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quarta-feira, 15 de setembro de 2010

último aviso




DESTAQUES :)

dia 17 de Setembro, 11:30 h, Biblioteca Municipal de Tavira

Peter Cunnigham

Éilís Dhuibhne

dia 18, 15:00 h Fórum FNAC - Guia Algarve Shopping
Concurso de dramatização de poemas
Inscrição: alfacult@gmail.com
Poetry Slam
Registration: alfacult@gmail.com

Vou estar presente nos dois eventos, como moderador, e conto com vocês. Devo ter 2 ou 3 lugares no carro, se alguém quiser boleia :)

uma casa em Beirute

Origado Silvia, pela referência. Tenho visitado Uma casa em Beirute com prazer e frequência, inclui-o na lista de blogues e fiz-lhe referência em alguns posts por causa das suas apreciações sobre poesia. Mas o resto (o principal) são os poemas e esse é o coração do blog, sem dúvida um blog literário.

FOTOPOEMA SOBRE O TEMPO

sou feliz mas não sou feliz. a
realidade é transitiva, cobarde;
ser feliz é respeitar
as proporções entre mim
e a imagem que me emoldura;
proporções de tempo, espaço,
som e densidades várias.
e um sorriso maior que o perímetro da
imagem que agora vês
sempre se tornará invisível,
despredominante, desamanhecedor do
destino que se presume independente
da infantilização de todo o tempo.

"as pessoas felizes
não tiram fotos ao passado", dizes tu,
do lado externo da neblina escura do papel,
como se eu não pudesse ouvir
ou contaminar de negação.

Sylvia Beirute
inédito

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

o lambe-cuzismo nacional

Caro Luís,

1- os grandes grupos de escritores/artistas fazem-se (faziam-se) de afinidades que resultavam em grandes amizades. Relembro o ainda vivo exemplo português: Júlio Pomar, Lobo Antunes, Cardoso Pires, Fernando Lopes, entre outros. Será isso possível?

2- Qual o estimulo de um escritor para viver em Faro? O que é que a cidade de Faro tem que seja apelativo? E atenção porque, quanto a mim, Faro tem muito potencial (à semelhança de Guimarães que se transformou numa cidade muito bonita e restaurada).

3- Quanto às editoras, também eu me tenho perguntado sobre isso. E não venham com a conversa dos apoios: dou alguns exemplos, um de respeito, outros mais recentes: Antígona, Ahab, Livros de Areia: editoras de relevo e independentes.

É preciso, sim, proteger as pequenas editoras.

4- o melhor apoio para a literatura é a leitura e divulgação, a prática da tertúlia, a conversa despretensiosa e sem lambe-cuzismos. Coisa que muito se vê por aí, incluindo neste site e em Faro com alguns dos literários que por aí andam.

Aníbal Teixeira

[publicado em aqui, num dos blogs onde eu tinha deixado um inquérito]

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Vão-se queixando que eu já fui!

A discussão sobre o estado da literatura entrou em marcha lenta (ainda que a investigação continue) e penso que é de dizer-se neste momento que em Faro há e tem havido nos últimos anos pessoas e grupos de pessoas que têm tentado fazer e tem efectivamente feito alguma coisa. Os apoios e os resultados é outra história mas não invalida a primeira. Que aqui fique dito. E que se continua a fazer.
Isto vem a propósito do que já aqui se publicou e comentou, e em especial de um último comentário em entrada de já há alguns dias e que a seguir destaco. Obrigado a todos. Obrigado Rubi.

Diz o Rubi:

