRO - poema breve com anáfora


No centro da folha
escrevo o poema.

No centro do poema
escrevo-me a mim.

HOMEM DE CONFIANÇA

Podia-se sempre contar com ele, falhava sempre.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Café Curto - Artistas 03/11/11

[fotografia Paula Romão]

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

AS 12 MELHORES PEQUENAS HISTÓRIAS DE TODOS OS TEMPOS

1



Só percebeu que a sala estava vazia quando terminou de falar após duas horas e não ouviu o som das palmas.






2


Sentia com frequência que tudo girava à sua volta. Os amigos diziam-lhe que consultasse o médico, mas ele respondia que era perfeitamente normal que assim fosse.






3


Achou toda a sua vida que os homens e mulheres eram todos iguais. Ele era, sem sombra de dúvida, o único que era realmente diferente.






4


Condenava com veemência a propriedade privada tal como ela existe. Queria tudo para si.






5


Diziam que nunca teve filhos porque era egoísta. Mas a verdade é outra. Ejaculou uma única vez e foi para guardar o esperma.






6


Desde pequeno que tinha um extraordinário poder. Sabia sempre onde era o centro do universo.






7


Ficava doido quando se riam dele e lhe recordavam que não era perfeito. Esse foi até um dos principais motivos porque se tornou palhaço.






8


Toda a sua vida nunca ganhou o que quer que fosse. Era tão bom que se recusava a competir.






9


Teve sempre muitas dificuldades na conjugação dos verbos. Nunca passou da primeira pessoa.






10


Todos achavam que ele era cego quando a verdade é que ele só se via a si mesmo.






11


Falava sempre de si e as pessoas às vezes aborreciam-se. Não sabiam que para ele era uma questão de vida ou de morte. Estava sempre tão cheio de si que se não se esvaziasse um pouco rebentaria.






12


Nunca deu nada, nem mesmo importância à vida. Morreu cedo.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

BLOGUES QUE ME SUGERIRAM

O HOMEM QUE SABIA DEMASIADO

A LIVREIRA ANARQUISTA

MEIA DÚZIA DE SILOGISMOS

1

As mulheres são autênticos mistérios;
os mistérios são inacessíveis;
logo, porque andam os homens atrás das mulheres?

2

Todos os homens nascem antes de morrer;
todos os homens morrem depois de nascer;
logo, todos os homens vivem antes e depois;

quanto às mulheres não sei.

3

Ele está apaixonado por ela.
Ela está apaixonada por ele.
Logo, logo, as coisas vão correr mal.

4

Os homens não ligam aos filhos.
As mulheres tratam os filhos como propriedade sua.
Os filhos são livres de atenderem as chamadas que quiserem.

5

Os homens batem nos filhos por tudo e por nada.
As mulheres fazem todas as vontades aos filhos.
Os homens e as mulheres aprendem com os pais.

6

As mulheres dizem que os homens são todos uns porcos.
Os homens dizem que as mulheres são todas umas cabras.
As mulheres e os homens gostam de metáforas com animais.


segunda-feira, 31 de outubro de 2011

10.ª SEMANA DOS ARTISTAS

[PROGRAMA COMPLETO DA 10.ª SEMANA]



NOVAS FORMAS
DE ESCREVER, LER E DAR A CONHECER A LITERATURA

1 de novembro


18:00
Contar para viver - Tixa Amaral
19.00
Apresentação de videos e pequena exibição ao vivo- Vj Zayle

22:30
LER ALTO – leituras poética de autor – leituras simples e concurso de leituras com júri.
Se escrevem venham ler. Se não, venham ouvir e dar a vossa opinião. Se quiserem podem só ler, se quiserem podem também concorrer e habilitar-se a prémios. O Ler Alto de novo nos Artistas.
Júri: Carlos Campaniço, escritor; Diogo Costa Leal, poeta; Tiago Nené, poeta
Apresentador/organizador: Pedro Afonso, poeta.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

[LITERATURA NA 10.ª SEMANA DOS ARTISTAS]

NOVAS FORMAS DE ESCREVER, LER E DAR A CONHECER A LITERATURA

Sociedade Recreativa Artística Farense – Os Artistas

Rua do Montepio, nº 10

8000-300 Faro



Dias 1 e 3 de Novembro de 2011



É preciso não só dar a mostrar as novas formas em que a literatura se produz e se revela, mas também discuti-las.

Este é o ponto de partida, e por isso se oferecem vários espaços de espectáculo e participação e discussão, privilegiando a participação do público.



PROGRAMA



Dia 1 – terça

18:00 Contar o conto – Sara Monteiro conta contos de autor

19.00 Apresentação de videos e pequena exibição ao vivo- Vj Zayle



22:30 LER ALTO – leituras poética de autor – leituras simples e concurso de leituras com júri.

Se escrevem venham ler. Se não, venham ouvir e dar a vossa opinião. Se quiserem podem só ler, se quiserem podem também concorrer e habilitar-se a prémios. O Ler Alto de novo nos Artistas.

Júri: Carlos Campaniço, escritor; Diogo Costa Leal, poeta; Tiago Nené, poeta

Apresentador/organizador: Pedro Afonso, poeta



Dia 3 – quinta

18:00 Visualização do vídeo Fragmentação, de Nuno Fernandes com Rogério Cão e videos de Mauro Amaral

Seguido de Debate – As Novas Formas da Literatura –

Paulo Pires, programador do Departamento Sociocultural do Município de Silves/ projecto Experiment’arte; Tiago Marcos, poeta e músico; Isa Mestre, escritora; Nuno Fernandes e Rogério Cão; Adriana Nogueira, escritora e professora universitária – moderador Luís Ene, escritor e radialista

Discutem-se os microcontos e outras micro formas, os novos média (Internet, videogames, DVD, etc.) e os novos suportes físicos para a escrita (ecrãs de telemóvel e de computador, Twitter), os novos poetas “performers”, os livros electrónicos e os audio-livros, os blog literários e o mais que vier a propósito, tentando apontar e problematizar as novas formas de a literatura se produzir e mostrar.



22:00 - Espectáculo SOM COM TOM – Uma visita poética e sonora pelo imaginário do ambiente de café.

leitura de textos de autor com música ao vivo – CAFÉ CURTO

escritor e leitor: Luis Ene; músicos: José Matos e Carlos Norton

(participação de actores do Grupo de Teatro Sincera)

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

PASSA A PALAVRA

REWIND


Se sentes
pressentes

que as palavras
já não te dizem

então cala-te
silencia-te

não digas mais
nada

ignora as palavras
que se dizem no silêncio

despe-te de tudo o que
está escrito em ti

há tempo demais
vezes demais

até nada mais
significar

só então
só então

no branco da folha
assim conseguida
do teu ser

começa de novo
a escrever

começa de novo
a escrever-te



sábado, 22 de outubro de 2011

POESIA EM FARO

Nasceu em Faro e está a recrutar autores.

Célula.Rubra

 

Revista Poética de Faro

SEM PALAVRAS

[para o Rogério, mas também para o Tiago e para o Diogo]

inspiro e expiro
num movimento contínuo
que me afasta
e me aproxima
de mim mesmo
e do mundo

o mundo só existe
a cada palavra que digo
a cada frase que se diz
encerrando-me
libertando-me
uma e outra vez

há nesta loucura
uma enorme tranquilidade
incomensurável
inapelável
peixe água lago
espanto primordial