quarta-feira, 22 de setembro de 2010

sonho-te

[a ler o blog do Ler Alto descubro este poema que quase tinha esquecido, sobretudo nesta forma]









Recomendo vivamente

Estive ontem no Draculea. Gostei bastante. Recordou-me o Ler Alto. Recomendo vivamente. Como dizia o Valter, o importante são as pessoas, e havendo pessoas interessadas (apaixonadas) as coisas acontecem. Um abraço para o Valter, para a Ursula, para a Joana, para o Rogério Cão e para todos os outros que fizeram acontecer.

o que faltam é espaços e mais aposta na literatura e na poesia

O Diogo Leal (Gavine Rubro) diz:

Boa noite. Muitos escritores com certeza prévia, residem em faro. Depende, claro está, do conceito lato que se está a usar. O que será ser escritor? Aquele que escreve? Aquele que escreve e foi publicado? Ou aqueles que simplesmente gosta de literatura, arte escrita e que gosta de o criar, independentemente da publicação/critica? Acho que mesmo estes residem em faro e em maior quantidade do que aquilo que se pensa, faltam é espaços como o draculea café bar, mais aposta na poesia e literatura no pátio das letras e noutros locais como "Os artistas" inserir o conceito também. Não sou natural de Faro, sou portuense. Gosto de escrever na medida da vontade, na medida que escrevo para soltar o que sinto e o que penso, ou simplesmente criar um teatro entre linhas com ficções realistas (ou não). O draculea café bar ensinou-me muito. Nele dei mais voz aos meus poemas, nele tive conselhos de melhores escritores e nele ouvi textos lindissimos, performances fabulosas, para os clientes/amigos baterem só palmas pelo bonito do evento, não havendo debate construtivo, não por falta de tentativa da gestão do espaço, eles tentarão a partir da edição de hoje (e bem) mudar o conceito-chave para algo mais aberto à discussão. Há ainda cépticos que se vão embora quando a poesia começa e depois há outros habituais que participam, ouvem e convivem, como eu e muitas mais pessoas. Fico contente por já ir longo o numero de edições de poesia, no porto já se faz isto há algum tempo e há locais próprios que até esgotam as reservas, enfim, outras cidades, outras mentalidades. Um bem haja ao Draculea e ao luis que abrem estas discussões e divulgam enaltecendo o bom nome da poesia. Há grupos literários, o texto-al por exemplo, grupo informal de literatura do algarve no qual fazem parte sylvia beirute, pedro rodrigues, ana isa, eu e outros mais. Sinto um orgulho tremendo de estar entre escritores, sim escritores tão bons que se juntam para a partilha e aprendizagem auto-didacta. Este grupo é "presidido" pelo esritor já publicado Tiago nené e o luis ja deve com certeza conhecer o blogue :). O draculea em si também o considero uma organização literária, apenas não usa esse rótulo ;) Adorava saber que organismos apoiam a poesia e a literatura em Faro e no Algarve. Que se abra a discussão, um abraço, Diogo Leal.

[Obrigado, Diogo. Um abraço.]

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Apareçam


Hoje, a partir das 23h. DRACULEA Café Poesia.
Eu vou estar.

primeira tentativa

vejam a entrada anterior
[não tinha marcador :) ]

Transformar artigos de jornal em poesia


um desafio interessante

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Graças a Deus


No seu primeiro passeio de mota pela cidade, ainda tenso, ainda hesitante, passou em
frente à igreja de S. Pedro e, num gesto automático, benzeu-se com a mão direita, como
sempre fazia, baixando ligeiramente a cabeça, e perdeu completamente o controlo, indo
enfaixar-se num jipe que ali se encontrava estacionado. Teve morte instantânea, tão
instantânea, espero, como a sua entrada no Céu.

domingo, 19 de setembro de 2010

lit.algarve tavira



Iris Galley e Luís Ene
[fotografia de Paula Contreiras]

Pequena história do homem que não tinha história alguma


Até aos trinta anos viveu na casa onde nascera, muito depois de todos se terem ido embora. Um dia, nunca soube bem porquê, foi para além da cancela que se abria no muro que delimitava a propriedade e continuou em frente, sem nunca olhar para trás. Desde então nunca mais parou em lugar algum o tempo suficiente para que se lembrassem dele, e os que antes o tinham conhecido já há muito o haviam esquecido ou estavam mortos. Por isso escrevi esta pequena história, para que ele tenha uma história que possa ser contada muito para além da sua morte.