Enfim. Li. Liguei-me. Sou pessoa. Queremos quantidade para sentir forte a nossa vontade. Já nem sei o que vale a pena ser dito. Sei que é preciso comer, beber, vestir, ter computador com net, tecto e cama. Sei que é preciso ir para a rua. Sei também que só fabricando um mosteiro aberto à educação, à recriação e à investigação sob o lema de pobreza, caridade e alegria se conseguirá porventura fazer algo consistente em Faro. A cena artística existe nesta cidade e vê-se nas gerações mais velhas o quão desprezada é, formando corpos transeuntes ou corpos abutrivos. Esta cidade é um poço de ecos a tentarem escapar da espiral de vento enrolado. Impregnados por uma viscosa densa. Sufocados de tanta incompetência labiríntica sem rosto, sem sensibilidade, sem visão de um povo. Tacanho modo de vida. Escrevam carros e praias sujas na moda de salpicos presunçosos sem lonjura de pensamento.
Quem, do que tem sido sempre feito em faro, sabe dar seguimento físico? Aqui só se fala... não se apoia! Não se abre a porta e arrisca! Não se partilha do que é "seu" pois não se sabe ter maior ceu! Aqui tem-se medo que um comerciante tenha um sucesso maior do que o seu! Quando o sucesso de um ser maior é alimento para muitos seres maiores! Continuamos a reunirnos sim... mas longe daqui! e a nossa obra não precisa de ser esquecida pois a nossa obra já não existe! E o que ficar escrito será sempre pouco para dizer o que esta cidade foi. Não sei muito. Não tenho medo de fazer. Mas quem quer que eu faça? Todos querem. E o que como eu? Como como comia antes de saber como comer - não comendo! Morro então mais sossegado. Afinal não estava desligado como pessoa, apenas não existia comida em Faro! É fácil dizer que as pessoas estão desligadas quando não se assume a responsabilidade de nos alimentarmos uns aos outros! Vão-se queixando que eu já fui! Abraços e Boas investigações. Estou na brasileira a falar com o Fernando Pessoa! (Não levem a mal porque existo e estou errado)

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

detesto escrever... notas biográficas



Luís Nogueira, que assina o que escreve como Luís Ene, tinha 16 anos em 25 de Abril de 1974 e reside actualmente em Faro, onde passou grande parte da sua infância e a adolescência. Em 2002, foi vencedor da 1ª edição do concurso Novos Talentos com o romance A Justa Medida, publicado pela Porto Editora. No mesmo ano criou o blog Mil e Uma Pequenas Histórias, fazendo em simultâneo a sua entrada no mundo dos blogs e na arte da micro-narrativa. Desde então manteve vários blogs e publicou três livros: Blogs (em colaboração com Paulo Querido), Mil e uma pequenas histórias (Leiturascomnet, 2005) e Muchas vezes me sucede olvidar quien soy ( colecção Palavra Ibérica, 2006). Está representado na Antologia de Poesia Portuguesa Actual - Poema Poema (Aullido. Huelva, 2006), na antologia Contos de Algibeira (Porto Alegre, Casa Verde, 2007) e na Primeira Antologia de Micro-Ficção Portuguesa (Lisboa, êxodus, 2008). Foi fundador e co-editor da Minguante, revista de micro-narrativas on line. Manteve durante dois anos um programa semanal dedicado à literatura na Rádio Universitária do Algarve. Faz parte do projecto musical SomComTom.

domingo, 5 de setembro de 2010

dizer poesia

Para aqueles que afirmam a pés juntos não conseguirem dizer poesia aconselho-os a experimentar dizer Mário Cesariny

Ama como a estrada começa

ou António Ramos Rosa

....O ar......passa....
através das palavras

ou ainda, porque não, Tiago Nené (Mots-valise)

incrível como são os olhos com sede
os que deixam cair a água

de forma pausada, quase soletrando as palavras.
Vão ver que funciona.

Fico à espera de ouvir dizer esses poemas por aí.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

poetry slam


Espreito a televisão e volto a pensar no estado da literatura ao ouvir falar de poetry slam. Investigo e parece-me uma boa ideia, seja em que moldes for. Quem quer pegar nisto em Faro?
Valter, estás a ler-me?


investigação em curso

A investigação sobre o estado da literatura aqui iniciada vai continuar, mas aguarda respostas e desenvolvimentos que lhe são alheios, reflectindo afinal o seu estado o próprio estado do seu objecto de investigação: em banho-maria.
Altura de reler/analisar o que já aqui foi avançado, fazer um balanço provisório e seguir em frente.
Façam o mesmo e vão dizendo coisas.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

obrigado António

Na investigação sobre o estado da literatura (em Faro) era inevitável que, mais tarde ou mais cedo, acabasse por tropeçar nos "poetas que em 1961 publicaram, em Faro, a revista Poesia 61, cujo título viria a identificar um movimento literário que deixou uma marca indelével na História da Literatura Portuguesa.

