Nada é simples quando se trata de palavras.
Quando se trata de palavras até a palavra simples é complicada.
um blog de Luís Ene
sábado, 6 de novembro de 2010
Contar historias
Doutor Avalanche
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Não me perguntem porquê [4]
[…]
O escritor olhou o negro da capa, atravessado pelo que parecia um ténue mas decidido raio de luz, pegou no livro, virou-o e revirou-o, folheou-o, abriu-o uma e outra vez, sopesou-o, sentiu-lhe a textura, a flexibilidade e depois atirou-o para cima da mesa e ficou a olhá-lo como se olha alguém que ainda queremos, mas já não desejamos.
Não tinha dúvidas sobre o que ia fazer: sabia o que tinha de fazer, ainda que tivesse preferido não ter de o fazer.
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Poema a preto e branco
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Destaque
Não me perguntem porquê [3]
terça-feira, 2 de novembro de 2010
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Não me perguntem porquê [2]
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
Não me perguntem porquê [1]
Perguntavas-me o que faz de alguém um escritor. Bastará ser publicado? É preciso ser reconhecido pela crítica? Vender muitos livros?
Eu dizia-te que não era nada disso, que era algo pessoal, íntimo, mas a verdade é que eu ainda não tinha respondido a essa pergunta.
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
pequenas histórias digitais (5)
Uma lagoa comeu uma nuvem. Foi assim que aconteceu.
Uma caneta bebeu uma rua. Ficou tudo na mesma.
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
pequenas histórias digitais (4)
Um muro apunhalou um gato. Foram infelizes para sempre.
Uma pedra desejou uma flor. Depois nada foi igual.
terça-feira, 26 de outubro de 2010
poemas instantâneos (5)
Todo o poema é o resultado de uma construção que se oferece ao leitor para que o reconstrua.
Já o processo de construção do poema, e há sempre um processo, consciente ou inconsciente, é outra coisa, e pode ou não ser visível e evidente.
Leia-se o que foi escrito a propósito do poema construido a duas mãos entre mim e o Gavine Rubro.
Os designados poemas instantâneos que tenho aqui publicado são produtos finais, mais ou menos conseguidos, mas são também resultado de um processo simples que pode ser reproduzido.
Deixo aqui o processo, para que o experimentem, se quiserem (podem enviar-me os resultados), e para que se interroguem por momentos se a poesia não será (também) jogo e divertimento.
Começou quando me interroguei sobre a diferença entre belo e bonito e, como muitas vezes faço, fui procurar o seu significado num dicionário on line. Foi então que olhei para o resultado como material poético e resolvi construir com ele um poema, interferindo o menos possível com o material e a ordem em que se apresentava.
Exemplifico com o primeiro dos poemas, mas podia ser qualquer um dos outros.
adj.
adj.
1. Agradável à vista ou ao ouvido.
2. Digno de menção.
3. Irón. Em bons lençóis, bem-arranjado.
s. m.
4. Brinquedo, boneco.
5. Espécie de atum.
fazê-la bonita: fazer um disparate.
Fazê-la bonita
Nem tudo o que é agradável
à vista ou ao ouvido
é digno de menção.
Quando em bons lençóis
até um atum parece
um brinquedo.
------------------------------------>Experimentem.
pequenas histórias digitais (3)
------> Um homem matou uma cegonha, e mais não sei.
------> Umas calças amaram um cão. Desapareceram sem deixar rasto.
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
poemas instantâneos (4)
Amor, - oris
Sentimento intenso
paixão
entusiasmo delicado
brandura
(faz isso com mais amor)
pode-se ou não
morrer de amor(es) e
por amor à arte
fazer amor
livre ou cortês
(vem cá amor)
com grande dedicação
ou cuidado
(se tens amor
pensas melhor)
SUL
Lembro-me de alguns detalhes da ascensão e queda da revista, contados pelo José Carlos Barros, mas não o suficiente para os reproduzir aqui.
Fica aqui o desafio a quem possa contar a história, que vale a pena ouvi-la.
pequenas histórias digitais (2)
5 813 512 222
Uma flor amou um homem. Um gato desejou um homem. Um cão amou um cão. Foi assim que tudo começou.
1 642 357 448
Um homem apunhalou uma pedra. Um cão bebeu uma flor. Uma nuvem matou uma pedra. É sempre a mesma coisa todos os dias.
domingo, 24 de outubro de 2010
Estamos tão sós
pequenas histórias digitais
1 123 245 365
Um homem comeu um cão. Um gato amou uma pedra. Uma flor bebeu uma lagoa. A moral desta história fica por tua conta, leitor.
1 948 571 627
Um muro matou uma rua. Uma cegonha desejou uma nuvem. Uma caneta apunhalou umas calças. Juro que foi isto que aconteceu.
poemas instantâneos (3)
Todo o poema é inexplicável
a poesia é um culto secreto
toma as tuas precauções
avança em segredo e
à cautela
reza dez ave-marias
e um pai-nosso
sábado, 23 de outubro de 2010
poemas instantâneos (2)
feito num
instante
repentino
rápido
assim é
o poema
poemas instantâneos (1)
Nem tudo o que é agradável
à vista ou ao ouvido
é digno de menção.
Quando em bons lençóis
até um atum parece
um brinquedo.
Belo!
Nem tudo o que é belo
é aprazível deleitoso ameno
Nem tudo o que é belo
é perfeito para o fim a que se destina
Nem tudo o que é belo
nos satisfaz completamente
Nem tudo o que é belo
é nobre generoso certo
Nem tudo o que é belo
é perfeitamente belo
só o sexo
é excelentemente
belo



