








Nada é simples quando se trata de palavras.
Quando se trata de palavras até a palavra simples é complicada.
um blog de Luís Ene










Até aos trinta anos viveu na casa onde nascera, muito depois de todos se terem ido embora. Um dia, nunca soube bem porquê, foi para além da cancela que se abria no muro que delimitava a propriedade e continuou em frente, sem nunca olhar para trás. Desde então nunca mais parou em lugar algum o tempo suficiente para que se lembrassem dele, e os que antes o tinham conhecido já há muito o haviam esquecido ou estavam mortos. Por isso escrevi esta pequena história, para que ele tenha uma história que possa ser contada muito para além da sua morte.
Convém recordar que as perguntas que norteiam a investigação em curso sobre o estado da literatura (em Faro) são as seguintes:
Que escritores residem em Faro?
Que grupos de escritores ou de escrita ou de leitura existem em Faro?
Em que locais em Faro se reúnem os escritores?
Que editores e que edições literárias têm sede em Faro?
Que apoios existem em Faro para a literatura?
Quem divulga/apoia em Faro os escritores que aqui residem?
Neste ponto da investigação as três primeira perguntas já receberam respostas que permitem chegar a algumas conclusões, o que não se passa com as restantes três.
Na verdade, parece que se pode afirmar com alguma segurança que existem em Faro cada vez mais pessoas a escrever mas existem poucas pessoas que se interessam (as pessoas estão desligadas), o que faz com que não exista uma verdadeira cena literária, aparecendo o Draculea Café Bar como o único lugar onde existe um actividade literária continuada (22 edições do Draculea Café Poesia), ainda que temporariamente interrompida.
Sem prejuízo de a investigação continuar a incidir sobre todas as perguntas, irei agora dar mais atenção às três últimas.
Quem quiser pode ainda responder a essas perguntas à laia de questionário (como tem acontecido) e/ou dar sugestões/indicaçõe sobre qualquer um dos pontos.
Além do mais, aguardo o retomar do Draculea Café Poesia numa destas terças, onde conto participar, e vou tentar estar nas primeira Leituras Perniciosas.
Domingo19 de Setembro de 2010, 17h30
Sunday 19 September 2010, 17h30
Casa das Artes de TaviraLeituras pelo autores
Readings by the authors
Iris Galley; Janice Russell; Lisa Selvidge; Jill Fraser
Um amigo meu escreveu um livro, o seu primeiro livro. Antes tinha escrito apenas pequenos textos, alguns deles publicados numa revista. Se recordo correctamente, sempre gostou de escrever, mas nunca sonhou ser escritor. Mesmo agora, com um livro escrito, diz-se apenas uma pessoa que escreveu um livro. Diga-se de passagem que o seu coração pertence a outra arte e que é por isso que ele não se diz um escritor. É só por isso e não por o seu livro não se encontrar (ainda) publicado. Mostrou-o a duas ou três pessoas e diz ter vontade de o partilhar com outros, mas não se quer aborrecer (envolver) muito. Como é uma pessoa metódica pesquisou o mercado editorial e pensa enviar o livro a uma editora (a ver o que dá). Sou uma das pessoas que leu o livro e, na minha opinião, o livro tem qualidade e poderá ter leitores. Encontramo-nos ontem e (eu já disse que ele era uma pessoa metódica) colocou-me, sobre o assunto da publicação do livro, duas perguntas.
Não me recordo com exactidão da primeira pergunta, mas recordo-me mesmo assim do que lhe disse. Falei-lhe da minha experiência como autor publicado, como blogger, como aprendiz de editor e de promotor da escrita e da leitura; disse-lhe que a maior parte das editoras não aposta verdadeiramente nos seus autores nem nos seus produtos, ainda que haja algumas, poucas, que o fazem; falei-lhe do custo de edição e do pouco que sei do negócio dos livros. Perguntei-lhe da sua necessidade de publicar; falei-lhe de como existiam neste momento em Faro vários autores – ele incluído – que podiam (deveriam) aqui ser editados, o que pouco custaria aos que por estas bandas tem a obrigação de apoiar a cultura. E mais. E mais. E mais.
E então ele fez-me a segunda pergunta.
E ganha-se dinheiro?
Esta pergunta era muito mais fácil de responder e até lhe podia ter dito apenas que não, que nem por isso, mas expliquei-lhe o quanto normalmente um autor ganha, o que em muitos casos é zero, nicles, népia. Ou isso ou ganha-se uma enorme dor de cabeça e uma enorme aversão ao “sistema”.
Guia Algarve Shopping-Fórum FNAC - 15 horas
Concurso de dramatização de poemas
Inscrição: alfacult@gmail.com
Poetry Slam
Registration: alfacult@gmail.com
Lagoa- Fatacil - 10/22 horas
Maratona de leitura & Mais
Encontro com mais de 40 autores
Participação espontânea do público de todas as
idades. Música, cenas de teatro.
Actividades recreativas.