Obrigado António, foi preciso tropeçar nisto para me lembrar de quanto gostas de poesia e de quanto a tens divulgado no teu blog.

lit.algarve

A investigação sobre o estado da literatura toma um novo caminho com o conhecimento da próxima realização do primeiro Festival Internacional de Literatura do Algarve, o lit.algarve 2010, que decorrera entre 16 e 19 deste mês em diversos locais do Algarve, e que é dinamizado pela ALFA, Associação da Literatura e do Filme do Algarve.

Oscilo entre a satisfação (pela realização do Festival) e o espanto (ligeiro) de ser realizado por estrangeiros residentes em Portugal. Na verdade conheço no Algarve outras situações ligadas às artes plásticas.

Português que sou, apetece-me lamentar-me e intrigar, o que sem dúvida suscitaria que mais pessoas participassem nesta discussão, sobretudo se eu jogasse umas achas na fogueira, dizendo que, perante isto, quero é ser estrangeiro, ou que os portugueses gostam é de falar mal e fazer pouco, o que se estende sem dúvida ao meio literário.

Mas não vou fazer nada disso. Vou é congratular-me com o o Festival, participar e continuar a investigação. E viva a literatura.

Programa completo.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Agradecimentos

[o estado da literatura]


Além do mais que disseram,
o Tiago disse que as pessoas estão desligadas,
a Vânia sugeriu que o Ministério da Cultura, a biblioteca e a Universidade do Algarve fossem "investigados",
o Pedro afirmou que não há uma cena artística em Faro, e
o Valter referiu que só faltava uma coisa a esta discussão: pessoas...

Por tudo isto, lembrei-me de colocar o "questionário" que aqui surgiu na caixa de comentários dos blogs daqui - ali à direita ------------------>
e ficar à espera de respostas. Estou então à espera.

Agradecimentos aos referidos no início e aos donos dos blogs que "apanharam" com o questionário, que continua aberto a todos que quiserem respondê-lo.

Que escritores residem em Faro?
Que grupos de escritores ou de escrita ou de leitura existem em Faro?
Em que locais em Faro se reúnem os escritores?
Que editores e que edições literárias têm sede em Faro?
Que apoios existem em Faro para a literatura?
Quem divulga/apoia em Faro os escritores que aqui residem?

só falta uma coisa: pessoas...

O Valter diz:

"Poder-se-á dizer que haverá escritores em Faro que estão desempregados, talvez, mas neste momento não creio que os haja também", diz o Pedro Afonso. Eu acrescentaria uma acha mais à fogueira: em Faro existem certamente muitos escritores desempregados à busca do primeiro emprego!

Isto leva-me a tecer a seguinte consideração acerca do "ser-se ou não escritor, eis a questão": o importante, no fundo, é escrever (e ler antes de escrever e escrever depois de ler...); aliás, escrevermo-nos continuamente, para irmos descobrindo a nossa voz, a nossa identidade - que porventura será o feito mais difícil de conseguir nesta coisa da escrita... o ser-se publicado ou não... bem, cada vez é mais fácil ser-se publicado, basta pagar - há umas quantas editoras "especializadas" neste tipo de edição... mas terá uma edição um efeito de, digamos, upgrade qualitativo na obra de um escritor? Creio que não. Aliás, o conceito de qualidade varia de pessoa para pessoa e de época para época... Aliás, na primeira aula de "Estudos literários", o prof. Paulo Pereira fez uma pergunta a que não sei responder nem ninguém ma respondeu durante toda a frequência do curso: "o que é isso da literatura?"...