o estado da investigação

Convém recordar que as perguntas que norteiam a investigação em curso sobre o estado da literatura (em Faro) são as seguintes:

  1. Que escritores residem em Faro?

  2. Que grupos de escritores ou de escrita ou de leitura existem em Faro?

  1. Em que locais em Faro se reúnem os escritores?

  2. Que editores e que edições literárias têm sede em Faro?

  1. Que apoios existem em Faro para a literatura?

  2. Quem divulga/apoia em Faro os escritores que aqui residem?


Neste ponto da investigação as três primeira perguntas já receberam respostas que permitem chegar a algumas conclusões, o que não se passa com as restantes três.


Na verdade, parece que se pode afirmar com alguma segurança que existem em Faro cada vez mais pessoas a escrever mas existem poucas pessoas que se interessam (as pessoas estão desligadas), o que faz com que não exista uma verdadeira cena literária, aparecendo o Draculea Café Bar como o único lugar onde existe um actividade literária continuada (22 edições do Draculea Café Poesia), ainda que temporariamente interrompida.


Sem prejuízo de a investigação continuar a incidir sobre todas as perguntas, irei agora dar mais atenção às três últimas.


Quem quiser pode ainda responder a essas perguntas à laia de questionário (como tem acontecido) e/ou dar sugestões/indicaçõe sobre qualquer um dos pontos.


Além do mais, aguardo o retomar do Draculea Café Poesia numa destas terças, onde conto participar, e vou tentar estar nas primeira Leituras Perniciosas.


sábado, 18 de setembro de 2010

ainda o lit.algarve em Tavira

Domingo19 de Setembro de 2010, 17h30

Sunday 19 September 2010, 17h30

Casa das Artes de Tavira

Leituras pelo autores

Readings by the authors

Iris Galley; Janice Russell; Lisa Selvidge; Jill Fraser

ser publicado

Um amigo meu escreveu um livro, o seu primeiro livro. Antes tinha escrito apenas pequenos textos, alguns deles publicados numa revista. Se recordo correctamente, sempre gostou de escrever, mas nunca sonhou ser escritor. Mesmo agora, com um livro escrito, diz-se apenas uma pessoa que escreveu um livro. Diga-se de passagem que o seu coração pertence a outra arte e que é por isso que ele não se diz um escritor. É só por isso e não por o seu livro não se encontrar (ainda) publicado. Mostrou-o a duas ou três pessoas e diz ter vontade de o partilhar com outros, mas não se quer aborrecer (envolver) muito. Como é uma pessoa metódica pesquisou o mercado editorial e pensa enviar o livro a uma editora (a ver o que dá). Sou uma das pessoas que leu o livro e, na minha opinião, o livro tem qualidade e poderá ter leitores. Encontramo-nos ontem e (eu já disse que ele era uma pessoa metódica) colocou-me, sobre o assunto da publicação do livro, duas perguntas.

Não me recordo com exactidão da primeira pergunta, mas recordo-me mesmo assim do que lhe disse. Falei-lhe da minha experiência como autor publicado, como blogger, como aprendiz de editor e de promotor da escrita e da leitura; disse-lhe que a maior parte das editoras não aposta verdadeiramente nos seus autores nem nos seus produtos, ainda que haja algumas, poucas, que o fazem; falei-lhe do custo de edição e do pouco que sei do negócio dos livros. Perguntei-lhe da sua necessidade de publicar; falei-lhe de como existiam neste momento em Faro vários autores – ele incluído – que podiam (deveriam) aqui ser editados, o que pouco custaria aos que por estas bandas tem a obrigação de apoiar a cultura. E mais. E mais. E mais.

E então ele fez-me a segunda pergunta.

  • E ganha-se dinheiro?