Quando leio o Pedro a dizer que em Faro não há uma vivência artística por não haver sequer uma cena artística, lembro-me de uma coisa que costumo dizer: "as cidades são as pessoas", o que vai dar mais ou menos à mesma coisa se disser que "as cenas são as pessoas (que as fazem)". Não tenho dúvidas que em Faro (e arredores - sendo que os arredores de Faro têm necessariamente de ser todo o Algarve, não fosse esta a sua capital...) existe muita qualidade, não só ao nível da escrita, como da música, das artes plásticas, das artes performativas etc. E as pessoas existem, estão aí, e se estão as pessoas estão também as obras - feitas ou por fazer... Acima de tudo, o que noto é que há uma grande falta de vontade (por vergonha? por pessimismo? por falta de auto-estima?) em reunir essas pessoas... a malta prefere os copos à arte, esquecendo-se de que a combinação da arte com a boémia pode dar coisas muito bonitas... Foi o esse o motivo principal da abertura de um sítio como o DRACULEA, mas... "as cidades são as pessoas" e as pessoas em Faro não querem nada mais para além do que é fácil e do que já está implementado. É fácil ouvir e criticar; o complicado (mas que é "d'homem"...) é falar e ter estofo para ser-se criticado...

P.S.: discussão boa esta que se gerou aqui no blog do Luís... só falta uma coisa: pessoas... entendem-me?

domingo, 29 de agosto de 2010

Achas que és escritor?

[lê o estado da literatura - responde ao questionário.]


Interessam-me mais as perguntas do que as respostas e evito respostas definitivas. É claro que às vezes é conveniente saber do que estamos a falar e criar, para esse efeito, alguns consensos.

Há alguns anos atrás, quando eu tinha mais dúvidas do que agora sobre esse assunto, um amigo interrogava-me constantemente sobre o que é ser escritor e quando eu avançava com algumas respostas (provisórias) ele abanava-as uma a uma, para meu desespero.

Ser escritor é um estado, uma maneira de ser, e não uma profissão (embora existam escritores que fazem da escrita profissão). Assim, não me parece que para se ser escritor se tenha de viver da escrita, ou sequer ganhar com a escrita. Da mesma forma, para se ser escritor não se tem de estar publicado, em livro ou revista.

Uma questão que me parece interessante – talvez das únicas - é a de saber se a publicação em blog de originais deve ou não ser considerada publicação para se dizer que um determinado escritor é ou não um escritor publicado. Não vejo muitos escritores que publicam em blogues fazerem essa referência no seu curriculum.

Escritor é aquele que se diz escritor e/ou é reconhecido como tal. Esclareça-se que os escritores (quase todos) ganham pouco dinheiro com as suas publicações, a grande maioria muito pouco ou nada e alguns até pagam para ser publicados.

Por isto (nesta investigação) falo apenas em escritores e nem os distingo, como poderia fazer (poetas, contistas, romancistas...). Prefiro deixar os termos abertos a fechá-los. Prefiro que os investigados avancem com as suas próprias definições.

--->

Escritor ô)
s. m.
1.Autor de obras literárias ou científicas (com relação ao estilo, à forma que emprega).
escritor público: literato de profissão.

--->

Curiosamente, não encontrei no Citador qualquer citação ou pensamento com o tema escritor, mas recomendo os pensamentos com o tema escrita.

Deixo aqui um:

Senta-te diante da folha de papel e escreve. Escrever o quê? Não perguntes. Os crentes têm as suas horas de orar, mesmo não estando inclinados para isso. Concentram-se, fazem um esforço de contensão beata e lá conseguem. Esperam a graça e às vezes ela vem. Escrever é orar sem um deus para a oração. Porque o poder da divindade não passa apenas pela crença e é aí apenas uma modalidade de a fazer existir. Ela existe para os que não crêem, como expressão do sagrado sem divindade que a preencha. Como é que outros escrevem em agnosticismo da sensibilidade? Decerto eles o fazem sendo crentes como os crentes pelo acto extremo de o manifestarem. Eles captarão assim o poder da transfiguração e do incognoscível na execução fria do acto em que isso deveria ser. Escreve e não perguntes. Escreve para te doeres disso, de não saberes. E já houve resposta bastante.

Vergílio Ferreira, in "Pensar"

em Faro não há "cena artística"

[o estado da literatura]

Pedro Afonso responde:

Não me é fácil responder a estas perguntas, pois aquilo com que se prendem são assuntos não estanques e que se ramificam e vêm enraizados para e de muitos sítios. Aliás, não sei se a literatura tem um "estado", acho que ela até se livra disso, felizmente. Mas vou tentar.

Que escritores residem em Faro?

- o que é um escritor? Para mim "escritor" é uma profissão, sendo um "escritor" alguém que vive da escrita. Estando nós aqui a falar de literatura estaríamos a falar de pessoas que vivem da escrita de literatura. Assim sendo, de que eu tenha conhecimento, não há nenhum escritor em Faro. Poder-se-á dizer que haverá escritores em Faro que estão desempregados, talvez, mas neste momento não creio que os haja também, não tenho conhecimento de ninguém em Faro que tenha vivido da escrita e que agora já não o consiga fazer. Há alguns de Faro que são escritores, mas para isso tiveram que ir embora de cá.

É claro que há em Faro quem escreva. Há autores ou criadores em Faro. Conheço algumas pessoas que escrevem e que têm trabalhos de qualidade, um ou outro de muita qualidade, e muitos outros que escrevem coisas banais e sem grande interesse. Haverá muitos também que eu não conheço, até porque não sigo os blogs desde há uns tempos e estes são, sem dúvida, uma plataforma importante para quem escreve e mostra o que escreve. Mas há quem escreva e quando isso é um prazer e uma busca é sempre importante, para o próprio.

Que grupos de escritores ou de escrita ou de leitura existem em Faro?

De escrita e de leitura de momento, não sei bem. Creio que o texto-al se mantém, não sei se só na net ou se também "fisicamente".
Há o Sulscrito, o qual durante muito tempo teve vários projectos, e que é agora uma "entidade" que se transformou na base de vários projectos coordenados pelo Fernando Esteves Pinto, como a participação portuguesa nos projectos de Punta Umbria (colecção, prémio e encontro Palavra Ibérica), a Editora 4águas, a Editora PopSul. Mas nenhum destes projectos tem já base em Faro, pois nenhum deles teve nunca apoio das entidades locais. Mas são dos projectos mais importantes na área da literatura do Algarve.

Há, creio, alguns grupos de leitura, privados, fechados, grupos de amigos que se reunem para falar do que lêem, para mostrar o que escrevem. Estes há-os e haverá sempre, independentemente daquilo que sai para a rua.

Há também a iniciativa do Draculea, às 3ªs feiras, que à semelhança do LerAlto (espaço de leitura que existiu 2 anos nos Artistas), reune vários dos autores que andam por Faro. Infelizmente, apenas pude ir a essas 3ªs feiras um par de vezes, mas foi bom e tentarei lá voltar, vale a pena, copos e literatura sempre me fizeram muito bem.

Em que locais em Faro se reúnem os escritores?

Partindo do princípio que não há escritores... De qualquer forma, creio que os autores reúnem-se com os seus amigos e não uns com os outros. Acho que em Faro não há um sítio em que se reúnam autores e artístas, ou pelo menos não o há naquela perspectiva de uma tertúlia, de um GRUPO identificável de artistas. Aliás, em Faro não há "cena artística", por isso também não há "vivência" artística. Muito teria que mudar para se chegar até esse nível, novamente (porque já houve).

Que editores e que edições literárias têm sede em Faro?

Que eu saiba há o J. Carrapato e as Suas Ed. Sotavento, algumas coisitas publicadas pela Câmara e coisas dispersas. Já não há revistas literárias sediadas em Faro e os projectos editoriais mais interessantes do Algarve têm sede em Olhão e Tavira.
A revista Sulscrito, que continua, já não está em Faro, mas o mais recente nº (junho de 2010) saiu com o apoio de um comerciante da baixa de Faro. Tem vários autores de Faro e do Algarve, mas também de todo o resto de país. Não tenho conhecimento de mais nenhuma revista literária de momento.
Haverá, com certeza, coisas na net que têm origem por cá, mas, de momento, não sigo muito esse fenómeno.

Que apoios existem em Faro para a literatura?

Nenhuns, nunca houve e nem tão cedo há-de haver. Há a compra de exemplares de livros de autores locais por parte da Câmara, apoios pontuais a projectos ou edições, mas apoios há literatura não há nem nunca houve. Apoiar um projecto ligado à literatura implica continuidade, formação de públicos, fomento de condições para a criação, divulgação dos projectos e dos criadores locais. Isto nunca aconteceu e não há mostras de vontade para que aconteça.