Esta pergunta era muito mais fácil de responder e até lhe podia ter dito apenas que não, que nem por isso, mas expliquei-lhe o quanto normalmente um autor ganha, o que em muitos casos é zero, nicles, népia. Ou isso ou ganha-se uma enorme dor de cabeça e uma enorme aversão ao “sistema”.

hoje vou estar por aqui

Guia Algarve Shopping-Fórum FNAC - 15 horas
Concurso de dramatização de poemas
Inscrição: alfacult@gmail.com
Poetry Slam
Registration: alfacult@gmail.com


Lagoa- Fatacil - 10/22 horas

Maratona de leitura & Mais

Encontro com mais de 40 autores

Participação espontânea do público de todas as

idades. Música, cenas de teatro.

Actividades recreativas.


programa completo do lit. algarve

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

é já amanhã!



NÃO FALTES SEM JUSTIFICAÇÃO :)

pequenas histórias

estavam dispersas por várias etiquetas. juntei-as todas em pequenas histórias.

Egito Gonçalves



ALDEBARAN

Toda a tarde colhi amoras num poema de Ginsberg,
mastigando-as com alguns pensamentos desordenados
que em ti se detinham - como numa paragem de autocarro.
Depois fizemos café numa velha cafeteira
arruinada
que Allen encontrara ao limpar as ervas
da sua nova casa de campo
em Berkeley. Enquanto bebíamos
expliquei-lhe as razões que tornavam o teu nome
impronunciável
e o escondiam numa estrela. Falei-lhe disso
e da tua indesmentível energia pélvica.
Sentiamo-nos ambos muito sós
a cortar em fatias sanduiches de realidade.

[encontrado aqui]

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Lugares



ele não pertencia àquele lugar
ele não pertencia de todo àquele lugar

era óbvio
evidente
esmagador

mas

no entanto

ele permanecia naquele lugar
ele ia permanecendo naquele lugar

é verdade antiga:
o paraíso e o inferno
são apenas lugares

lugares ao nosso alcance

lugares à nossa escolha


ANDAR & CAIR



Eu desejava-te. E andava à tua procura.
Mas não conseguia encontrar-te.
Eu desejava-te. E andava à tua procura todo o dia.
Mas não conseguia encontrar-te. Não conseguia encontrar-te.

Vais a andar. E nem sempre dás por isso,
Mas estás sempre a cair.
A cada passo cais um pouco para a frente .
E então impedes-te de cair.
uma e outra vez estás a cair.
e então impedes-te de cair.
E é desse modo que consegues andar e cair ao mesmo tempo.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

incontinência cultural

Esta entrada não se refere ao estado da literatura mas sim ao estado do meu amigo Luís e do seu novo blog, em continência cultural, digo, incontinência cultural.

LEITURAS PERNICIOSAS

Agora, nas últimas 6ªs f. de cada mês, à noite, o Pátio de Letras passa a apresentar: “A ÚLTIMA SEXTA - LEITURAS PERNICIOSAS”: sessões de poesia e música
A 1ª sessão é no dia 24, às 22 horas, com Joaquim Morgado (poesia) e Strak (contrabaixo).

último aviso




DESTAQUES :)

dia 17 de Setembro, 11:30 h, Biblioteca Municipal de Tavira

Peter Cunnigham

Éilís Dhuibhne

dia 18, 15:00 h Fórum FNAC - Guia Algarve Shopping
Concurso de dramatização de poemas
Inscrição: alfacult@gmail.com
Poetry Slam
Registration: alfacult@gmail.com

Vou estar presente nos dois eventos, como moderador, e conto com vocês. Devo ter 2 ou 3 lugares no carro, se alguém quiser boleia :)

Moto continuo






doia-lhe sempre todavia nalguns momentos doia-lhe menos
amava sempre todavia nalguns momentos amava menos
amava muito todavia nalguns momentos amava menos
amava muito mas nalguns momentos amava menos
amava muito mas às vezes amava menos
amava muito mas às vezes amava demais
doia-lhe muito mas às vezes doia-lhe demais




uma casa em Beirute

Origado Silvia, pela referência. Tenho visitado Uma casa em Beirute com prazer e frequência, inclui-o na lista de blogues e fiz-lhe referência em alguns posts por causa das suas apreciações sobre poesia. Mas o resto (o principal) são os poemas e esse é o coração do blog, sem dúvida um blog literário.