Quem divulga/apoia em Faro os escritores que aqui residem?

Ninguém.

Fim.

Espero que o meu contibuto possa ser útil á tua investigação.

[Obrigado Pedro, e já agora deixa-me que te responda que a literatura tem um estado, é pena é que pareça ser mais um estado de sítio do que um estado interessante.]

sábado, 28 de agosto de 2010

As pessoas estão desligadas

[o estado da literatura]

Ao fim da tarde telefonei ao TN e perguntei-lhe se ainda tinha um livro para mim. Respondeu-me que sim e mostrou vontade em se encontrar comigo, de imediato, para meu espanto, e combinámos encontro daí a dez minutos, na esplanada do Maktostas, no largo de S: Pedro.

Cheguei primeiro, mas ele chegou pouco depois. Achei-o envelhecido, se tal é possível em alguém com vinte e oito anos de idade que não via apenas há alguns meses, no entanto ele próprio confirmou essa mesma impressão um pouco mais tarde, ao referir-se a um outro poeta, de 23 anos de idade, como um poeta ainda muito jovem.

Trocámos algumas banalidades, entregou-me o livro, trocámos mais algumas banalidades, mas como queria levar a minha investigação adiante, a certa altura atalhei caminho, coloquei o gravador em cima da mesa e perguntei-lhe se não se importava que lhe colocasse algumas questões. Pareceu-me desiludido e disse qualquer coisa como “eu sabia que tinhas algum interesse oculto”, o que inexplicavelmente me entristeceu e me fez hesitar. Mas liguei o gravador.

O tom da conversa mudou de imediato e passamos a ser entrevistador e entrevistado, o que se me tornou incómodo e me levou a desligar o gravador passados meia dúzia de minutos, quando a conversa resvalou. Mais à frente liguei-o de novo, mas com o mesmo resultado.

Do pouco que ficou gravado muito pouco se aproveita, como facilmente depreendi em audições posteriores, mas o pouco pode sempre ser muito e apontar caminhos, o que me parece o caso. E depois há o que não ficou gravado e que também vou aqui chamar. Seja como for, a investigação está em curso.

Um facto já meu conhecido mas que veio à conversa por causa do último livro de TN é que uma pequena localidade como Punta Umbria tem uma colecção de poesia já com treze livros e em que estão representados dois poetas residentes em Faro. De acrescentar O TN tinha ali estado poucos dias antes a participar num clube de leitura e estava bastante satisfeito com o resultado. Compare-se com Faro, em que nada acontece e em que esses dois poetas são ignorados por quem podia ( e devia?) publicá-los e promovê-los.

Em Faro, disse TN, as pessoas estão desligadas da literatura, não se interessam, e esta é sem dúvida uma ideia de força a desenvolver nas próximas entrevistas e contactos. Por outro lado, disse ainda, que há muito mais gente a escrever em Faro: “É muito engraçado. Havia um tempo, e não foi há muito tempo, em que eu conhecia toda a gente que escrevia em Faro, e agora há muitas pessoas em Faro que escrevem e que eu não conheço.”

Continuámos a conversar, disto e daquilo, e a entrevista pouco a pouco passou para segundo plano. TN falou de si e eu falei de mim, quando a minha intenção era ouvi-lo, mas foi isso que me apeteceu fazer.

“Aquilo que eu gosto mais na escrita”, disse TN, “é escrever”, e eu concordo com ele. “Por mim”, continuou, “não fazia apresentações, não aparecia, não dizia nada, só que as coisas são assim.”, e eu volto a concordar e a conversa flui, sem propósito. Quando lhe pergunto qual o lugar que a tradução ocupa actualmente na sua actividade literária, TN responde-me com uma frase lapidar e divertida que não acaba com a conversa mas quase acaba com a entrevista: “Cada vez mais traduzo menos.”

Rimos muito e esquecemos por instantes o estado (deplorável) da literatura em Faro.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

onde se reúnem os escritores em Faro?