FOTOPOEMA SOBRE O TEMPO

sou feliz mas não sou feliz. a
realidade é transitiva, cobarde;
ser feliz é respeitar
as proporções entre mim
e a imagem que me emoldura;
proporções de tempo, espaço,
som e densidades várias.
e um sorriso maior que o perímetro da
imagem que agora vês
sempre se tornará invisível,
despredominante, desamanhecedor do
destino que se presume independente
da infantilização de todo o tempo.

"as pessoas felizes
não tiram fotos ao passado", dizes tu,
do lado externo da neblina escura do papel,
como se eu não pudesse ouvir
ou contaminar de negação.

Sylvia Beirute
inédito

terça-feira, 14 de setembro de 2010

o incendiário

admirava-se sempre com a facilidade com que a gasolina entrava em COMBUSTÃO.



A Dor de Monterroso

Doía-lhe sempre, mas às vezes doía-lhe menos.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

não representar a palavra

Não resisto a transcrever quase por inteiro a entrada que encontrei através daqui. É que não podia estar mais de acordo com o Leonard Cohen e, ainda que aqui e ali tenha pisado a linha a dizer poesia (e contos também), sempre defendi que não se devia representar a palavra, o que sempre levantou muitas criticas negativas...




“Tome a palavra borboleta. Para usar essa palavra não é necessário fazer a voz pesar menos do que uma onça ou equipá-la com pequenas asas empoeiradas. Não é necessário inventar um dia ensolarado ou um campo de narcisos. Não é necessário estar amando, ou estar apaixonado por borboletas. A palavra borboleta não é uma borboleta real. Há a palavra e a borboleta. Se você confunde esses dois itens as pessoas têm o direito de rir de você. Não faça muito da palavra. Você está tentando sugerir que você ama borboletas mais perfeitamente que qualquer outro, ou realmente entende sua natureza? A palavra borboleta é apenas dado. Não é uma oportunidade pra você pairar, planar, fazer amizade com flores, simbolizar beleza e fragilidade, ou de qualquer forma personificar uma borboleta. Não represente palavras. Nunca represente palavras. Nunca tente sair do solo quando você fala sobre voar. Nunca feche seus olhos e puxe rapidamente sua cabeça para um lado quando você fala de morte. Não fixe seus olhos flamejantes em mim quando você fala de amor. Se você quer me impressionar quando você fala de amor ponha sua mão no bolso ou embaixo de seu vestido e brinque com você mesma. Se a ambição e a fome por aplausos tem te guiado a falar sobre amor você deveria aprender como fazer isso sem desonrar você mesma ou o material.
Qual é a expressão que a nossa era demanda? A era não demanda expressão de qualquer forma. Nós temos visto fotografias de mães asiáticas de luto. Nós não estamos interessados na agonia de seus órgãos descuidados. Não há nada que você possa mostrar em sua face que possa se comparar ao o horror deste tempo. Nem mesmo tente. Você vai apenas se conservar no desprezo daqueles que sentem as coisas profundamente. Nós temos visto reportagens de humanos em extremos de dor e deslocamento. Todo mundo sabe que você está comendo bem e está mesmo sendo pago para ficar aí de pé. Você está brincando com pessoas que experimentaram uma catástrofe. Isso deveria te deixar muito quieto.
Fale as palavras, expresse os dados, um passo pro lado. Todo mundo sabe que você está sofrendo. Você não pode contar à audiência tudo que você sabe sobre amor em cada linha de sua fala. Dê um passo pro lado e eles saberão o que você sabe porque eles já sabem mesmo. Você não tem nada a ensiná-los. Você não é mais bonito do que eles são. Você não é mais sábio. Não grite com eles. Não force uma entrada a seco. Isso é sexo ruim. Se você mostrar as linhas de sua genital, então entregue o que prometeu.
E lembre-se que a maioria das pessoas não querem realmente um acróbata na cama. Qual é a nossa necessidade? Estar perto do homem natural, estar perto da mulher natural. Não finja que você é um cantor adorado com uma vasta e leal audiência que seguiu os altos e baixos de sua vida até este último momento. As bombas, os lança-chamas, e toda aquela merda que destruíu mais do que árvores e vilas. Eles também destruíram o palco. Você pensou que sua profissão escaparia à destruição geral? Não há mais palco. Não há mais luzes da ribalta. Você está entre as pessoas. Então seja modesto. Fale as palavras, expresse os dados, passo pro lado. Fique sozinho. Fique no seu quarto. Não se coloque.
Esta é uma paisagem interior. É dentro. É privado. Respeite a privacidade do material. Estes pedaços foram escritos em silêncio. A coragem do jogo é falá-los. A disciplina do jogo é não violá-los. Deixe a audiência sentir seu amor pela privacidade mesmo que não haja privacidade. Seja uma boa puta. O poema não é um slogan. Não pode fazer propaganda de você. Não pode promover sua reputação de sensibilidade. Você não é um garanhão. Você não é um matador. Todo esse lixo sobre gangsters do amor. Você é um estudante da disciplina. Não represente as palavras. As palavras morrem quando você as representa, elas murcham, e somos deixados sem nada a não ser com sua ambição.
Fale as palavras com a exata precisão com a qual você checaria uma lista da lavanderia. Não se torne emotivo sobre a renda da blusa. Não fique de pau duro quando você diz calcinhas. Não fique cheio de calafrios por causa da toalha. Os lençóis não deveriam provocar uma expressão sonhadora sobre os olhos. Não há necessidade de chorar no lenço. As meias estão lá não para te lembrar de estranhas e distantes viagens. É apenas a tua lavanderia. São apenas suas roupas. Não fique espiando através delas. Apenas as use.
O poema não é nada mais do que informação. É a Constituição de um país interno. Se você o declama e o explode com suas nobres intenções então você não é melhor que os políticos que você despreza. Você é apenas alguém balançando uma bandeira e fazendo o apelo mais barato para um certo tipo de patriotismo emocional. Pense nas palavras como ciência, não como arte. Elas são um relatório. Você está falando diante de um encontro do Clube de Exploradores da National Geographic Society. Essas pessoas conhecem todos os riscos de se escalar montanhas. Eles te honram por tomar isso por certo. Se você enrubescer suas faces fazendo o contrário será um insulto à hospitalidade deles. Fale pra eles da altura da montanha, sobre o equipamento que você usou, seja específico sobre as superfícies e o tempo que tomou para escalá-la.. Não trabalhe com a audiência buscando arquejos e suspiros. Se você está buscando arquejos e suspiros não será de sua apreciação do evento mas da deles. Serão as estatísticas e não a voz trêmula ou o cortar do ar com suas mãos. Estará nos dados e na quieta organização de sua presença.
Evite o floreio. Não tenha medo de ser fraco. Não fique com medo de ficar cansado. Você fica bem quando está cansado. Você parece como se pudesse ir adiante pra sempre. Agora vem pros meus braços. Você é a imagem da minha beleza.”