Valter Ego responde:

todas as terças-feiras acontece um encontro de artistas (no sentido não-pindérico da palavra... se é que há um!), entre escritores, músicos, artistas plásticos etc., no DRACULEA Café Bar, sob o nome de DRACULEA Café Poesia; o DRACULEA Café Poesia encontra-se de momento de férias, regressando em Setembro quando se iniciarem as aulas da universidade; para quem tenha dúvidas acerca do "Poder" da Arte, posso dizer que o próximo DRACULEA Café Poesia será a 23ª edição... mais posso informar que, semanalmente, oferecemos um livro ao melhor cliente da noite, contando para isso (para já) com o apoio da Temas Originais Editora que contribui com um título por mês... para além do DRACULEA Café Poesia, estes artistas reúnem-se com regularidade no DRACULEA Café Bar, acontecendo amiudemente encontros e sessões de poesia e de discussão espontâneos... nomes como Ursula Mestre, Mara Barth, Vânia Martins (artistas plásticas), Fernando Pessanha, João Cuña, João Ventura (músicos), Rui Cabrita (actor), Tiago Marques (músico e escritor), Filipe Santos (apresentador do programa País Relativo na RUA FM), Nuno Fernandes (realizador da curta-metragem "Mar d'Outubro"), Rogério Cão (poeta) podem ser facilmente encontrados por estas bandas... mais do que o já (d)escrito... só posso mesmo fazer o convite a que apareçam para conhecerem o DRACULEA Café Bar e o seu ambiente...

P.S.: não somos um bar gótico... DRACULEA é um acrónimo que significa Domus Regia Artis CULtus Et Amicorum, ou seja, Casa Real da Arte, da Cultura e dos Amigos...

FICA O CONVITE
[Obrigado Valter, de caminho até respondeste a mais do à pergunta que apontas. Aparecerei então aí numa dessas terças, se não for noutra altura, o que aliás já aconteceu.]

Blogues em Faro

Diz o Tiago Nené em comentário a esta entrada que "o texto-al sou eu, a isa mestre, o adriano narciso, a joaninha, o gavine rubro, o pedro rodrigues e... convidados."
O texto-al (ou texto}al), para além do que mais seja, é um blog. De acordo com o Blogger são membros desta equipa a Ju, o Tiago Nené, o Gavine Rubro, a Ana Coreto, a Isa Mestre, o Adriano Narciso, o Pedro Rodrigues e o Duarte Temtem.

Que o texto}al é um blog literário, um blog de escritores (ou de pessoas que escrevem) não parece haver qualquer dúvida. Se tem "existência" em Faro é outra questão, mas se aceitarmos que o Tiago Nené (o seu grande impulsionador) reside em Faro (ainda que nas Gambelas :) penso que se pode dizer que o blogue tem uma ligação forte a Faro. Por esse motivo o inclui na lista de blogues daqui, ali à direita.

Esta investigação pretende ser rigorosa mas não ortodoxa, e o blog Texto}al interessa-me, assim como os seus membros. De todos só conheço o Tiago e sei que a Isa Mestre e o Gavino Rubro (pelo menos) também residem em Faro.

Não é aqui a altura para lembrar a importância dos blogues na literatura, mas fica a nota.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

questionário

Não pensei nas perguntas que enunciei duas entradas antes como um questionário, mas a Vânia não perdeu tempo. Obrigado Vânia. Leiam as respostas dela e enviem-me as vossas.

Questionário

Que escritores residem em Faro?

Luís Ene. O poeta algarvio vive nas Gambelas, certo? ;)

Que grupos de escritores ou de escrita ou de leitura existem em Faro?

Actualmente? Na sê. Antes havia o Texto-Al (que agora é um grupo de 1 pessoa) e o Sulscrito que se dissolveu (em álcool, penso eu!).

Em que locais em Faro se reúnem os escritores?

Talvez: n'Os Artistas, no Páteo, no café do teatro, no Maktostas...

Que editores e que edições literárias têm sede em Faro?

?

Que apoios existem em Faro para a literatura?

Isso talvez se possa saber no Ministério da Cultura, na biblioteca e na UAlg.

Quem divulga/apoia em Faro os escritores que aqui residem?

Idem. Mais os blogs.