do livro “Death of a Lady’s Man” de Leonard Cohen.

domingo, 12 de setembro de 2010

Retrato em tons de azul



Quando acordou o mundo ainda estava ali:
um velho filme mudo que todos os dias se
esforçava por legendar: doia-lhe um pouco
a cabeça e os olhos ardiam-lhe ligeiramente:
deixou que John Mclaughlin lhe emprestasse
um sentido e sentou-se a escrever: uma frase
duas frases três frases: escrevia e rasurava: es
crevia de novo e de novo rasurava: sorria mas
os olhos estavam tristes: entre as palavras e o
mundo uma irremediavel dessincronia.

O Terceiro Homem



O Terceiro Homem foi uma criação de três ingleses: Carol Reed, o romancista Graham Greene e o produtor Alexander Korda.

poesia na rua



visto aqui: programa completo

sábado, 11 de setembro de 2010

Blue collar




Aquele que vai partir um dia partirá:
tudo o que existe um dia desaparecerá:
não importa o que sentes: é a ordem na
tural das coisas que assim o determina:
mas tu sabes: não são só os corpos que
se amam: os corações batem sempre a des
compasso: as almas fundem-se sem apelo
no azul: não desesperes: não tens de
aceitar a realidade: faz da tua dor a
tua liberdade: tu és o lado de dentro e
o lado de fora: o poema [tal como a vida]
escreve-se ao mesmo tempo que é escrito: